EUA e Irã em impasse em meio a bloqueio do Estreito de Ormuz
Preços do petróleo continuam subindo, enquanto impasse abala mercados. Governo Trump demite secretário da Marinha. Irã ataca navios em Ormuz. Acompanhe o conflito.
Irã ataca três navios no Estreito de Ormuz e captura dois deles, após Donald Trump anunciar que manteria bloqueio sobre portos iranianos
Trump declara unilateralmente prorrogação de cessar-fogo, mas mantém bloqueio dos EUA sobre portos iranianos
Conversas de paz entre Irã e EUA seguem incertas após vice-presidente americano JD Vance não viajar para negociações ao Paquistão na terça-feira, conforme previsto inicialmente
Conselheiro do presidente do parlamento iraniano diz que prorrogação do cessar-fogo por Trump "não significa nada" e que regime vê anúncio dos EUA como "um truque" dos americanos para a preparação de novo "ataque"
Regime iraniano diz que vai manter bloqueio de Ormuz enquanto americanos continuarem com seu bloqueio contra portos
Líbano pede que trégua com Israel seja prorrogada por um mês. Atual cessar-fogo de 10 dias está previsto para expirar no domingo
Acompanhe abaixo os desdobramentos dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, em 28 de fevereiro, que mataram o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e vários chefes militares, desencadeando o atual conflito no Oriente Médio:
Secretário da Marinha dos EUA é demitido após meses de disputas no Pentágono
O secretário da Marinha dos EUA, John Phelan, foi exonerado do cargo nesta quarta-feira, após vários meses de supostas disputas internas com altos funcionários do Pentágono.
Phelan, que até então era responsável pela organização, treinamento e equipamento das forças navais americanas, foi exonerado de suas funções, segundo o porta-voz do Departamento de Defesa, Sean Parnell.
O cargo de Phelan será ocupado interinamente pelo Subsecretário Hung Cao, de acordo com a mesma fonte.
Semanas antes, o jornal New York Times noticiou que Phelan havia tido desentendimentos com o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e com o subsecretário de Defesa, Stephen Feinberg.
O secretário da Marinha não tem envolvimento direto em operações de combate dos EUA, embora seja responsável por definir orçamentos, tecnologia e logística de implantação.
md (EFE, ots)
Preços do petróleo sobem pelo 3° dia, enquanto impasse com Irã abala mercados
Os preços do petróleo subiram pelo terceiro dia consecutivo nesta quinta-feira, em meio ao frágil cessar-fogo na guerra com o Irã.
O barril do petróleo Brent para entrega em junho avançou mais de 1% em relação ao dia anterior, chegando a 103,23 dólares (159 litros).
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou a pressão sobre o Irã e, segundo relatos da imprensa, está concedendo a Teerã apenas mais alguns dias para apresentar uma proposta aceitável para encerrar a guerra.
Enquanto isso, o Irã se vê em uma posição de força por causa do fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota importante para o comércio de petróleo.
A falta de progresso nas negociações para pôr fim ao conflito deixou os investidores dos mercados de commodities apreensivos. Desde o início da semana, o petróleo do Mar do Norte subiu quase 7 dólares por barril, enquanto o petróleo norte-americano avançou quase 4 dólares.
Dennis Kissler, da BOK Financial Securities, afirmou que espera que os preços continuem subindo até que um dos lados ceda. Na visão dele, as negociações para um acordo estão em impasse.
Quanto mais tempo nenhum petróleo fluir pelo Estreito de Ormuz, mais os preços subirão, disse Kissler.
Washington e Teerã continuam em desacordo sobre várias questões consideradas cruciais para o fim da guerra, incluindo o programa nuclear do Irã.
md (DPA, ots)
Jornalista libanesa é morta em ataque israelense. Autoridades do Líbano denunciam "crime hediondo"
Uma jornalista libanesa veterana foi morta nesta quarta-feira (22/04) em um ataque israelense no sul no Líbano, segundo autoridades locais e veículos de imprensa do Oriente Médio.
