Dois dias pelas ruas de Cusco e não se encontra os bricheros. Nas discotecas não são vistos. Não há rastro deles. Não estão na Praça de Armas, nem em Sacsayhuaman – fortaleza inca localizada nas proximidades de Cusco. Faltaram à celebração dos 100 anos do descobrimento de Machu Picchu.
Dois dias antes de aterrissar em Cusco, Mochi, ex-brichera, advertiu à reportagem do Terra que seus companheiros não seriam encontrados na serra. Conversamos em sua casa em Magdalena del Mar, um bairro de classe média em Lima. “Não sei por que, mas já não há bricheros em Cusco, pois estão velhos para lidar com gringas. No entanto, o que mais vai se vê são bricheras”.
Na discoteca The Lek, a advertência de Mochi vira realidade. O ritmo ensurdecedor da música eletrônica enlouquece um grupo de mulheres. Agrupam-se em pares e conversam entre elas. São bricheras, mas já não usam mais o discurso étnico de antigamente. A mensagem é direta como um SMS: “Compra-me uma bebida?”. Trata-se de latinas de pele bronzeada, minissaia e salto alto. Parecem recém-saídas de um reality show.
Elas vivem dos gringos e têm como meta se casar
com um para sair da pobreza.
Enquanto não encontram um marido, se divertem com os estrangeiros e vivem do seu dinheiro. E as relações aparentemente superficiais estão decoradas com romance.
Edith Veja, proprietária de uma agência de viagens, conta que as bricheras são as principais personagens das discotecas da Praça de Armas. “Elas são as que levam os gringos aos lugares. Se não conseguem entrar, te sabotam. Estou segura de que recebem uma porcentagem de todas as bebidas que o turista consome na festa”.
Jeff Murray é californiano, vive há cinco anos em Cusco e trabalha como professor de espanhol. Antes de tomar seu cuba libre em um pub irlandês, afirmou ao Terra que todos os bares e discotecas estiveram cheios de mulheres bonitas. A surpresa se converteu em suspeita quando se deu conta de que as moças eram sempre as mesmas. “Estive com várias delas. Nunca paguei por sexo, mas tive que convidá-las para sair e dar dinheiro. Elas sempre te contam a história de que necessitam dinheiro para algo urgente e é nesse momento que a pessoa precisa terminar a relação”.
Logo depois de pular vários dias em discotecas como Mythology, Inka Team, Mamá África e The Sky, entrei em contato com Mayra. Não foi fácil. A elas não interessam os morenos como eu.