Gêmeas siamesas se preparam para cirurgia que pode mudar suas vidas
Maria Helena e Maria Eva, unidas pelo abdômen, vão passar por uma delicada cirurgia em Goiânia; família criou uma Vakinha para custear despesas que não são cobertas pelo SUS Desde o primeiro instante de vida, Maria Helena e Maria Eva conheceram o mundo da mesma forma: juntas
Maria Helena e Maria Eva, unidas pelo abdômen, vão passar por uma delicada cirurgia em Goiânia; família criou uma Vakinha para custear despesas que não são cobertas pelo SUS
Desde o primeiro instante de vida, Maria Helena e Maria Eva conheceram o mundo da mesma forma: juntas.
Elas nunca passaram um segundo sequer separadas.
Dormem lado a lado, compartilham o mesmo abraço desde o nascimento e, até hoje, cada descoberta aconteceu em dupla.
Nos próximos meses, porém, as duas irmãs enfrentarão o maior desafio de suas vidas. Nascidas unidas pelo abdômen, as gêmeas siamesas serão submetidas a uma cirurgia de separação em Goiânia (GO), procedimento que representa a oportunidade de que cada uma possa escrever a própria história.
Uma notícia inesperada
A descoberta aconteceu ainda no início da gestação.
Na primeira ultrassonografia, a gravidez parecia seguir normalmente.
A mãe chegou até a brincar com a médica.
— Doutora, tem certeza que é um só?
A resposta foi sim.
Dias depois, durante o exame morfológico, veio a surpresa.
Não era apenas um bebê.
Eram duas meninas.
Mais do que isso: elas estavam unidas pelo abdômen.
Foi naquele momento que a família descobriu que esperava gêmeas siamesas.
"Disseram que elas talvez nem sobrevivessem"
A alegria da descoberta logo deu lugar à preocupação.
Encaminhada para o Hospital das Clínicas, em São Paulo, a mãe iniciou um acompanhamento especializado.
Ao longo da gestação, ouviu repetidas vezes que o prognóstico era delicado.
Os médicos explicavam que havia a possibilidade de as meninas não sobreviverem ao parto ou viverem apenas poucas horas ou dias após o nascimento.
Hoje, olhando para as filhas com pouco mais de três meses de vida, ela relembra aquelas previsões com emoção.
"Durante toda a gravidez, a gente escutou que era muito difícil elas nascerem com vida. Diziam que talvez sobrevivessem só algumas horas ou alguns dias. Hoje, elas estão aqui."
Uma nova esperança
Desde que recebeu o diagnóstico, a família conhecia o trabalho do cirurgião pediátrico Zacharias Calil, referência nacional em cirurgias de separação de gêmeos siameses.
No entanto, imaginava que esse atendimento aconteceria em São Paulo.
Foi apenas depois de assistir à história de outra família nas redes sociais que a mãe decidiu entrar em contato diretamente com a equipe médica.
A iniciativa mudou completamente o rumo da história.
Após a avaliação dos exames, Maria Helena e Maria Eva receberam a confirmação de que poderão realizar a cirurgia de separação em Goiânia.
Agora, a família aguarda os próximos passos da preparação cirúrgica, incluindo a colocação dos expansores de pele, etapa necessária antes do procedimento principal.
A cirurgia é pelo SUS, a viagem, não
Todo o tratamento médico será realizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Mas a família precisará deixar o interior de São Paulo para permanecer em Goiânia durante todo o período de preparação, cirurgia e recuperação das meninas.
Despesas com viagens, hospedagem, alimentação e outras necessidades da rotina não são custeadas pelo sistema público.
Foi por isso que os pais decidiram criar uma Vakinha.
"O SUS vai fazer a cirurgia, mas precisamos de ajuda com tudo o que acontece ao redor desse momento. Qualquer contribuição faz diferença."
Um futuro que começa agora
Até aqui, Maria Helena e Maria Eva dividiram absolutamente tudo.
Em breve, pela primeira vez, elas descobrirão como é seguir caminhos diferentes.
E, para os pais, essa é justamente a maior esperança.
Com o apoio de quem acompanha essa história, elas poderão dar o primeiro passo rumo a um futuro que, durante muito tempo, parecia impossível.
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