França registra quase 800 prisões em novo fim de semana de protestos
Número é inferior ao registrado nas últimas semanas
As autoridades francesas prenderam 779 pessoas e registraram 116 policiais feridos no último fim de semana de protestos nacionais. Embora a adesão tenha caído para 320 mil manifestantes e os confrontos tenham diminuído graças à mobilização de 70 mil agentes, episódios graves de violência ocorreram, como o ataque com coquetel molotov contra policiais em Paris, investigado como tentativa de homicídio. O governo segue em alerta máximo diante de novas mobilizações convocadas para os próximos dias.
As autoridades francesas registraram 779 prisões relacionadas às manifestações nacionais realizadas neste sábado e aos eventos da noite de Halloween, informou neste domingo (01/11) o Ministério do Interior da França. O número representa uma queda em relação às 1.314 detenções registradasno fim de semana anterior e às 2.628 ocorridas em 17 de outubro, quando protestos foram marcados por episódios de violência e saques.
A participação nos atos também diminuiu. Segundo o governo francês, cerca de 320 mil pessoas participaram das manifestações em todo o país, ante 550 mil há duas semanas e 410 na semana passada.
O Ministério do Interior avaliou que os protestos transcorreram de forma relativamente tranquila, embora grupos isolados tenham protagonizado episódios de violência ao final de algumas marchas. Ao menos 116 integrantes das forças de segurança ficaram feridos, de acordo com informações divulgadas pela imprensa local.
Os protestos franceses tiveram origem no fim de setembro, quando estudantes secundaristas e universitários começaram a denunciar a deterioração das escolas e universidades públicas. Logo, o movimento passou a incorporar reivindicações relacionadas ao aumento dos preços, ao poder de compra e à qualidade dos serviços públicos. Neste fim de semana, os jovens da Geração Z também realizaram protestos naAlemanha.
Investigação de tentativa de homicídio
Um dos incidentes mais graves ocorreu em Paris, onde um coquetel molotov foi lançado contra policiais e agentes da gendarmerie no encerramento de uma manifestação na região da Porte de Charenton. A Promotoria de Paris abriu uma investigação por tentativa de homicídio contra agentes públicos. Segundo as autoridades, pelo menos um policial sofreu ferimentos leves.
Embora os distúrbios tenham sido menos generalizados do que há duas semanas, o ministro do Interior, Laurent Nunez, classificou a violência cometida por alguns indivíduos como "extraordinária". Imagens mostraram um artefato incendiário caseiro explodindo aos pés de um agente de segurança que usava equipamento de proteção, deixando a parte inferior de seu corpo em chamas.
O governo havia reforçado o aparato de segurança diante de alertas sobre possíveis atos violentos durante a noite de Halloween. Publicações em redes sociais atribuídas a grupos de extrema esquerda e outros coletivos radicalizados convocavam ações de vandalismo após os protestos.
Cerca de 70 mil policiais foram mobilizados em todo o território francês, o que as autoridades afirmam ter ajudado a evitar incidentes de maior gravidade.
Apesar da redução dos confrontos neste fim de semana, o governo se prepara para novas mobilizações nos próximos dias. Organizações estudantis e sindicatos convocaram protestos para a próxima semana, enquanto escolas secundárias retomam as aulas após o recesso de outono.
le (efe, afp)
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