Reinaldo - Rei do Atlético: ‘Na política eleitoral vale tudo, você tem que mostrar sua cara’

Como você despertou para a política?

Foi bem antes de ser jogador. Já mexo com política desde Ponte Nova (cidade natal de Reinaldo, na Zona da Mata mineira), quando eu panfletava lá. Não tinha muita liberdade para política, mas, como menino, a gente distribuía santinho.... Eu venho participando da política desde a época da ditadura. Nós fizemos um movimento de resistência para acelerar o processo democrático do País. Atuava como quase todo brasileiro, entre parênteses clandestinamente, porque a gente não tinha essa representação. Aliás, tinha representação, mas que não era bem representativa, que seria com os dois partidos, Arena e PMDB. Depois nós fizemos o movimento de anistia, Diretas Já, redemocratização. Isso tudo numa época de AI-5, em que não tinha nenhuma liberdade de expressão.

Conte um pouco mais sobre essa história da comemoração com o punho erguido....

Foi em 1975, 1976. A gente estava no momento de distensão política, no governo Geisel, quando começou a ter um pouquinho mais de brecha, de abertura pra gente. Como a gente não tinha a tribuna pra falar, ninguém falava nessa época, nem os próprios políticos falavam, eu comecei a fazer este gesto. É um gesto socialista, um gesto revolucionário. Tem a ver ainda, mas menos um pouco, com os panteras negras (movimento negro norteamericano) que também faziam este gesto, mas (no caso deles) era uma questão racial. A nossa era uma questão de socialismo mesmo. Isso foi de 1975 até 1987. Além da minha posição política, nas entrevistas que eu dava... Eu tenho pra mim que eu dei uma grande contribuição, fiz um grande trabalho. De todos os movimentos que aconteceram na época da ditadura, sempre participei, mesmo com todas as dificuldades. Por isso que a gente tem a pretensão de permanecer na política para continuar neste trabalho.

Goleador revive sua atuação na luta contra a ditadura, que era travada dentro de campo. Foto: Juliana Prado
"

Terra