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EUA acusam Maduro e esposa de tortura a opositores

8 out 2026 - 19h07
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Resumo
Promotores dos Estados Unidos apresentaram novas acusações contra o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, responsabilizando-os diretamente por atos de tortura contra opositores e cidadãos americanos para se manterem no poder. Preso em Nova York desde janeiro, onde já responde por narcotráfico, o casal nega as violações. Enquanto aguardam julgamento, a defesa de Flores tenta convertê-la para prisão domiciliar por razões de saúde, pedido rejeitado pela promotoria.

Nova denúncia apresentada por promotores americanos atribui ao ex-presidente violações de direitos humanos para reprimir adversários políticos e manter o controle do poder.Promotores dos Estados Unidos anunciaram novas acusações contra o ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, alegando que ambos participaram de uma conspiração para torturar opositores políticos e cidadãos americanos.

Esta é a primeira acusação formal que vincula Maduro a possíveis casos de tortura
Esta é a primeira acusação formal que vincula Maduro a possíveis casos de tortura
Foto: DW / Deutsche Welle

As novas acusações se somam aos processos anteriores por tráfico de drogas que já tramitam contra o casal, segundo uma denúncia revisada divulgada nesta quinta-feira. Maduro e Flores negam as acusações.

Segundo a versão revisada da acusação, o casal teria cometido violações de direitos humanos como parte de uma estratégia para se manter no poder.

As relações entre Washington e a Venezuela, país rico em petróleo e governado pelo chavismo, foram marcadas por tensão ao longo dos 13 anos de Maduro no comando do país.

Organizações de direitos humanos acusam há anos autoridades venezuelanas de torturar detidos. A denúncia apresentada nesta quinta-feira, porém, marca a primeira vez em que Maduro é diretamente responsabilizado por essas alegações em um processo nos Estados Unidos.

De acordo com o documento, ele teria autorizado o uso de tortura contra indivíduos específicos e supervisionado um sistema baseado em tortura, detenções arbitrárias e violência para reprimir a oposição política.

As acusações incluem supostos episódios de choques elétricos, espancamentos e asfixia.

Defesa de Flores pede prisão domiciliar

Cilia Flores, de 69 anos, deve comparecer nesta quinta-feira a um tribunal federal em Manhattan para solicitar sua transferência da prisão para o regime de prisão domiciliar, alegando problemas de saúde.

Segundo seus advogados, ela perdeu cerca de 11,4 quilos desde que foi detida, sofre de tonturas e falta de ar e pode ter sofrido um infarto leve em julho.

A defesa propôs que ela cumpra prisão domiciliar em uma residência em Nova York sob vigilância permanente.

Os promotores se opõem ao pedido. Segundo eles, Flores representa um "risco extremo de fuga e perigo para a sociedade" caso seja libertada. A acusação afirma ainda que ela recebeu atendimento hospitalar sempre que necessário durante a detenção.

Trump exalta operação contra Maduro

Maduro, de 63 anos, e Flores estão detidos em um centro federal no Brooklyn enquanto aguardam julgamento previsto para junho do próximo ano.

O casal foi capturado durante uma operação realizada na madrugada de 3 de janeiro em sua residência em Caracas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou a ação como uma "operação cirúrgica de aplicação da lei".

Após a captura, Maduro e Flores foram levados para Nova York, onde também respondem a acusações relacionadas a tráfico de drogas e armas. Maduro sustenta sua inocência. Ele afirma ser um prisioneiro de guerra e classifica sua captura como um sequestro.

gq (DW, AFP, Reuters)

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