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Expansão da cannabis expõe falta de formação técnica no BR

O avanço do uso medicinal da cannabis no Brasil, que já alcança centenas de milhares de pacientes e pode chegar a milhões nos próximos anos, segundo estimativas da Kaya Mind, está pressionando um gargalo estrutural ainda pouco discutido: a ausência de formação técnica formal para profissionais da cadeia produtiva.

23 jun 2026 - 12h50
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O crescimento do uso medicinal da cannabis no Brasil, que já soma centenas de milhares de pacientes e pode atingir milhões nos próximos anos, segundo estimativas da consultoria Kaya Mind, tem exposto uma lacuna estrutural no setor: a ausência de formação técnica formal para profissionais que atuam na cadeia produtiva.

Foto: Socios da Accura Ensina / DINO

As projeções indicam cerca de 873 mil pacientes em tratamento em 2025, com potencial de expansão para até 6,9 milhões de pessoas. O mercado associado ao segmento pode alcançar aproximadamente R$ 9,5 bilhões, caso haja consolidação regulatória e ampliação do acesso.

Apesar da expansão da demanda, o país ainda não possui um sistema estruturado de formação técnica voltado especificamente à cannabis medicinal. Atividades como cultivo, processamento, extração, controle de qualidade e desenvolvimento de derivados não contam com padronização educacional oficial ou currículo técnico consolidado.

Na prática, a capacitação de profissionais ocorre de forma descentralizada, por meio de associações de pacientes, iniciativas privadas e experiências práticas acumuladas, sem integração com universidades, institutos federais ou políticas públicas de formação profissional.

Esse cenário tem impulsionado o surgimento de iniciativas educacionais privadas voltadas ao setor, que passam a ocupar uma lacuna ainda não atendida pelo poder público.

Em São Paulo, a ACCURA, associação voltada ao apoio de pacientes em uso de cannabis medicinal, passou a estruturar a ACCURA ENSINA, um braço educacional com cursos presenciais voltados a cultivo, manejo de solo, agricultura natural e extração de cannabis medicinal.

A iniciativa surge em meio à expansão do mercado e à necessidade crescente de profissionalização da cadeia produtiva, especialmente em um ambiente regulatório ainda em desenvolvimento.

A fundadora da ACCURA, Paula Cardoso Zomignani, iniciou sua trajetória no setor a partir de uma demanda familiar relacionada ao uso terapêutico da cannabis. Em entrevista à revista Forbes, afirmou que o avanço do setor depende da ampliação do acesso ao conhecimento.

"A próxima etapa da cannabis medicinal no Brasil não é apenas o acesso ao produto, mas o acesso ao conhecimento", disse.

Segundo a mesma publicação, a associação movimenta cerca de R$ 1,2 milhão por ano, atuando de forma híbrida entre atendimento a pacientes, desenvolvimento de metodologias próprias e formação técnica.

A ACCURA ENSINA estruturou uma agenda de cursos presenciais para 2026:

25 e 26 de julho - Manejo de solo, com Maneco Zago

29 e 30 de agosto - Extração de cannabis medicinal, com Felipe de Castro

19 e 20 de setembro - Manejo de matrizes e reprodução de clones, com Just a Nother Grower

14 e 15 de novembro - Agricultura natural e biorremediação, com Lucas Arruda

5 e 6 de dezembro - Extrações sem solventes, com Bob (Tiago Haus) e Bubble Farmer

Além das formações, a escola também oferece visitas técnicas agendadas com duração aproximada de três horas, permitindo que interessados conheçam a estrutura de cultivo e os processos educacionais e produtivos da associação.

A ACCURA afirma que a iniciativa está aberta a investimentos públicos e privados, com o objetivo de ampliar a capacidade de formação e estruturar expansão nacional. A proposta é atender à demanda crescente por profissionais qualificados em um mercado que tende a se expandir com o aumento do número de pacientes e a evolução do marco regulatório.

Especialistas do setor apontam que a falta de mão de obra qualificada pode se tornar um dos principais limitadores da expansão da cannabis medicinal no Brasil, especialmente em áreas que exigem padronização técnica, rastreabilidade e controle de qualidade.

Nesse contexto, iniciativas educacionais privadas começam a ocupar um espaço que ainda não foi estruturado por políticas públicas de formação técnica, acompanhando um setor em crescimento acelerado, mas ainda em fase de consolidação institucional.

Website: https://accura.org.br

DINO Este é um conteúdo comercial divulgado pela empresa Dino e não é de responsabilidade do Terra
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