Amal Khalil, uma correspondente do jornal libanês Al-Akhbar que vinha cobrindo a atual guerra no sul do país, foi atingida por um bombardeio nas proximidades da cidade de al-Tayri.
O ataque também feriu a forográfa Zeinab Faraj, que acompanhava Khalil.
Segundo autoridades libanesas, as duas jornalistas seguiam por uma estrada quando um ataque atingiu o veículo que seguia à frente delas.
Elas então correram para uma casa próxima, que, em seguida, também foi alvo de um ataque israelense — segundo informou o Ministério da Saúde do Líbano. Autoridades libanesas afirmaram que as duas foram "perseguidas" pelos israelenses.
Equipes de resgate libanesas conseguiram retirar Faraj dos escombros, de acordo com Elsy Moufarrej, que dirige o Sindicato dos Jornalistas do Líbano.
Mas, quando os socorristas retornaram para ajudar Khalil, militares israelenses lançaram uma granada de efeito moral, bloqueando o acesso deles ao edifício danificado, afirmou Moufarrej.
Já o Ministério da Saúde libanês afirmou que as forças militares de Israel "impediram a conclusão da missão humanitária ao disparar uma granada de efeito moral e munição real contra a ambulância".
As equipes de resgate só conseguiram retornar ao local cerca de quatro horas após o ataque, disse Moufarrej à agência Reuters. A essa altura, Khalil foi retirada sem vida dos escombros.
O ataque israelense ocorreu apesar do cessar-fogo vigente entre o Líbano e Israel.
Duas outras pessoas também morreram no primeiro ataque contra o veículo, informou a mídia estatal libanesa. Após a confirmação da morte da jornalista, o ministro da Informação do Líbano, Paul Morcos, afirmou que "mirar em jornalistas é um crime hediondo".
Ele também classificou a morte da jornalista como uma "violação flagrante do direito internacional humanitário, sobre a qual não permaneceremos em silêncio".
Israel negou ter impedido equipes de resgate de chegar à área ou que tenha mirado propositalmente as jornalistas.
Já o Clube de Imprensa do Líbano afirmou que Khalil "pagou com a vida e com o sangue por uma causa em que acreditava".
A organização afirmou que o ataque se insere no que chamou de "campanha deliberada" de Israel "visando jornalistas e profissionais da mídia".
Em março, três jornalistas libaneses morreram em outro ataque israelense. Na ocasião, uma associação internacional de meios de comunicação acusou o exército israelense de tentar difamar ums dos jornalistas ao divulgar uma imagem gerada por inteligência artificial na qual o repórter aparecia vestido com o uniforme do Hezbollah.
Jps (ots)
Ataques deixam 20% da frota de passageiros do Irã fora de serviço
Aproximadamente 20% da frota de 130 aeronaves de passageiros do Irã está fora de serviço devido aos danos sofridos em ataques aéreos de Estados Unidos e Israel, que também afetaram aeroportos, sistemas de radar e sistemas de navegação, informou nesta quarta-feira o vice-diretor de Aviação Civil, Hamidreza Sanaei, segundo a agência de notícias Isna.
"Estamos avaliando os danos à frota, mas menos de 20% da frota ativa do país foi completamente retirada de serviço. Quinze aeronaves foram atingidas diretamente por mísseis" afirmou Sanaei.
Antes da guerra no Irã, que começou em 28 de fevereiro, o país tinha aproximadamente 130 aeronaves de passageiros operacionais, de acordo com o próprio vice-diretor. Isso significa que 20% da frota, representando cerca de 26 aeronaves, foi perdida, um golpe significativo para a conectividade aérea do país.
Por essa razão, Sanaei afirmou que equipes técnicas estão trabalhando para reintegrar gradualmente algumas das aeronaves danificadas à rede de transporte.
O vice-diretor de Aviação Civil acrescentou que, além da frota, a infraestrutura também foi afetada pelos ataques, que ele denunciou como uma violação das normas internacionais, já que visaram instalações destinadas exclusivamente ao transporte de passageiros e carga.
