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Universitários abandonam salas de aula para cuidar dos filhos

Relatório inédito do MEC revela a dura realidade de mães e pais na faculdade e aponta forte vulnerabilidade social

26 jul 2026 - 17h24
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Alunos universitários precisam desistir dos estudos para cuidar dos filhos. A falta de apoio e a sobrecarga transformaram a rotina de milhares de universitários no país. Um levantamento inédito revela que 54,4% das alunas e dos alunos de graduação já precisaram trancar a matrícula ou mesmo desistir dos estudos para cuidar dos filhos. Na pós-graduação, essa barreira afeta 36,4% dos pesquisadores.

Universitários abandonam estudos para cuidar de filhos
Universitários abandonam estudos para cuidar de filhos
Foto: Chip Somodevilla/Getty Images / Perfil Brasil

Um grupo de trabalho específico do Ministério da Educação (MEC) coordenou a pesquisa com mais de 7,4 mil participantes. Os dados traçam um retrato nítido de quem tenta conciliar fraldas e livros: a grande maioria dos entrevistados declara ser mãe (86,5%) e frequenta cursos presenciais (92,8%) no período noturno (43,3%), com uma média de idade de 33 anos.

A princípio, os indicadores detalham a alta vulnerabilidade social desse grupo na graduação. O perfil predominante reúne pessoas negras (60,2%), solteiras (46%), matriculadas em instituições federais (79,5%) e que vivem com até um salário-mínimo (24,6%)

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Insegurança alimentar e barreiras nos restaurantes universitários

A sobrevivência e a nutrição das crianças geram extrema preocupação entre os pesquisadores do governo. Diante desse cenário, os restaurantes universitários (RUs) surgem como ferramentas centrais de permanência estudantil, mas ainda barram as famílias.

Mais da metade dos estudantes de graduação com filhos (51,0%) e de pós-graduação (49,3%) relata que os filhos simplesmente não têm o direito de comer nos RUs. Conforme destacam os autores do levantamento:

"O acesso mediante pagamento é ligeiramente mais comum: 10,7% na graduação e 9,2% na pós-graduação. Um dado ainda mais preocupante é o elevado número de estudantes que afirmaram não saber se seus filhos(as) têm esse direito (30,3% na graduação e 38,0% na pós-graduação), o que sugere ausência de informação clara por parte das instituições e fragilidade na comunicação institucional"

Do mesmo modo, as demais faixas de renda expõem a fragilidade financeira nas universidades. A taxa de graduandos que vivem sem qualquer rendimento atinge 16,1%, enquanto 14,5% sobrevivem com até meio salário-mínimo. Por outro lado, apenas 2,5% dos entrevistados relataram ganhos acima de 10 salários-mínimos.

A solidão da rotina e o abismo na pós-graduação

A ausência de uma rede de proteção empurra os estudantes para a exaustão física e mental. O suporte pessoal de amigos e parentes ampara 43,3% dos respondentes. Em contrapartida, expressivos 32,9% enfrentam a jornada acadêmica de forma totalmente solitária, sem a ajuda de ninguém.

Apenas uma parcela ínfima (5,9%) consegue pagar por cuidadores ou babás particulares. Outros 7,5% utilizam os serviços públicos oficiais, e menos de 1% encontra amparo em organizações não governamentais (ONGs).

O cenário socioeconômico muda de figura quando o estudo analisa a pós-graduação. Nesse nível, a maioria dos alunos se autodeclara branca (56,1%), enquanto os negros somam 42,1%, os indígenas 0,8% e os amarelos 0,9%. Metade do grupo (50,6%) possui estado civil casado.

O orçamento de mestrandos e doutorandos mostra-se mais robusto. O índice de quem sustenta a casa com até meio salário-mínimo cai para apenas 1,1%. Além disso, mais de um terço (38,9%) vive com até cinco salários-mínimos, sinalizando que a elite acadêmica ainda dispõe de melhores condições para evitar o abandono escolar.

Perfil Brasil
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