IA brasileira contra o crime chega a 194 cidades de Goiás
Desenvolvida pela Pax, startup brasileira de inteligência artificial, a tecnologia do programa IA Contra o Crime permite às polícias buscar pessoas e veículos a partir de uma descrição - a cor de uma camisa, um adesivo no carro - e já auxiliou na solução de mais de 2,5 mil casos policiais no estado
O programa IA Contra o Crime já alcançou 194 municípios em Goiás, integrando as forças de segurança através de uma tecnologia desenvolvida pela startup brasileira Pax. O sistema utiliza inteligência artificial capaz de identificar suspeitos e veículos por detalhes como roupas ou adesivos, sem depender de placas nítidas ou rostos claros. Com mais de 2,5 mil casos já solucionados, a iniciativa prevê ultrapassar 5,3 mil câmeras, cobrindo 95% da população com a meta final de atingir todo o estado.
O programa IA Contra o Crime, do Governo de Goiás, chegou a 194 dos 202 municípios previstos para receber a tecnologia até o fim deste ano - mais de 90% da expansão programada. Os próximos passos foram apresentados na segunda-feira (14/9), em reunião técnica com os comandos regionais das forças de segurança, em Goiânia, que contou com a participação do governador Daniel Vilela. Concluída a etapa, a estrutura terá mais de 5,3 mil novas câmeras e alcance estimado de 95% da população.
"É um sistema que já existe, e agora será ampliado com um número bem mais significativo de câmeras em todo o Estado. Serão mais de 200 municípios atendidos até o final do ano. E, depois, a nossa ideia é chegar aos 246", afirmou o governador de Goiás, Daniel Vilela.
A plataforma que sustenta o programa foi desenvolvida pela Pax, startup brasileira de inteligência artificial. A empresa nasceu em 2024 como Paladium, com a proposta de construir do zero uma tecnologia brasileira para segurança pública, e adotou a marca Pax em março deste ano, quando foi anunciada oficialmente ao mercado.
Em Goiás, ela reúne Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Polícia Técnico-Científica em um mesmo ambiente de análise de imagens, com câmeras posicionadas a partir do mapa de calor da criminalidade. Desde o início do projeto-piloto, em maio de 2025, a plataforma auxiliou na solução de mais de 2,5 mil casos policiais, resultando em mais de mil prisões e na recuperação de outros mil veículos — resultado obtido, segundo o Governo de Goiás, com apenas 10% dos equipamentos previstos para o fim da etapa atual.
Busca por descrição, não só por placa
O diferencial técnico da plataforma está em operar com pouca informação inicial. Em vez de exigir uma placa completa ou uma imagem nítida do rosto, a inteligência artificial interpreta descrições - cor de roupa, cor do veículo, um adesivo — e varre o acervo de imagens em busca de correspondências, devolvendo ao investigador um conjunto de candidatos para verificação humana.
"Precisamos de apenas um pequeno detalhe, às vezes a cor da camisa, do carro ou um adesivo no veículo. Isso é suficiente para que a nossa plataforma, com a inteligência artificial, já possa identificá-los rapidamente", explicou Daniel Vilela.
É essa característica que explica por que o programa avança em cidades médias e pequenas: a cada nova câmera integrada, cresce o acervo disponível para consulta das forças de segurança, e com ele a chance de reconstituir o deslocamento de um veículo ou de um suspeito entre municípios diferentes.
Uma decisão de arquitetura: tecnologia nacional, operação da polícia
A plataforma foi construída integralmente no Brasil, com modelos treinados para o contexto brasileiro de segurança pública — da tipologia de veículos em circulação ao vocabulário das ocorrências. A operação é das forças de segurança: são os policiais que consultam, que decidem e que conduzem a investigação; a Pax fornece a tecnologia e a verificação técnica dos resultados. Goiás foi o primeiro estado a adotar a plataforma, em 2025, e a experiência goiana se tornou referência para as demais implantações da empresa no país.
"A Pax é formada por jovens talentosos que já se destacaram em outras empresas de tecnologia, mas que se juntaram e decidiram constituir uma nova empresa com uma missão de ajudar o Brasil, de poder fazer com que a gente tivesse aqui também soluções de tecnologia que possam avançar naquela que é a principal demanda dos brasileiros hoje: a segurança pública", afirmou o governador.
No mesmo encontro, o CEO e fundador da Pax, David Peixoto, descreveu aos comandos das forças de segurança como a plataforma foi desenvolvida. O primeiro projeto da empresa foi em Luziânia, no Entorno do Distrito Federal.
"Ela não foi construída em laboratório. Ela não é uma importação de um produto para uma realidade diferente. Ela foi construída com uma combinação que é fundamental: engenharia com a polícia. O que vocês veem aqui nada mais é do que aquilo que aprendemos com os senhores e transformou o tirocínio policial numa ferramenta", afirmou.
Também está prevista a integração de imagens captadas por câmeras públicas e privadas, ampliando o volume de informação disponível para ações de prevenção e investigação. Após alcançar os 202 municípios, a meta do Governo de Goiás é estender o sistema aos 246 municípios do estado.
"Quando começamos a desenhar a tecnologia aqui em Goiás, eu disse que queríamos construir juntos a melhor plataforma de inteligência artificial para a segurança pública do mundo. Naquela época era uma frase ousada. Continua sendo, mas eu acho que a gente está muito mais perto. E o Brasil tem tudo para se tornar o país de referência nessa tecnologia no mundo", disse David Peixoto.
Website: https://pax.ai
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