"Os principais aeroportos do país, incluindo Mehrabad (em Teerã), foram atacados. Além disso, quatro torres de controle e 12 instalações de radar foram atingidas diretamente por mísseis inimigos e danificadas", afirmou.
jps (EFE)
EUA prorrogam isenção de sanções que permite venda de petróleo da Rússia
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, confirmou nesta quarta-feira que prorrogou a isenção de sanções que permite a venda de petróleo da Rússia, após mais de dez países terem solicitado a medida durante as reuniões de primavera (no hemisfério Norte) do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM), realizadas na última semana em Washington.
Bessent, que compareceu a uma audiência no Senado, havia declarado no início da última semana que a isenção não seria prorrogada, mas o Tesouro reverteu a posição e anunciou uma nova prorrogação de 30 dias, autorizando a venda de petróleo russo.
O secretário do Tesouro também abordou a questão do aumento dos preços da gasolina durante sua ida ao Senado, outro assunto delicado decorrente da guerra no Irã, que começou em 28 de fevereiro e se aproxima do seu segundo mês.
Bessent afirmou que os preços da gasolina podem ser "mais baixos" do que antes do início do conflito, assim que ele terminar. A guerra está atualmente sob um cessar-fogo por tempo indeterminado e aguarda a retomada das negociações, que podem ocorrer nesta semana no Paquistão.
Além disso, Bessent afirmou que os EUA poderiam fornecer assistência financeira aos Emirados Árabes na forma de um swap cambial, visto que a guerra prejudicou as economias de países que dependem do estreito de Ormuz para o transporte de petróleo, sua principal fonte de dólares.
O secretário do Tesouro americano destacou que os Emirados Árabes e outros países do golfo Pérsico e da Ásia consultaram os EUA sobre a possibilidade de tal swap, que, segundo ele, impediria a venda desordenada de ativos americanos, já que esses países buscam garantir o acesso a dólares. "A linha de swap beneficiaria tanto os Emirados Árabes quanto os EUA", declarou Bessent.
jps (EFE)
Irã insiste que não reabrirá estreito de Ormuz enquanto bloqueio naval dos EUA continuar
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta quarta-feira que seu país não reabrirá o estreito de Ormuz até que os Estados Unidos suspendam o bloqueio naval imposto contra seus portos e navios.
"A reabertura do estreito de Ormuz não é possível se o cessar-fogo for flagrantemente violado", advertiu Ghalibaf, uma das figuras políticas mais visíveis da república islâmica no momento.
O político e ex-integrante da Guarda Revolucionário disse que, em sua opinião, o cessar-fogo está sendo violado neste momento pelo "bloqueio naval e pelo sequestro da economia mundial" por parte dos EUA e pelos ataques de Israel contra o Líbano.
"Os Estados Unidos e Israel não alcançaram seus objetivos por meio da agressão militar, nem os alcançarão por meio da intimidação. O único caminho a seguir é aceitar os direitos da nação iraniana", analisou.
A mensagem de Ghalibafsurge em meio ao impasse nas negociações entre Irã e EUA, após dias de incerteza sobre se as delegações lideradas por JD Vance e pelo iraniano Ghalibaf voltariam a se reunir em Islamabad após o primeiro contato direto nos dias 11 e 12 de abril.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou unilateralmente na terça-feira uma prorrogação do cessar-fogo, mas manteve o bloqueio naval, visto pelo regime de Teerã como um ato de guerra.
Após o anúncio de Trump, a Guarda Revolucionária do Irã capturou dois navios no estreito de Ormuz por "operarem sem as autorizações necessárias", os quais foram conduzidos à costa iraniana.
jps (EFE)
Países árabes do Golfo cobram reparações do Irã
Os países árabes estão exigindo reparações do Irã pelos danos e perdas sofridos durante a guerra. A Liga Árabe argumentou, após uma reunião virtual, que o Irã é obrigado a fazer tais pagamentos de acordo com o direito internacional.
