Realengo: a dor que não passa

Textos: André Naddeo e Cirilo Júnior
Vídeos: André Naddeo

Na manhã do dia 7 de abril de 2011, o País acompanhou, chocado, uma tragédia que parecia ser restrita ao cotidiano americano. Um ex-aluno armado entrava na escola municipal Tasso da Silveira atirando contra crianças e adolescentes com idades de 12 a 15 anos. Matou 12 delas, feriu outras 12, até ser contido por um policial, e se suicidar em seguida.

O drama dessas pessoas completa um ano, sem, obviamente, que as feridas tenham sido cicatrizadas. Para elas, parece que foi ontem. A triste memória daquele dia ainda afeta quem viveu aquela tragédia de perto, especialmente os sobreviventes e os pais das crianças mortas, que formaram uma associação para tentar se apoiar uns aos outros em meio à dor que não passa.

Realengo, bairro da zona oeste com ar interiorano em pleno Rio de Janeiro, conhecido nacionalmente pela citação de Gilberto Gil em “Aquele Abraço”, ficará marcado para sempre como o palco de onde aconteceu a maior tragédia em escolas no país.

A Tasso da Silveira não é mais a mesma. As mudanças são visíveis e a escola se transformou numa espécie de modelo no Rio.

O atirador Wellington Menezes de Oliveira, um homem sem amigos, isolado na sua loucura particular, buscou nos fantasmas do passado a justificativa para um ato injustificável. Não foi compreendido nem mesmo pela sua família, que se recolheu e não fez qualquer reclamação sobre o corpo. Acabou enterrado como indigente.

A reportagem especial do Terra mostra que, embora a vida tenha que seguir adiante, não será mais igual para quem sentiu na pele os efeitos do ato bárbaro praticado por Wellington.