Governo antecipa pagamento de Bolsa Família reajustado para antes do 2º turno
O governo antecipou o pagamento do Bolsa Família com reajuste de 15% para antes do segundo turno presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, a medida, que eleva o piso para R$ 691 e se estenderá até dezembro, visa mitigar os efeitos climáticos do fenômeno El Niño sobre famílias vulneráveis, sem citar a eleição. O reajuste custará R$ 5,8 bilhões em 2026, ocorrendo em meio a um cenário de empate técnico nas pesquisas de intenção de voto.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antecipou o pagamento do Bolsa Família de modo que todos os beneficiários do programa receberão os valores reajustados em 15% antes do segundo turno da eleição presidencial, no qual o candidato à reeleição enfrentará o senador Flávio Bolsonaro (PL) no próximo domingo.
O anúncio da antecipação foi feito pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome em comunicado nesta segunda-feira. De acordo com a pasta, a antecipação dos pagamentos, que serão feitos até a quarta-feira, tem o objetivo de "mitigar os efeitos do super El Niño" sobre as famílias mais vulneráveis que recebem o benefício.
"A medida valerá também para novembro e dezembro, meses críticos do El Niño", afirmou a pasta.
Os pagamentos começarão nesta segunda e terminarão na quarta. Pelo calendário original, parte dos beneficiários do Bolsa Família receberia o valor somente após o segundo turno da eleição.
O ministério afirmou que a antecipação de pagamentos como forma de mitigar os efeitos de desastres climáticos já ocorreu em outros momentos, como nas enchentes do Rio Grande do Sul, em maio de 2024.
"A unificação do calendário amplia a capacidade das famílias beneficiárias de se prepararem para os efeitos da seca, da escassez hídrica, das inundações e das interrupções no abastecimento", justificou a pasta no comunicado, que não menciona o período eleitoral.
Em meados de setembro, antes do primeiro turno da eleição realizado em 4 de outubro, Lula anunciou o reajuste de 15% nos benefícios do Bolsa Família a partir de outubro, levando o piso do programa a R$691 por família, de R$600 antes.
Na ocasião do anúncio, ministros do governo afirmaram que o reajuste repõe a inflação acumulada desde a última correção do benefício em 2022, quando o então presidente Jair Bolsonaro buscava a reeleição.
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou à época do anúncio do reajuste que o custo da medida será de R$5,8 bilhões em 2026 e de R$22 bilhões em 2027. Assegurou, ainda, que boa parte do impacto será incorporada em espaço já existente no orçamento, dentro das regras fiscais vigentes.
As pesquisas de intenção de voto têm mostrado uma disputa acirrada entre Flávio e Lula no segundo turno, com os principais institutos apontando empate técnico com vantagem numérica do senador sobre o presidente.
No primeiro turno, Flávio terminou na liderança com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%, uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos.
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