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IA na Copa do Mundo: melhores táticas, jogadores em forma e torcidas mais seguras, mas também com novos riscos

A Copa do Mundo deste ano será a maior de todas - e promete ser também a mais avançada tecnologicamente

8 jun 2026 - 09h43
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Com 48 seleções e 104 partidas em 16 cidades-sede em três países (Estados Unidos, Canadá e México), a Copa do Mundo da Fifa deste ano deve ser o maior evento esportivo de todos os tempos em termos de público, receita e audiência global.

Mas ela também promete ser a mais avançada tecnologicamente, com a inteligência artificial (IA), em particular, presente em quase todos os aspectos do torneio.

Isso reflete um uso crescente da IA no futebol e nos esportes de elite, com ferramentas aplicadas não apenas para otimizar o desempenho dos atletas, mas também para aprimorar a arbitragem das partidas, a segurança do evento e a experiência dos torcedores.

Vamos ver como a IA será usada na Copa do Mundo, quem pode se beneficiar e quais riscos podem surgir disso.

Como será utilizada em campo

Em nossa análise do uso da IA no futebol, identificamos várias maneiras pelas quais ela pode auxiliar em campo:

  • ferramentas para apoiar a avaliação de jogadores, equipes e partidas
  • previsão de resultados de partidas e eventos durante o jogo (como gols esperados, assistências, escanteios, passes e táticas do adversário)
  • monitoramento da carga de trabalho dos atletas
  • previsão e detecção de lesões
  • descoberta de talentos.

Na Copa do Mundo, os técnicos das seleções usarão IA junto com dados mais convencionais para definir como abordar cada partida, incluindo quais pontos fortes do adversário precisam neutralizar e quais pontos fracos podem explorar. Da mesma forma, auxiliares técnicos das equipes usarão a IA para monitorar a saúde e bem-estar dos jogadores e prever ou prevenir possíveis lesões.

As temidas disputas de pênaltis também são uma área em que a IA terá uma influência direta. As equipes usarão a tecnologia para sintetizar dados históricos e fornecer insights sobre as prováveis estratégias dos goleiros e dos cobradores de pênaltis.

Um benefício fundamental da IA é a velocidade com que essas análises podem ser realizadas. O que antes levava dias de trabalho manual à moda antiga agora pode ser feito em horas, mesmo para elencos inteiros.

Caso uma partida chegue aos pênaltis, é muito provável que a IA influencie o chute ou a defesa vencedora.

E quanto aos árbitros?

Os árbitros também contarão com o apoio da IA.

Embora a tecnologia semiautomatizada de impedimento tenha sido introduzida na Copa do Mundo de 2022, ela será aprimorada com a adição de avatares 3D de todos os jogadores usando IA. O objetivo é melhorar a precisão das decisões dos árbitros por meio do uso de medidas corporais mais precisas dos jogadores envolvidos.

Os avatares também serão usados para fornecer um conteúdo mais envolvente quando as decisões do Árbitro Assistente de Vídeo (VAR) forem mostradas aos torcedores. Em vez de ver apenas figuras genéricas, os torcedores agora verão avatares realistas que incorporam os rostos dos jogadores, seus uniformes e até mesmo seus penteados.

Outra aplicação na arbitragem de partidas será a tecnologia de visão do árbitro, que utiliza câmeras corporais para capturar imagens da partida a partir da perspectiva do juiz. A IA será usada para estabilizar as imagens, com ênfase em aprimorar a experiência imersiva dos torcedores.

E fora de campo?

A gestão de multidões e a logística dos jogos são outras áreas onde a IA será implantada.

A FIFA criou um "Centro de Comando de Inteligência" - que conectará dados entre partidas, locais e emissoras - bem como modelos de gêmeos digitais de estádios para monitorar e prever o comportamento da multidão.

O objetivo é garantir que questões relacionadas à multidão, como congestionamentos, sejam controladas.

Existem riscos?

Embora haja muitos benefícios, um amplo espectro de riscos no uso da IA precisará ser gerenciado.

As principais preocupações com ferramentas de IA são resultados abaixo do padrão e a perda de habilidades e de trabalho significativo para os seres humanos. Para combater isso, as equipes devem garantir que a IA seja usada apenas para apoiar a tomada de decisões humanas, e não para substituí-la.

A privacidade e a segurança dos dados serão preocupações centrais, com a possibilidade de informações confidenciais ou sensíveis vazarem ou serem acessadas por agentes não autorizados ou mal-intencionados. O uso da IA em áreas como segurança e gestão de multidões também poderia abrir espaço para ataques cibernéticos altamente disruptivos.

A igualdade pode ser um problema: times com maior poder financeiro podem ter uma vantagem por meio de ferramentas mais sofisticadas.

Na tentativa de nivelar o campo de jogo, a Fifa lançou o Football AI Pro, uma ferramenta de IA disponível para todas as equipes. Esse modelo de linguagem de grande porte específico para o futebol oferece suporte tanto à análise pré-jogo quanto pós-jogo e dá acesso a mais de 2.000 métricas.

O objetivo é garantir que todas as seleções tenham acesso a pelo menos algum nível de apoio de IA. Resta saber quais realmente a utilizarão.

Outro potencial resultado adverso do amplo uso da IA é a homogeneização tática, com os jogos se tornando previsíveis porque todas as equipes seguem o mesmo plano de jogo gerado por IA.

Infelizmente, a IA provavelmente também será utilizada para fins nefastos, por exemplo, como parte de golpes na venda de ingressos por meio de imagens geradas por IA, deepfakes, sites e e-mails de phishing. Os torcedores devem ter cautela o tempo todo.

A IA estará em toda parte

A IA está se tornando rapidamente um componente essencial do esporte de alto rendimento. Ela será utilizada durante todo o torneio para apoiar a preparação, o desempenho e a recuperação dos atletas.

Embora possa aumentar a diferença entre seleções maiores e menores, ela também pode dar às menores uma nova vantagem.

Será que 2026 poderá ser o ano em que a IA contribuirá genuinamente para a conquista da Copa do Mundo? Não veremos um agente de IA marcando um gol, nem um técnico robô tomando as decisões (pelo menos não ainda), mas não há dúvida de que o vencedor do torneio terá contado com a IA ao longo do caminho.

Quanto a quem será esse vencedor - bem, sempre podemos perguntar à IA…

The Conversation
The Conversation
Foto: The Conversation

Paul Salmon recebe financiamento do Australian Research Council.

Isaiah Jesse Elstak recebe financiamento da Commonwealth por meio de uma bolsa de estudos do programa de formação em pesquisa do governo australiano.

Scott McLean não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.

The Conversation Este artigo foi publicado no The Conversation Brasil e reproduzido aqui sob a licença Creative Commons
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