Script = https://s1.trrsf.com/update-1786557910/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Formação médica exige um debate à altura do Brasil

A formação médica brasileira certamente pode e deve ser aprimorada. Problemas precisam ser identificados e corrigidos com seriedade

29 ago 2026 - 20h25
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
O debate sobre a formação médica no Brasil deve superar a desqualificação do setor privado para focar no que é essencial. O verdadeiro desafio consiste em aliar a qualidade do ensino médico a políticas públicas que garantam a fixação de profissionais no interior e em áreas vulneráveis. Mais do que discutir a quantidade de vagas, o país precisa combater os vazios assistenciais e assegurar que a população tenha acesso a um atendimento qualificado onde ele for mais necessário.

A formação médica ganhou espaço no debate eleitoral, e isso é positivo. O Brasil precisa discutir que médicos quer formar, como garantir a qualidade desse processo e como superar as profundas desigualdades territoriais de acesso à saúde. O que não ajuda é simplificar e generalizar uma questão tão complexa.

A formação médica brasileira certamente pode e deve ser aprimorada
A formação médica brasileira certamente pode e deve ser aprimorada
Foto: Canva / Perfil Brasil

Questionar a qualidade dos cursos é legítimo. Cobrar rigor também. O compromisso com uma boa formação precisa estar acima de qualquer interesse, seja em uma instituição pública ou particular. Mas reconhecer problemas e buscar soluções é muito diferente de desqualificar, de forma ampla, o trabalho realizado pelo setor privado.

A formação médica brasileira

As instituições particulares de educação superior têm papel essencial na formação de médicos e de outros profissionais de saúde que atendem a população em todas as regiões do Brasil. Por trás de cada curso existem professores, estudantes, hospitais, unidades de saúde e milhares de pessoas envolvidas nessa extensa jornada.

Reconhecer essa relevância não significa defender curso ruim nem uma expansão sem critérios. Significa compreender que o desafio brasileiro é maior do que simplesmente discutir se devem existir mais ou menos faculdades de Medicina.

O país ampliou o número de médicos nas últimas décadas, mas ainda convive com importantes vazios assistenciais e uma distribuição muito desigual desses profissionais. Grandes centros concentram médicos, especialistas e estruturas de saúde, enquanto municípios do interior e regiões mais vulneráveis enfrentam dificuldades para oferecer atendimento básico à população.

É nessa realidade que o debate ganha outra dimensão. Para uma mãe que espera meses por uma consulta para o filho, para uma pessoa idosa que precisa viajar para encontrar um especialista ou para a oferta de atenção primária à saúde em uma cidade distante dos grandes centros, o debate não é sobre educação pública ou particular. É sobre ter acesso a um profissional qualificado quando se precisa dele.

Por isso, a pergunta que deveríamos fazer é: como formar médicos cada vez melhores e, ao mesmo tempo, fazer com que eles cheguem aos lugares onde são mais necessários?

Responder a essa questão exige olhar para a qualidade da graduação, para a formação prática, para a residência médica, mas também para políticas públicas capazes de estimular a permanência desses profissionais fora dos grandes centros urbanos.

Em uma campanha presidencial, candidatos têm todo o direito de questionar modelos, apontar problemas e defender caminhos diferentes. Esse é o papel do debate democrático. Mas temas que afetam diretamente a vida das pessoas exigem uma contestação responsável e propostas à altura da sua complexidade.

A formação médica brasileira certamente pode e deve ser aprimorada. Problemas precisam ser identificados e corrigidos com seriedade. O que não podemos permitir é que generalizações apaguem o trabalho de instituições, professores, profissionais de saúde e estudantes comprometidos com uma formação de qualidade.

Afinal, o país possui um desafio bastante concreto: formar médicos cada vez melhores e fazer com que eles se estabeleçam onde os brasileiros mais precisam deles. É essa a discussão que precisa ganhar espaço no debate eleitoral.

*Janguiê Diniz é diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES); secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular; fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional; presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

Perfil Brasil
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra