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Exames do cérebro fornecem a primeira evidência de que cães conseguem distinguir entre medo e tristeza em humanos

Você acha que seu cão consegue perceber quando você está com raiva, em vez de triste? Uma nova pesquisa sobre o cérebro dos cães sugere que a resposta pode ser mais complicada do que você imagina

17 ago 2026 - 09h29
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Estudo é a primeira prova de conceito baseada em ressonância magnética de que os cachorros são capazes de distinguir entre duas expressões faciais humanas de emoções negativas distintas, indo além de uma simples divisão de valência (boa/ruim). Lemon Photos/Getty Images
Estudo é a primeira prova de conceito baseada em ressonância magnética de que os cachorros são capazes de distinguir entre duas expressões faciais humanas de emoções negativas distintas, indo além de uma simples divisão de valência (boa/ruim). Lemon Photos/Getty Images
Foto: The Conversation

O que faz com que um cão se afaste de uma pessoa mal-humorada, enquanto se aproxima discretamente e se encosta a alguém que está chorando? Todos nós já vimos isso — eles conseguem reagir aos nossos sentimentos. E a ciência também confirma que os cães têm emoções.

Essas habilidades sociais podem ser a base do sucesso dos cães em conviver conosco. Mas você acha que seu cão conseguiria distinguir o rosto de uma pessoa zangada do de alguém triste ou com medo?

Uma nova pesquisa publicada na revista científica iScience explorou essa questão e fez descobertas interessantes a partir de exames de ressonância magnética (RM) do cérebro de cães.

Exames de imagem do cérebro dos cães

Os cães são sensíveis aos rostos humanos. Eles olham por mais tempo em resposta às nossas expressões e sons emocionais em comparação com reações neutras.

Os cientistas, no entanto, não tinham certeza se os cães estavam apenas diferenciando "bom humor" (felicidade) de "mau humor" (raiva, medo ou tristeza) ou se tratavam essas expressões como indicadores genuínos de diferentes emoções.

O novo estudo, conduzido por Raúl Hernández-Pérez, neurocientista da Universidade de Viena, e seus colegas, explorou essa lacuna usando ressonância magnética para examinar os cérebros de cães de estimação enquanto eles observavam fotos de rostos humanos.

Com base em seu trabalho anterior, os pesquisadores encontraram evidências de que os cães realmente processam imagens de nossas distintas expressões emocionais de maneira diferente.

Os pesquisadores utilizaram aprendizado de máquina e demonstraram que, ao analisar o cérebro de um cão como um todo, uma região cerebral diferente era ativada para distinguir entre medo e tristeza (o giro suprasilviano rostral direito, para ser mais preciso) do que entre medo e raiva (essa ativação ocorria no giro ectosilviano médio direito e no giro esplênio esquerdo).

A análise não detectou diferença nas áreas cerebrais ativadas quando os cães viam imagens de raiva e tristeza humanas. O medo se destacou das outras emoções negativas.

Isso levanta a questão: por quê?

Pode ser que o medo e a raiva simplesmente chamem mais a atenção do que a tristeza.

Outra pesquisa descobriu que os cães reagem ao medo e à raiva mais rapidamente e com uma resposta física mais intensa, como o aumento da frequência cardíaca. Isso provavelmente ocorre porque essas são as expressões mais propensas a exigir uma resposta rápida dos cães para que se mantenham seguros.

A tristeza tem menos chances de representar uma ameaça direta para os cães que vivem com pessoas. Por isso, eles sentem menos urgência em reagir a ela. Sabemos que alguns cães não reagem com o comportamento heroico da Lassie tanto o quanto gostaríamos de ver quando estamos em perigo.

Embora o número de participantes nesta nova pesquisa tenha sido pequeno (oito e doze cães nas duas partes do estudo), esta é a primeira evidência em uma prova de conceito baseada em ressonância magnética de que o cérebro dos cães é capaz de distinguir entre duas expressões faciais humanas de emoções negativas distintas. Isso indica que a representação neural que os cães fazem de nossas emoções vai além de uma simples divisão de valência (boa/ruim).

Isso nos mostra que a percepção da emoção nos outros (mesmo entre espécies diferentes) não é processada por um único "centro emocional" no cérebro — seja em cães, em humanos ou em outras espécies animais. Ela está distribuída por uma rede de regiões que trabalham juntas como parte da vida social.

Um cão preto e branco dentro de uma unidade de exames médicos.
Um cão preto e branco dentro de uma unidade de exames médicos.
Foto: The Conversation
Cão treinado para permanecer imóvel durante um exame de ressonância magnética funcional (fMRI).Laura V Cuaya, CC BY-NC

Um resultado sensacional

Os autores deste estudo destacam que o uso de imagens estáticas de seres humanos é uma forma muito centrada nas pessoas de explorar como os cães interpretam nossos estados emocionais.

Sabemos que os cães vivem em mundos sensoriais ricos onde o cheiro e o som da nossa fala também transmitem emoções, moldando a forma como os cães respondem a nós.

Na verdade, até lobos que cresceram perto de pessoas apresentam o mesmo tipo de resposta que os cães ao odor do medo humano. Isso destaca o importante papel da aprendizagem, em contraste com as diferenças evolutivas nos corpos dos canídeos ou na forma como eles reagem às pessoas. Os cães (e os lobos) estão aprendendo sobre nós a cada interação que temos com eles.

Os cães são hábeis em observar, cheirar e ouvir nossas emoções, aprendendo como esses sinais preveem nossos comportamentos em relação a eles e usando essas informações para conviver harmoniosamente com as pessoas.

Retribuir o favor, aprender mais sobre como os cães expressam suas emoções parece ser o mínimo que podemos fazer.

The Conversation
The Conversation
Foto: The Conversation

Mia Cobb recebe financiamento da The Chaser Initiative e da University of Melbourne.

The Conversation Este artigo foi publicado no The Conversation Brasil e reproduzido aqui sob a licença Creative Commons
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