Em retaliação aos ataques militares dos EUA e de Israel, o Irã atacou os países árabes do Golfo com milhares de foguetes, drones e mísseis de cruzeiro desde o início da guerra, no fim de fevereiro.
Instalações americanas, como embaixadas e bases militares, bem como locais civis, como aeroportos e áreas residenciais, foram alvejados. A maioria dos ataques foi relatada nos Emirados Árabes Unidos e no Kuwait.
as (ARD)
UE vai apresentar plano para lidar com alta dos fertilizantes
A Comissão Europeia planeja apresentar em maio uma estratégia para lidar com o aumento acentuado dos preços dos fertilizantes, comunicou o braço executivo da União Europeia (UE) nesta quarta-feira (22/04), em Bruxelas.
O objetivo é impulsionar a produção interna, diversificar as cadeias de suprimentos e abordar as fragilidades estruturais. Além disso, a transição para uma produção neutra em carbono e eficiente em termos de recursos será acelerada.
Os preços globais dos fertilizantes subiram acentuadamente após o fechamento quase completo do Estreito de Ormuz, ao largo da costa iraniana, por onde passa aproximadamente um terço do comércio global de fertilizantes.
as (ARD)
Alemanha reduz previsão de crescimento econômico para 2026
O aumento dos preços causado pela guerra no Irã está reduzindo significativamente o crescimento econômico na Alemanha. Em vez de 1%, como projetado no fim de janeiro, o crescimento do PIB para 2026 deverá ser de apenas 0,5%, de acordo com a previsão apresentada nesta quarta-feira (22/04) pela ministra alemã da Economia, Katherina Reiche.
A inflação, no entanto, deverá subir mais acentuadamente. Reiche afirmou que houve uma "revisão significativa para cima" na previsão da inflação ao consumidor. O governo agora prevê que a inflação atinja 2,7% em 2026, ou bem mais do que os 2% projetados seis meses atrás. Em 2027, a taxa de inflação deverá atingir 2,8%.
as (AFP)
Lufthansa cortará voos para economizar combustível
O grupo de companhias aéreas Lufthansa cancelará 20 mil voos de curta distância até outubro para economizar combustível em meio à escassez e à alta dos preços após o início da guerra no Irã.
A Lufthansa anunciou na noite desta terça-feira (21/04), em comunicado, que os 20 mil voos cancelados representam uma redução de 1% na capacidade de passageiros para o verão no Hemisfério Norte e uma economia de aproximadamente 40 mil toneladas de querosene, cujo preço dobrou desde o início da guerra no Irã.
A maioria dos voos é da subsidiária regional Cityline, cujo fim das operações foi anunciado na semana passada.
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Conselheiro iraniano diz que regime vê prorrogação de cessar-fogo por Trump como um "truque"
Um alto conselheiro iraniano afirma que a prorrogação do cessar-fogo por parte do presidente dos EUA, Donald Trump, tem o mesmo significado que "nada" e é "certamente um truque para ganhar tempo para um ataque surpresa".
Mahdi Mohammadi é conselheiro do presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.
Em uma publicação em persa na plataforma X, Mohammadi disse que a continuação do "cerco" de Trump "não difere em nada de um bombardeio" e deve ser "respondida com uma reação militar". Ele acrescenta: "Chegou a hora de o Irã tomar a iniciativa."
A Marinha dos EUA tem mantido um bloqueio sobre portos iranianos e forças americanas capturaram um navio cargueiro de bandeira iraniana no domingo.
jps (ots)
Irã ataca navios e captura duas embarcações no estreito de Ormuz
A Guarda Revolucionária do Irã anunciou nesta quarta-feira a captura de dois navios no Estreito de Ormuz por "operarem sem as permissões necessárias" e informou que as embarcações foram conduzidas à costa do Irã, em uma ação que ocorreu após o presidente americano, Donald Trump, anunciar uma prorrogação da trégua na região. Uma terceira embarcação também foi atacada.
