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Gomo Coop: conheça o primeiro mercado de SP onde os patrões são também clientes e funcionários

Fruto de quatro anos de trabalho coletivo e autônomo, projeto no centro de São Paulo completa um mês e busca sustentabilidade através da agricultura familiar

3 fev 2026 - 15h01
(atualizado em 3/2/2026 às 11h40)
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Desde o dia 6 de janeiro, a  cidade de São Paulo passou a contar com uma proposta inovadora no varejo alimentar: a Gomo Coop, o primeiro mercado sem patrão da capital paulista. Situado na Rua Santa Isabel, no Centro, o estabelecimento opera sob o modelo de cooperativa de consumo participativa, uma estrutura ainda rara no cenário brasileiro.

A Gomo Coop não é apenas um ponto de venda, mas um manifesto vivo contra a lógica tradicional de mercado
A Gomo Coop não é apenas um ponto de venda, mas um manifesto vivo contra a lógica tradicional de mercado
Foto: Divulgação / Perfil Brasil

Para realizar compras no local, não basta apenas ter recursos financeiros; o interessado deve se tornar um cooperante mediante a aquisição de ao menos uma cota-parte de R$ 100 e assumir o compromisso de trabalhar voluntariamente três horas a cada 28 dias. As funções variam conforme a necessidade, abrangendo desde a operação de caixa e reposição de estoque até a limpeza e o suporte administrativo.

Nesta estrutura horizontal, o associado acumula os papéis de cliente, proprietário e colaborador. A governança é democrática, garantindo a cada membro o direito a um voto nas assembleias de decisão, independentemente do capital investido.

Para Beto Amorim, um dos cooperantes, não há fins lucrativos. Toda a 'sobra' retorna para o próprio negócio. "Neste modelo, prioriza-se a relação justa de trabalho, sem exploração. Além disso, privilegia a agricultura familiar."

Gomo Coop

A iniciativa surge como um contraponto direto à alta concentração do mercado de alimentos no Brasil, onde cerca de 70% das compras domésticas costumam ser limitadas a produtos de apenas dez grandes fabricantes. Para os idealizadores da Gomo Coop, esse monopólio reduz drasticamente a diversidade nas prateleiras e restringe o poder de escolha do cidadão. Ao propor uma gestão participativa, o mercado busca democratizar o acesso ao varejo e oferecer alternativas que fujam do domínio das grandes marcas globais.

A inspiração veio de Nova York, com o Park Slope Food Coop.  Há mais de 50 anos, o local conta com o trabalho mensal dos participantes do projeto, que também são donos e clientes. De acordo com Karina Nishioka, coordenadora de relações da cooperativa, a ideia surgiu durante a pandemia.

"Nós éramos o único grupo que queria abrir uma cooperativa de consumo. E, de repente, apareceu uma pessoa dizendo que tinha vontade de criar algo inspirado em uma cooperativa que ele tinha visitado em Nova York. Quando ouvimos aquilo, tudo fez sentido", contou ao portal G1.

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Apesar do marco histórico da inauguração, o desafio da sustentabilidade financeira ainda é presente. Atualmente, a Gomo Coop conta com quase 400 cooperados, mas os idealizadores estimam que são necessários mais 300 novos membros para que o modelo atinja seu pleno equilíbrio econômico. O convite para "colocar a mão na massa" é, portanto, um chamado para fortalecer uma alternativa real ao monopólio das grandes marcas, provando que é possível gerir um negócio onde o bem-estar das pessoas e o respeito ao fornecedor estão acima das margens de lucro.

Perfil Brasil
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