"Em países ricos, existe a crença de que a autenticidade se perdeu e que somente podem encontrá-la no passado ou em alguns países distantes e exóticos, como o Peru”, afirma o crítico literário Víctor Vich

Como te tornaste uma brichera?”,
pergunto-lhe. “Uma amiga me disse: vamos a Cusco de férias, lá há muitos turistas. E, bom, fui a uma discoteca, me embriaguei, conheci um homem, nos beijamos e depois passou o que passou. No dia seguinte, voltei a vê-lo. Estive duas ou três semanas com ele, creio. Ele se foi, e finalmente comecei a gostar dos gringos. São bem-humorados”, responde-me.
Do amor à política

Não encontramos bricheros em Cusco. Por isso, vim ao bairro burguês de Miraflores, em Lima, para que Víctor Vich, prestigiado crítico literário peruano, nos dê uma pista. Para romper o gelo, digo-lhe que os bricheros são muito espertos.

Para Vich, trata-se apenas de pessoas que respondem com eficiência a uma necessidade de mercado. “Os turistas saturados do primeiro mundo, da modernidade, encontram-se ávidos em consumir uma cultura diferente. Eles querem sair da rotina e entrar em contato com o mundo autêntico e tradicional em sua viagem a um país exótico. Em países ricos, existe a crença de que a autenticidade se perdeu e que somente podem encontrá-la no passado ou em alguns países distantes e exóticos, como o Peru”.

Insisto em minha busca e pergunto onde estão os bricheros. Vich sustenta que não estão mais ali, mas revela algo ainda mais surpreendente. “É o Estado peruano que assumiu a essência do bricherismo”, dispara.