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Investigadores apuram motivo do ataque a piloto de voo da Flydubai para Israel

1 out 2026 - 16h13
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Resumo
Autoridades internacionais investigam o ataque de um copiloto omanense que esfaqueou o comandante em um voo da Flydubai rumo a Israel, provocando uma queda brusca da aeronave. O capitão ferido liberou o acesso à cabine, permitindo que passageiros contivessem o agressor e realizassem um pouso forçado na Arábia Saudita com 174 pessoas a bordo em segurança. O suspeito foi detido, e as apurações, com apoio de inteligência israelense, apuram hipóteses que vão de distúrbio mental a terrorismo.

Copiloto esfaqueou comandante de avião que entrou em trajetória de queda até a intervenção de grupo de passageiros. Autoridades dizem que nenhum motivo está descartado, inclusive possível ato de terrorismo.Investigadores trabalharam nesta quinta-feira (01/10) para determinar por que um copiloto esfaqueou o comandante de um voo com destino a Israel, fazendo com que o avião entrasse em trajetória de queda antes que um grupo de passageiros conseguisse realizar um pouso de emergência na Arábia Saudita.

Avião da Flydubai transportava 174 pessoas dos Emirados Árabes Unidos para Tel Aviv
Avião da Flydubai transportava 174 pessoas dos Emirados Árabes Unidos para Tel Aviv
Foto: DW / Deutsche Welle

Passageiros do avião da companhia aérea Flydubai, que transportava 174 pessoas - a maioria israelenses - dos Emirados Árabes Unidos para Tel Aviv descreveram como o capitão indiano, ensanguentado, conseguiu abrir a porta da cabine para que eles entrassem e confrontassem o copiloto e estabilizassem a descida, que foi tão acentuada que, segundo relatos, a maior parte do leme teria sido arrancado da cauda do avião.

Segundo informações da companhia aérea, a aeronave pousou em Tabuk, na Arábia Saudita, pilotada por outro membro da tripulação que viajava na cabine, com os passageiros em segurança.

"Todos os cenários possíveis estão sendo investigados"

Um passageiro, porém, relatou a jornalistas que o avião foi pousado por dois pilotos britânicos que também viajavam como passageiros. "Eles estavam sentados uma fileira à minha frente", afirmou. "Foram eles que pousaram o avião", disse o passageiro Yaniv Hayoun a jornalistas na noite desta quarta-feira, após chegar a Tel Aviv.

Duas aeronaves teriam sido enviadas a Tabuk para transportar os passageiros e os membros da tripulação. Ambos os pilotos foram levados ao hospital e o agressor foi preso, disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Uma fonte próxima à investigação afirmou à agência de notícias Associated Press que o copiloto foi preso e confirmou que as autoridades sauditas trabalham com outros países, incluindo Israel, para tentar determinar a motivação do crime.

Segundo a fonte, os Emirados Árabes Unidos, os Estados Unidos e Omã - país de origem do copiloto - também estavam envolvidos nas investigações. "Todos os cenários possíveis, desde terrorismo a transtornos mentais, estão sendo investigados. Nada está descartado por enquanto", disse o oficial, que falou à agência sob condição de anonimato.

Netanyahu: agressor teria passado por "doutrinação islâmica"

Netanyahu afirmou, sem fornecer maiores detalhes, que o agressor passou por uma "doutrinação islâmica". Ao ser perguntado durante uma entrevista à emissora americana Fox News sobre quem teria radicalizado o suspeito, o premiê disse que não sabia. Seu gabinete afirmou que não iria comentar a declaração.

Questionado se havia algum indício de envolvimento iraniano, Netanyahu disse que era "cedo demais para afirmar".

Netanyahu disse anteriormente que também havia conversado com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, o xeque Mohamed bin Zayed Al Nahyan, que concordou que Israel participaria do interrogatório do suspeito.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse a repórteres na Casa Branca que ele e Netanyahu discutiram "longamente" o incidente por telefone e que parecia que o copiloto "talvez fosse um terrorista ou talvez um maluco".

O governo de Omã, que não tem relações diplomáticas com Israel, não comentou.

A identidade do copiloto não foi divulgada. Um vídeo gravado dentro do avião por Shota Musayev, um dentista que prestou cuidados médicos ao comandante, mostra o copiloto de joelhos, com as mãos amarradas nas costas.

O comandante Smit Machchhar, amplamente elogiado como um dos heróis do voo, está se recuperando, informou nesta quinta-feira a Embaixada da Índia nos Emirados Árabes Unidos.

Investigadores de Israel participam das investigações

Autoridades de inteligência e segurança israelenses estavam na Arábia Saudita para auxiliar na investigação e no interrogatório do copiloto, segundo uma autoridade regional que também falou sob condição de anonimato.

A Arábia Saudita não mantém relações diplomáticas formais com Israel, mas os países cooperam há muito tempo em questões de segurança e inteligência por meio de canais alternativos.

As autoridades israelenses solicitaram que o copiloto fosse enviado a Israel para a investigação, embora não esteja claro se o pedido será atendido, disse a autoridade.

O governo dos Emirados Árabes Unidos afirmou que sua equipe de investigação começou a apurar se o ataque teria motivação terrorista, e que as autoridades locais teriam jurisdição sobre o caso uma vez que a aeronave é registrada no país e a lei dos EAU se aplica a crimes cometidos a bordo.

O Ministério do Exterior de Israel informou que a maioria das pessoas a bordo era de nacionalidade israelense, além de outras da Índia e dos Emirados Árabes Unidos. O Departamento de Estado dos EUA afirmou que quatro passageiros tinham cidadania americana.

A Flydubai anunciou a suspensão de seus voos para Israel.

Códigos de emergência enviados durante o incidente

De acordo com o portal de monitoramento de voos Flightradar24, alguém na cabine de comando enviou dois códigos de quatro dígitos para sinalizar discretamente uma situação de emergência enquanto o avião voava de forma errática perto da fronteira entre a Jordânia e a Arábia Saudita. O primeiro código foi 7700 - o sinal universal de "squawk" para emergências - seguido de 7500, que indica interferência ilícita, incluindo um possível sequestro.

Esses códigos são utilizados por pilotos quando a comunicação via rádio não é possível ou aconselhável.

Em meio ao caos que teve início cerca de duas horas e meia após a decolagem, a aeronave desceu de 33 mil pés para 17 mil pés (aproximadamente de 10 mil metros para 5,1 mil metros) em cerca de um minuto, antes de realizar uma trajetória circular errática perto da fronteira com a Jordânia e pousar em Tabuk, segundo o Flightradar24. O site identificou a aeronave como um Boeing 737 Max 8.

A Flydubai informou que membros da tripulação ajudaram a garantir a segurança da aeronave, mas não divulgou detalhes sobre eles.

Pouso de emergência "milagroso"

Philip Kean, diretor da escola de aviação da Nova Zelândia onde o comandante indiano se formou, classificou como "milagroso" o fato de a aeronave - que não foi projetada para esse tipo de mergulho - não ter se despedaçado completamente.

Durante a busca por um local para pousar, uma pessoa que ouviu as comunicações do voo com o controle de tráfego aéreo relatou que a aeronave teve pedidos de pouso negados pela Arábia Saudita e pela Jordânia antes de finalmente aterrissar em Tabuk, no território saudita, enquanto passageiros gritavam ao fundo. A voz do piloto tremia ao transmitir o sinal de emergência mayday e informar que estava ocorrendo um sequestro.

Os controladores de tráfego aéreo não apresentaram justificativa para as recusas.

rc/md (AP, DW)

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