Pode soar exagerado que uma tragédia tão dolorida pudesse se tornar ainda pior, mas a ação rápida de algumas pessoas evitou que um homem disposto a matar e morrer sem nenhuma causa justificável fizesse ainda mais vítimas.
Uma delas é o sargento da PM Márcio Alves, que, alertado sobre o que estava acontecendo na escola Tasso da Silveira, partiu para lá e conseguiu abater, a tiros, o assassino Wellington de Menezes, que se matou em seguida com um tiro na cabeça.
Para o sargento Márcio Alves, sua intervenção não passou de uma obrigação. “Cumpri apenas o meu dever”, ressalta. O PM do BPVR (Batalhão de Polícia Rodoviária) estava trabalhando no trânsito, a cerca de 300 metros da escola. O dia a dia de Alves não é pontuado por tiroteios ou perseguições a criminosos. Mas naquele dia, o PM teve que utilizar seu conhecimento e seu instinto para conter o homem que chocou o País.
“Isso nunca vai se apagado, não tem como sair da memória. Outro dia fui à escola, e me veio à cabeça todo o caminho que fiz”, conta o policial, pai de duas crianças.
Ele, no entanto, lamenta até hoje não ter tido a possibilidade de evitar as 12 mortes. “Queria ter chegado a tempo e ter salvado mais vidas. Ter conseguido parar o atirador não diminuiu a tristeza das famílias que perderam seus entes queridos”, conta.
O sargento Alves foi avisado da barbárie que acontecia no colégio pelo aluno Alan Silva. Mesmo baleado, o menino, que tinha 12 anos na época, conseguiu correr e ir buscar ajuda. “Ele é um verdadeiro herói, por ter sobrevivido e tido força para sair e buscar ajuda”, observa o PM. O sargento Alves foi condecorado pelo ato, e promovido pelo governador Sérgio Cabral.
Sargento Alves (à dir.), foi o primeiro a chegar ao local e atirou em Wellington. Foto: divulgação
Em meio à tragédia, surgem os heróis
Luiz, morador do bairro, levou seis crianças feridas em sua Kombi para o hospital.