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Fruta rara no Brasil começa a ser cultivada na Bahia e pode virar novo negócio do Nordeste

A Bahia inicia cultivo de tâmaras, fruta típica do Oriente Médio, com potencial para abastecer o mercado brasileiro e transformar o semiárido em novo polo agrícola.

9 jul 2026 - 15h59
(atualizado às 16h14)
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Uma fruta tradicional do Oriente Médio, ainda pouco produzida no Brasil, começa a ganhar espaço no Nordeste e pode abrir uma nova oportunidade para o agronegócio regional. A Bahia iniciou um projeto para desenvolver o cultivo de tâmaras no semiárido, com a expectativa de criar uma cadeia produtiva capaz de atender o mercado nacional e, no futuro, conquistar consumidores internacionais.

Tamareira (Phoenix dactylifera) fruta rara no Brasil começa a ser cultivada na Bahia
Tamareira (Phoenix dactylifera) fruta rara no Brasil começa a ser cultivada na Bahia
Foto: Divulgação/Gov.br / Portal de Prefeitura

O projeto prevê a implantação de áreas experimentais com mudas da tamareira (Phoenix dactylifera), espécie adaptada a regiões de clima quente e seco. As primeiras plantas foram importadas dos Emirados Árabes Unidos e passarão por etapas de avaliação antes da expansão comercial do cultivo.

A iniciativa aposta nas características do semiárido baiano, especialmente nas regiões com alta incidência solar e baixa umidade, condições semelhantes às encontradas em grandes produtores mundiais da fruta.

Bahia aposta em nova produção agrícola no semiárido

A proposta é desenvolver o cultivo inicialmente em municípios como Juazeiro, Uauá, Casa Nova e Riachão das Neves, áreas que já possuem tradição em atividades agrícolas irrigadas.

A previsão é que as tamareiras levem cerca de três anos para iniciar a produção dos primeiros frutos. Quando atingem a maturidade, cada planta pode produzir dezenas de quilos de tâmaras por ano, tornando a cultura uma alternativa de alto valor agregado para produtores da região.

Diferentemente de outras frutas cultivadas em larga escala no Nordeste, a tâmara ainda depende quase totalmente de importações para abastecer o mercado brasileiro. Países como Emirados Árabes, Tunísia, Israel, Arábia Saudita e Egito estão entre os principais fornecedores.

Com o crescimento da demanda nacional, a produção local surge como uma possibilidade de reduzir a dependência externa e criar uma nova atividade econômica no campo.

Fruta típica do Oriente Médio ganha espaço no Brasil

A tâmara é conhecida mundialmente pelo sabor adocicado e pelo uso em diferentes receitas, especialmente na culinária árabe. Além do consumo in natura, a fruta também é utilizada na produção de doces, barras energéticas e outros produtos alimentícios.

Apesar de ser associada tradicionalmente aos desertos do Oriente Médio e do norte da África, a tamareira possui boa adaptação a regiões de clima semelhante ao semiárido brasileiro.

Estudos indicam que a planta necessita de temperaturas elevadas, muita exposição ao sol e manejo adequado da irrigação para garantir uma boa produtividade.

A Bahia, por possuir uma das maiores áreas irrigadas do país, aparece como uma região estratégica para testar a viabilidade econômica da cultura.

Projeto busca transformar tâmara em nova cadeia produtiva

Além da introdução das mudas, a iniciativa envolve transferência de tecnologia e capacitação de produtores brasileiros. A parceria com instituições dos Emirados Árabes busca trazer conhecimento acumulado por um dos maiores mercados produtores da fruta no mundo.

As primeiras mudas passam por um processo de quarentena e avaliação fitossanitária para evitar a entrada de pragas e doenças que possam comprometer outras culturas agrícolas brasileiras.

Caso os testes apresentem resultados positivos, a Bahia poderá se tornar pioneira na produção comercial de tâmaras em escala no Brasil.

Nordeste pode ganhar novo produto de exportação

O avanço do cultivo de tâmaras representa uma possibilidade de diversificação econômica para o Nordeste, especialmente em áreas do semiárido que já possuem experiência com agricultura irrigada.

A região se consolidou nas últimas décadas como grande produtora de frutas como manga, uva e melão, com forte presença no mercado internacional.

Agora, a aposta em uma fruta tradicional de outros continentes pode abrir uma nova frente de negócios, gerar empregos e ampliar as oportunidades para agricultores locais.

Com o aumento do consumo de produtos diferenciados e a busca por novas culturas agrícolas de maior valor comercial, a tâmara surge como uma alternativa que une tecnologia, adaptação climática e potencial de mercado.

Se o projeto avançar, a Bahia poderá colocar o Nordeste brasileiro em uma nova rota de produção de uma fruta que, até pouco tempo, era encontrada quase exclusivamente em mercados internacionais.

Portal de Prefeitura
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