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Estudos indicam avanço de casos de câncer entre pessoas com menos de 50 anos

12 out 2026 - 07h22
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Resumo
Estudos globais revelam um avanço nos diagnósticos de câncer em pessoas com menos de 50 anos nas últimas duas décadas, com destaque para o câncer colorretal. Fatores como aumento da obesidade, sedentarismo e maior conscientização diagnóstica impulsionam os números, que crescem também na América Latina. Embora o câncer em jovens permaneça estatisticamente raro, especialistas recomendam dietas ricas em fibras, redução de carnes processadas e atividade física para prevenção.

Diagnósticos de alguns tipos de câncer entre a população com menos de 50 anos aumentaram nos últimos anos, principalmente o de intestino.Nos últimos 20 anos, os casos de câncer têm crescido em todo o mundo. O diagnóstico aumentou principalmente entre a população mais jovem. O câncer colorretal, ou de intestino, foi um dos que mais avançou. Em 2001, cerca de uma em cada 26 mil pessoas com menos de 50 anos na Inglaterra recebeu esse diagnóstico. Em 2023, essa taxa passou para cerca de uma em cada 12 mil pessoas, o dobro do registrado duas décadas atrás.

Esses dados são do Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer (WCRF, na sigla em inglês), uma rede internacional de organizações beneficentes que analisou registros da Inglaterra, dos Estados Unidos e da Holanda. A entidade constatou que o número de novos casos aumentou para sete tipos de câncer apenas na Inglaterra.

Ainda não está claro, porém, se houve um aumento dos casos reais ou se mais casos foram identificados em estágio inicial devido à maior conscientização, ao diagnóstico mais precoce e ao tratamento nos hospitais.

E, apesar do crescimento, o número total de casos ainda é pequeno, como pontua Amy Berrington de Gonzalez, professora de epidemiologia clínica do Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres. "O câncer ainda é muito incomum entre os jovens. Três vezes um número pequeno continua sendo um número pequeno."

Taxas de câncer de início precoce crescem na América Latina

Um estudo de 2025 analisou dados de registros de 50 países e territórios até 2017. Os pesquisadores constataram aumento dos casos de câncer colorretal de início precoce em 27 dessas regiões. Na América Latina, as taxas cresceram no Chile, na Argentina, no Equador, na Costa Rica e em Porto Rico. O aumento observado no Chile, de quase 4% ao ano, esteve entre os mais elevados.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil entre 2026 e 2028, com destaque para os de colo do útero e o colorretal, tipos com grande potencial de prevenção e detecção precoce.

Marc Gunter, professor de epidemiologia do câncer no Imperial College London, aponta como possíveis causas do avanço da doença mudanças no padrão de alimentação na América Latina, cada vez mais baseado em alimentos ultraprocessados, e no estilo de vida, mais sedentário.

Os seis tipos de câncer que mais afetam jovens adultos

Em outro estudo, publicado em 2025, envolvendo 42 países, Berrington de Gonzalez comparou dados de dois grupos etários, de 20 a 49 anos e de 50 anos ou mais, entre 2003 e 2017.

Seis tipos de câncer - de tireoide, mama, colorretal, rim, útero e leucemia - apresentaram aumento entre os grupos mais jovens na maioria dos países. Todos, com exceção do câncer colorretal, também registraram crescimento entre os adultos mais velhos.

Na verdade, o câncer colorretal se destacou. Em cerca de um terço dos países analisados, ele aumentou mais rapidamente entre os adultos jovens do que entre os mais velhos. "É o único câncer que parece estar aumentando entre os jovens enquanto diminui entre as pessoas mais velhas", disse Berrington de Gonzalez.

Isso tem consequências para a pesquisa científica. Se os casos de câncer estão aumentando em todas as faixas etárias, é provável que as causas sejam amplamente disseminadas. Assim, estudos focados apenas em jovens correm o risco de buscar explicações complexas sem dispor de dados suficientes para testá-las, afirmou a pesquisadora.

Maior conscientização pode explicar aumento de diagnósticos

Um estudo americano sobre câncer de pâncreas em pessoas de 15 a 39 anos constatou que o crescimento ocorreu quase exclusivamente em tumores diagnosticados em estágio inicial.As taxas de mortalidade permaneceram inalteradas.

Isso sugere que, em vez de um aumento do número de casos de câncer, houve um aumento no número de diagnósticos precoces. E isso pode ser explicado por uma maior conscientização da população, levando mais pessoas a fazer exames.

Os dados sobre o câncer colorretal, porém, parecem diferentes: alguns estudos americanos mostram aumento também nos estágios avançados da doença, o que sugere um crescimento real do número de casos, e não apenas dos diagnósticos.

Relação entre câncer e obesidade

A obesidade é uma causa comprovada de pelo menos 13 tipos de câncer, segundo a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC), da Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com uma revisão de estudos publicada em 2021, jovens adultos com obesidade tinham quase o dobro de probabilidade de desenvolver câncer colorretal antes dos 50 anos.

A obesidade também foi a condição que mais rapidamente se disseminou entre os jovens. A OMS informa que as taxas de obesidade dobraram entre os adultos desde os anos 1990 e quadruplicaram entre os adolescentes.

Além disso, a alimentação faz diferença. Carnes processadas são classificadas como cancerígenas. O consumo de álcool também é um fator de risco. Já uma dieta rica em fibras (presentes em vegetais, grãos integrais e leguminosas) reduz o risco de câncer.

Alguns pesquisadores também afirmam que alimentos ultraprocessados e microplásticos causam câncer. Mas Gunter disse que as evidências ainda são inconclusivas. "Há muito exagero em torno do tema", afirmou Gunter, acrescentando que são necessárias mais pesquisas. Berrington de Gonzalez concorda: "As dietas mudaram, mas ainda não sabemos qual papel isso pode desempenhar".

Como jovens podem reduzir risco de câncer

Gunter afirmou que as pessoas não devem ser culpadas por viverem em sociedades estruturadas em torno de alimentos práticos e do trabalho sedentário, e que mudanças duradouras dependem de políticas públicas de saúde.

Mas ele também disse que os jovens podem reduzir o risco de câncer mantendo um peso saudável, praticando mais atividade física, consumindo mais fibras e reduzindo o consumo de carnes processadas. "Fazer uma caminhada, ser fisicamente mais ativo, comer mais frutas e verduras. Talvez essas coisas não estejam tão na moda, mas são realmente importantes."

Para uma pessoa de 30 anos lendo esta reportagem, a mensagem de Berrington de Gonzalez é tranquilizadora: o câncer entre jovens continua sendo relativamente raro.

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