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França quer impor toques de recolher em algumas regiões após fim de semana de tumultos

19 out 2026 - 10h51
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Resumo
Após um violento fim de semana de protestos e saques que deixaram quase mil policiais feridos, um morto e 2.400 detidos, o governo francês solicitou toques de recolher localizados para restaurar a ordem. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu culpou a extrema-esquerda pelos tumultos, que causaram danos a cerca de 3 mil lojas. Sob forte pressão por falhas de segurança e com a economia fragilizada a seis meses das eleições, o presidente Emmanuel Macron recusou a renúncia do ministro do Interior.

O governo central ‌da França solicitou que algumas autoridades locais impusessem toques de recolher e enfrentava pressões devido a falhas de segurança na segunda-feira, após um fim de semana de tumultos e saques decorrentes de protestos antigovernamentais em todo o país.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu não descartou a possibilidade de declarar estado de emergência, mas disse que, por enquanto, ⁠seria mais adequado aplicar toques de recolher parciais e localizados, sem fornecer detalhes sobre ‌quais cidades seriam afetadas.

"Minha determinação em restaurar a ordem é absoluta", declarou ele em uma coletiva de imprensa, descartando, no entanto, um toque de recolher generalizado em ‌Paris.

O fim de semana de saques e violência ‌entre alguns manifestantes e a polícia seguiu-se a semanas de manifestações estudantis, ⁠abalando a França seis meses antes de sua próxima eleição presidencial e destacando as pressões decorrentes de uma economia fraca e do aumento da dívida.

MINISTRO CULPA A EXTREMA-ESQUERDA

Lecornu culpou grupos de extrema-esquerda por alguns dos piores distúrbios da França nos últimos anos. "Afinal, existe um movimento de extrema-esquerda que quer causar — não podemos ser mais enfáticos — profundos ‌distúrbios no país na reta final para a eleição presidencial", disse ele.

O candidato presidencial ‌de extrema-esquerda Jean-Luc Melenchon pediu ⁠que ele apresentasse ⁠provas. "Caso contrário, ele deveria se desculpar, ficar calado e parar de atiçar a agitação", disse ele ⁠no X.

A Federação do Comércio e do ‌Varejo informou que quase 3.000 ‌lojas foram afetadas no fim de semana.

"Mais uma vez, o setor de varejo se vê na linha de frente, em um momento em que já está enfraquecido por uma sucessão de crises", afirmou.

"Por trás de cada loja saqueada estão ⁠empresários, funcionários e famílias que viram anos de trabalho e esforço serem destruídos em questão de horas", acrescentou, pedindo isenção das contribuições previdenciárias e dos impostos para as empresas afetadas.

Lecornu afirmou que o governo disponibilizaria medidas de suspensão temporária de contrato de trabalho a partir de terça-feira.

Cerca ‌de 2.400 pessoas foram presas e um manifestante morreu de parada cardíaca no sábado, enquanto quase 1.000 policiais ficaram feridos.

Os ativos franceses apresentavam desempenho inferior ao dos ⁠mercados europeus em geral nesta segunda-feira, embora os movimentos tenham sido mais contidos do que em alguns outros momentos de atrito político recente.

As tensões no governo do presidente Emmanuel Macron em relação a aparentes falhas de segurança — que surgiram justamente quando o governo precisa aprovar um projeto de lei orçamentária tão necessário para controlar suas finanças — podem inquietar ainda mais os investidores.

O gabinete de Macron informou na segunda-feira que ele havia recusado a oferta de renúncia do ministro do Interior, Laurent Nunez, dizendo-lhe, em vez disso, para pôr fim às barricadas e aos saques e ser transparente sobre o que Macron chamou de "falhas de inteligência e previsão".

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