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Extrema direita une forças para eleições europeias

25 abr 2019
14h48
atualizado às 16h48
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Líderes de partidos populistas de direita europeus reúnem-se em Praga. Aliança eurocética busca formar forte bloco parlamentar nas eleições europeias no próximo mês.Numa demonstração de união, líderes de partidos europeus de extrema direita reuniram-se em Praga nesta quinta-feira (25/04). Após forte ascensão dos movimentos contrários à União Europeia (UE) em várias partes do bloco comunitário, populistas de direita esperam alcançar no um sucesso sem precedentes nas eleições europeias do mês que vem.

Marine Le Pen, Tomio Okamura e Geert Wilders durante encontro de partidos anti-imigração em dezembro de 2017
Marine Le Pen, Tomio Okamura e Geert Wilders durante encontro de partidos anti-imigração em dezembro de 2017
Foto: DW / Deutsche Welle

A francesa Marine Le Pen, do Rassemblement National (Agrupamento Nacional), da França e o holandês Geert Wilders, líder do Partido para a Liberdade (PVV), estão entre os palestrantes, enquanto o mandatário da Liga e ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, contribuiu com o envio de uma mensagem em vídeo.

No comício, Le Pen defendeu a união da extrema direita e afirmou que pela primeira vez o "movimento democrático de patriotas" possibilita uma reforma na conjuntura do bloco.

"O que vemos aqui é o nascimento de uma nova harmonia europeia com partidos nacionalistas europeus unidos para oferecer a 500 milhões de europeus um no quadro de cooperação, um novo projeto e um novo impulso para o futuro", disse a política francesa ao lado de Wilders.

"A imigração deve ser travada e a ideologia islamita deve ser erradicada", insistiu Le Pen, acusando a União Europeia de supostamente "financiar uma imigração em massa, organizada e desejada".

Numa coletiva de imprensa antes do comício, tanto Le Pen quanto Wilders defenderam posturas eurocéticas. A francesa alegou que a UE não pode ser baseada "numa ideologia imposta à força" e afirmou que o globalismo e o islamismo são ameaças.

"Todos querem mais União Europeia, o que é negativo, pois isso significa menos Estados-nação", ressaltou Wilders, defendendo a criação de leis para impedir a imigração de muçulmanos no bloco.

Uma banda tcheca de extrema direita abriu o evento na praça central de Wenceslas, em Praga, que teve como anfitrião Tomio Okamura, parlamentar tcheco que dirige o partido Liberdade e Democracia Direta (SPD).

"Na quinta-feira, o SPD lançará oficialmente a campanha eleitoral da UE. Queremos mostrar que não estamos sozinhos", disse Okamura. "Pesquisas mostram que a Aliança Europeia de Pessoas e Nações [EAPN], liderada por Matteo Salvini, Marine Le Pen, pelo Partido da Liberdade da Áustria [FPÖ] e outros, tem a chance de formar um dos grupos mais fortes do Parlamento Europeu."

Partidos e agrupamentos participantes da aliança eurocética, que incluem a Alternativa para a Alemanha (AfD) e o Partido do Povo Dinamarquês, compartilham políticas contrárias a migrantes e promovem a soberania nacional e as liberdades individuais.

O SPD, que nunca participou das eleições legislativas na União Europeia e, portanto, não possui parlamentares em Estrasburgo, defende o Czexit, a saída da República Tcheca da UE, assim como o PVV de Wilders apoia um Nexit, a saída da Holanda do bloco comunitário.

Os partidos eurocéticos receberam um impulso adicional há uma semana, quando o Partido dos Verdadeiros Finlandeses alcançou o segundo lugar nas eleições gerais da Finlândia.

Salvini, que visitou Okamura em Praga no início deste mês, recentemente convocou partidos nacionalistas espalhados pelo Parlamento Europeu para unir forças e formar uma nova aliança. Ele disse que espera que o novo bloco seja o maior do parlamento de 751 assentos, após a votação marcada para 23 a 26 de maio.

"Esses partidos chegarão lá, serão fortes, terão bons resultados nas eleições, especialmente na Itália", disse o analista político tcheco Jan Kubacek. "Mas o problema com todos esses grupos é que eles não podem realmente cooperar, pois estão muito focados em seus interesses nacionais."

Se a aliança, de fato, sair do papel após a eleição europeia, um líder terá de ser escolhido - e Le Pen e Salvini estão de olho no cargo.

"Le Pen será muito ativa no Parlamento Europeu. Ela não pode realmente mostrar seu melhor na política francesa, então ela usa o parlamento como sua segunda plataforma", disse Kubacek.

Salvini convocou uma grande reunião dos partidos anti-EU para Milão em 18 de maio, com a participação de Le Pen e Okamura.

"A reunião deve ser uma demonstração pan-europeia da capacidade das nações europeias de cooperar sem um mandado de Bruxelas, apenas com base em acordos mútuos", disse Okamura.

Le Pen, Wilder e Okamura já haviam se encontrado em Praga em dezembro de 2017 para comemorar a conquista de 22 assentos do SPD no Parlamento Tcheco naquele ano. O partido ganhou pontos com os eleitores com uma campanha anti-imigração - embora muitos migrantes tenham desprezado a República Tcheca em troca de países mais ricos, como a Alemanha - e com discurso contrário ao islã, lema-chave também para as eleições europeias.

PV/afp/ots

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