"Duas embarcações infratoras, o MSC Francesca - vinculado ao regime sionista - e o Epaminondas, que operavam sem as permissões necessárias e haviam manipulado seus sistemas de navegação, colocando em perigo a segurança marítima, foram apreendidas pela Marinha da Guarda Revolucionária", afirmou o guarda militar do regime em comunicado divulgado pela agência de notícias Tasnim.
A Guarda alegou que as ações ocorreram devido à "alteração da ordem e da segurança no Estreito de Ormuz", o que classificou como uma "linha vermelha" para a república islâmica.
O comunicado indicou ainda que os dois navios foram levados à costa do Irã, sem detalhar as bandeiras das embarcações ou o paradeiro de seus tripulantes.
Horas antes, a agência Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO, na sigla em inglês), que monitora a segurança de navios e marinheiros ao redor do mundo, reportou ataques a embarcações perto do Estreito de Ormuz.
Um outro navio, chamado Euphoria, com bandeira panamenha e de propriedade de uma empresa com sede nos Emirados Árabes Unidos, foi atacado nesta manhã a cerca de oito milhas náuticas a oeste do Irã, segundo a UKMTO.
Estes incidentes ocorreram depois que Trump prorrogou indefinidamente o cessar-fogo com o Irã, que expiraria nesta quarta-feira, mas membros do regime iraniano têm afirmado que enxergam o anúncio de Trump como um "truque" para o lançamento de um novo ataque.
Além disso, apesar do anúncio de Trump, os EUA seguem mantendo seu bloqueio naval imposto contra portos do Irã, medida que Teerã denunciou como uma violação da trégua e motivo pelo qual se recusou a participar de uma nova rodada de negociações.
O Irã, por sua vez, mantém praticamente bloqueado o estratégico estreito por onde passa 20% do petróleo mundial desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
jps (EFE)
Irã afirma que voltará a negociar com os EUA quando houver "condições necessárias"
O Irã afirmou nesta quarta-feira que voltará à mesa de negociações com os Estados Unidos quando houver as "condições necessárias e razoáveis" e disse que o país está preparado para se defender em caso de novos ataques.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Ismail Baghaei, respondeu assim ao ser questionado se Teerã se reunirá novamente com os Estados Unidos para negociar o fim da guerra, após a incerteza dos últimos dias sobre uma reunião hoje no Paquistão que não chegou a ser realizada.
O diplomata declarou que o país atuará "quando chegarmos à conclusão de que existem as condições necessárias e razoáveis", mas não explicou quais seriam essas condições.
Baghaei ressaltou que, em qualquer caso, as negociações buscarão "materializar os interesses nacionais e consolidar as conquistas do povo iraniano ao frustrar os objetivos maliciosos de seus inimigos".
Sobre a extensão do cessar-fogo indefinido anunciada ontem pelo presidente americano, Donald Trump, o diplomata disse que "a República Islâmica do Irã não foi quem iniciou esta guerra" e que suas ações foram em "legítima defesa diante da agressão militar dos Estados Unidos e do regime sionista [Israel]".
Em meio à incerteza sobre as negociações, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou hoje a apreensão de dois navios no Estreito de Ormuz por "operarem sem as permissões necessárias" e informou que foram conduzidos à costa do Irã, no que representa uma escalada nas tensões.
As negociações entre o Irã e os Estados Unidos seguem estagnadas após dias de incerteza sobre se as delegações lideradas pelo vice-presidente americano, JD Vance, e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, voltariam a se sentar em Islamabad depois do primeiro contato direto, em 11 e 12 de abril.
Teerã reiterou nesta quarta-feira que não comparecerá a novas rodadas de diálogo enquanto persistir o bloqueio naval de seus portos, uma medida que Washington mantém vigente apesar da extensão do cessar-fogo.
O Irã, por sua vez, tem mantido praticamente bloqueado o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
jps (EFE)
Regime iraniano continua com onda de execuções de condenados
As autoridades do Irã executaram nesta quarta-feira um preso que foi condenado pelo regime "por colaboração com o Mossad", o serviço de inteligência de Israel, em meio a uma onda de enforcamentos na república islâmica.
"Mehdi Farid foi executado na forca pelo crime de ampla cooperação com o serviço terrorista de espionagem Mossad, após a tramitação de seu caso e a ratificação da sentença final no Supremo Tribunal", informou a agência de notícias Mizan, vinculada ao Poder Judiciário iraniano.
O executado era responsável por um departamento de um órgão da chamada defesa passiva do país, que faz parte das Forças Armadas iranianas.
Por sua suposta colaboração com o Mossad, foi sentenciado por "corrupção na Terra", termo que engloba uma série de crimes contra a segurança pública e a moral islâmica.
Esta é a terceira execução em três dias anunciada pelas autoridades iranianas, depois de um preso condenado por sua participação nos protestos de janeiro e por também supostemente colaborar com o Mossad ter sido enforcado ontem.
Desde 19 de março, o Irã enforcou até agora oito pessoas condenadas por participação nos protestos de janeiro.
Na segunda-feira, foram executados outros dois réus sentenciados à morte por supostamente colaborarem com os serviços de inteligência israelenses.
Nos últimos meses, dispararam as execuções de pessoas condenadas por suposta colaboração com o Estado judeu.
O Irã é um dos países com o maior número de execuções no mundo e, em 2025, enforcou 1.639 pessoas, um aumento de 68% em relação ao ano anterior e o número mais elevado no país desde 1989, segundo o relatório anual das ONGs Iran Human Rights (IHRNGO), da Noruega, e Ensemble contre la Peine de Mort (ECPM), da França.
Apenas 113 dessas execuções foram anunciadas por fontes oficiais, número que corresponde a menos de 7% do total, frente a 9,5% em 2024 e 15% em 2023.
jps (EFE)
Israel afirma que seu Exército está pronto para retomar combates em todas as frentes
O chefe do Estado-Maior de Israel, Eyal Zamir, afirmou em declarações divulgadas nesta quarta-feira que o Exército do país mantém um alto nível de preparação e está pronto para retomar "imediatamente e com contundência" as operações militares "em todas as frentes".
As declarações fizeram parte de um discurso divulgado pelos canais oficiais do Exército por ocasião de uma cerimônia, gravada previamente, do Dia da Independência de Israel, na qual 120 soldados de destaque foram homenageados na residência presidencial.
"O Exército mantém um alto nível de alerta e preparação, e está pronto para retornar imediatamente e com contundência ao combate em todas as frentes", afirmou Zamir.
O chefe militar assinalou que esta preparação se consolidou após meses de combates contínuos desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que, segundo disse, obrigaram as forças armadas a trabalhar para "restabelecer sua capacidade operacional" em diferentes cenários.
Nesse contexto, segundo suas palavras, as forças israelenses conseguiram "debilitar o Hamas" e realizar o resgate de seus reféns, em referência à ofensiva que Israel iniciou há mais de dois anos na Faixa de Gaza, resultando na morte de mais de 72.560 pessoas e na destruição de mais de 80% do enclave palestino.
Zamir acrescentou que suas tropas mantêm "intensos combates" no Líbano com o objetivo de reforçar a defesa das comunidades do norte do país, e mencionou também operações no Irã; contudo, por se tratar de uma mensagem gravada previamente e sem data de registro detalhada, não está claro a que momento concreto correspondem essas afirmações.
O Exército israelense confirmou nesta quarta-feira novos ataques aéreos no sul do Líbano, apesar do cessar-fogo vigente, em ações que classificou como de "legítima defesa".
Israel mantém destacadas várias divisões na zona, onde ocupa uma faixa de entre oito e dez quilômetros a partir da fronteira e restringe o acesso a dezenas de localidades libanesas.
jps (EFE)
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