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França proíbe entrada de mais um ministro de Israel

9 jun 2026 - 17h36
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Bezalel Smotrich é o segundo ministro de Netanyahu a ser sancionado. Medida é resposta a expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada e violência de colonos extremistas contra civis palestinos.Em retaliação à política de assentamentos de Israel na Cisjordânia, a França proibiu o ministro das Finanças de Israel, o ultradireitista Bezalel Smotrich, de viajar ao país europeu.

Ministro das Finanças de Benjamin Netanyahu, Bezalel Smotrich lidera um partido religioso de ultradireita e é responsável pela política de assentamentos de Israel na Cisjordânia
Ministro das Finanças de Benjamin Netanyahu, Bezalel Smotrich lidera um partido religioso de ultradireita e é responsável pela política de assentamentos de Israel na Cisjordânia
Foto: DW / Deutsche Welle

A decisão, anunciada nesta terça-feira (09/06) pelo ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, faz parte de um pacote de sanções impostas por França, Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Noruega. O objetivo é responsabilizar colonos extremistas pela violência contra civis palestinos.

Smotrich é responsável pela política de assentamentos de Israel. Barrot justificou a proibição de entrada dele na França argumentando que ele "promove ativamente" a anexação da Cisjordânia, a expansão dos assentamentos israelenses na região, o restabelecimento de assentamentos na Faixa de Gaza e políticas voltadas ao colapso econômico da Autoridade Palestina, que governa a Cisjordânia.

"Esta é uma política que a grande maioria da comunidade internacional, que apoia firmemente a solução de dois Estados, não pode aceitar", escreveu Barrot na rede social X.

Smotrich é o 2º ministro israelense barrado na França

Smotrich, que lidera um partido religioso de ultradireita, ordenou recentemente a remoção de uma vila palestina na Cisjordânia que há muito tempo vinha sendo alvo das autoridades israelenses.

Ele é o segundo ministro israelense proibido de entrar na França. Em 23 de maio, o governo francês aplicou a mesma sanção ao ministro israelense de Segurança Nacional, Itamar Ben‑Gvir, citando seu comportamento "inadmissível" contra ativistas de uma flotilha rumo a Gaza que foram detidos por forças sob seu comando.

Ben Gvir e Smotrich fazem parte da coalizão de direita do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Outros países já haviam proibido a entrada dos dois ministros.

Além de Smotrich, a proibição de entrada na França também se aplica a quatro líderes de organizações de colonos e a 21 colonos violentos.

Na declaração conjunta divulgada nesta terça, os seis países afirmam que colonos extremistas violentos — apoiados por simpatizantes — continuam a realizar ataques contra palestinos, expulsando-os, destruindo suas propriedades e expandindo assentamentos ilegais. Isso, argumentam, compromete a viabilidade de um Estado palestino e as perspectivas de coexistência pacífica.

"Por muito tempo, colonos violentos puderam agir quase com impunidade, e a expansão e criação de postos avançado continua, com o apoio e a facilitação do governo de Israel", afirmam.

Israel acusa países de incentivar o antissemitismo

O Ministério do Exterior de Israel rejeitou firmemente as novas sanções, classificando-as como medidas que alimentam ainda mais o antissemitismo nos países sancionadores.

Para Tel Aviv, as medidas são uma tentativa de impor uma posição política sobre o conflito israelo-palestino e sobre o direito dos judeus de se estabelecerem na Terra de Israel.

As sanções foram anunciadas no mesmo dia em que um relatório da ONU apontou o envolvimento direto de autoridades israelenses em ataques de colonos que mataram, feriram e deslocaram palestinos na Cisjordânia ocupada. O inquérito também acusou as forças de segurança de Israel de darem cobertura para esses atos.

A Cisjordânia, que está sob ocupação israelense desde 1967, é um território reivindicado pelos palestinos para a criação de um futuro Estado. Ainda assim, mais de 700 mil colonos vivem ali e em Jerusalém Oriental, o que tem gerado conflitos violentos, especialmente desde a eclosão da guerra em Gaza, em outubro de 2023.

A maioria dos países e a principal corte da ONU consideram esses assentamentos uma violação do direito internacional, o que Israel contesta citando vínculos históricos e bíblicos com a terra.

ra (dpa, AP, AFP)

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