Segundo ele, a estrutura básica do bricherismo é oferecer a imagem e o discurso que o turista quer escutar. O Estado peruano faz o mesmo em sua promoção turística ante o mundo. O Peru se vende como país indígena, um país velho, o país dos incas. Vende uma imagem e um discurso de exotismo. Mas o que vemos aqui é exatamente o contrário, no Peru o que menos interessa ao Estado é o seu passado, sua identidade indígena. “Toda a imagem e discurso é pura simulação para fora, porque para dentro as políticas estatais não se refletem, não há uma valorização do idioma
quéchua, da educação bilíngue, não há interesse pelas línguas indígenas amazônicas, não há um cessar da marginalização e do racismo.. Além disso, o ex-presidente (Alan García) dizia que os indígenas são cidadãos de segunda classe”.
É nesse contexto que está inserido o brichero que procuramos em Lima e Cusco? É possível. O único certo é que o inca moderno que namorava peles pálidas não está mais nesses locais. A magia se perdeu para sempre em alguma fria rua empedrada a mais de 3,4 mil metros acima do nível do mar.