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Fundação controversa que controlava ajuda em Gaza é extinta

24 nov 2025 - 17h10
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GHF anunciou encerramento de suas atividades 6 semanas após cessar-fogo. Entidade, apoiada pelo EUA e Israel e que tomou lugar de agências da ONU em maio, foi acusada de ser corresponsável por morte de palestinos.Criticada por supostamente gerir mal a distribuição de ajuda humanitária na Faixa de Gaza e atuar primariamente a serviço dos interesses do governo de Israel, a Fundação Humanitária de Gaza (GHF, na sigla em inglês) anunciou nesta segunda-feira (24/11) o encerramento definitivo de suas atividades no território palestino.

Críticos afirmam que modelo de gestão de ajuda humanitária  praticado pela GHF em Gaza expunha palestinos ao risco de morte
Críticos afirmam que modelo de gestão de ajuda humanitária praticado pela GHF em Gaza expunha palestinos ao risco de morte
Foto: DW / Deutsche Welle

"A GHF hoje anunciou a conclusão bem-sucedida de sua missão de emergência em Gaza, após entregar mais de 187 milhões de refeições gratuitamente a civis que vivem em Gaza", afirmou a entidade em nota.

Segundo o diretor da fundação, John Acree, a GHF passaria o bastão agora a um centro em Israel liderado pelos EUA encarregado de monitorar o cessar-fogo, que está em vigor desde 10 de outubro.

Criada com apoio dos Estados Unidos e de Israel, a GHF assumiu em maio a administração de pontos de distribuição de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, após Israel impor um cerco à região.

Na prática, a entidade tomou o lugar de agências da Organização das Nações Unidas (ONU), cuja atuação foi severamente restrita pelo governo israelense, sob o argumento de evitar o desvio de cargas de alimentos e medicamentos pelo grupo palestino Hamas.

A GHF começou administrando quatro centros em Gaza e era duramente criticada pelas agências da ONU, que até então mantinham 400 pontos de ajuda humanitária no território. A entidade teria sido "explorada para agendas militares e geopolíticas disfarçadas" , segundo alegado por um painel de especialistas da ONU em agosto.

Críticos da GHF afirmam que o modelo da fundação forçava palestinos desesperados por comida a arriscarem suas vidas para conseguir alguma ajuda, colocando-os na rota de tiro de militares israelenses .

O Escritório de Direitos Humanos da ONU afirma que centenas de palestinos teriam sido mortos assim . Já o exército israelense diz que apenas fez disparos de advertência para reagir a ameaças às tropas e evitar tumulto.

Casa Branca agradece

O Departamento de Estado dos EUA agradeceu à GHF pelo trabalho humanitário em Gaza, afirmando que ele foi decisivo para o cessar-fogo. "O modelo da GHF, em que o Hamas já não podia mais saquear e se beneficiar do roubo de ajuda humanitária, contribuiu enormemente para trazer o Hamas à mesa e conseguir um cessar-fogo", afirmou um porta-voz via X.

Já o Hamas exigiu que a GHF seja responsabilizada por danos aos palestinos. "Apelamos a todas as entidades internacionais de direitos humanos, para que garantam que ela [a GHF] não escape da responsabilização após causar a morte e machucar milhares de palestinos e acobertar a política de fome praticada pelo governo [israelense]", declarou um porta-voz via Telegram.

O Hamas, que liderou o ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel que deixou cerca de 1,2 mil mortos e desencadeou o atual conflito na Faixa de Gaza, é considerado uma organização terrorista por Estados Unidos e União Europeia, entre outros países.

ra (AP, AFP)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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