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Estudo revela como substância de cogumelos alucinógenos "reprograma" conexões cerebrais

Entenda as descobertas científicas recentes sobre a neuroplasticidade e os efeitos psicológicos duradouros provocados por compostos psicodélicos

8 mai 2026 - 05h51
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Uma única dose de psilocibina, substância encontrada em cogumelos alucinógenos, é capaz de provocar mudanças mensuráveis na estrutura e no funcionamento do cérebro por até 30 dias. O estudo, publicado na prestigiada revista Nature Communications, revelou que o composto promove um aumento na flexibilidade cognitiva e no bem-estar geral em participantes saudáveis. A pesquisa foi conduzida pelo Imperial College London e acompanhou 28 adultos que nunca haviam tido experiências anteriores com psicodélicos. De acordo com informações do portal g1, os resultados reforçam a tese de que essas substâncias podem atuar na plasticidade cerebral de forma muito mais profunda do que se imaginava anteriormente.

Durante os testes, os voluntários receberam doses distintas com intervalo de um mês
Durante os testes, os voluntários receberam doses distintas com intervalo de um mês
Foto: Canva Fotos / Perfil Brasil

Durante os testes, os voluntários receberam doses distintas dos cogumelos com intervalo de um mês, sendo uma dose de controle e outra de 25 mg. A experiência de alta dosagem foi classificada por 94% dos participantes como o estado de consciência mais incomum de suas vidas. O uso da técnica de imagem por tensor de difusão permitiu aos cientistas mapear fibras cerebrais mais compactas após o uso da substância. Essa mudança ocorreu em tratos que ligam o córtex pré-frontal a estruturas responsáveis pelo controle emocional e tomada de decisão. O pesquisador Robin Carhart-Harris, líder do estudo, utilizou eletroencefalogramas para monitorar o que a ciência chama de entropia cerebral, que permite ao cérebro sair de estados rígidos e repetitivos para formas mais fluidas de pensar.

A descoberta possui implicações diretas para o tratamento de transtornos mentais, como a depressão. O professor de psiquiatria Eduard Vieta, da Universidade de Barcelona, destaca que a longa duração dos efeitos dos cogumelos explica por que a psilocibina apresenta benefícios antidepressivos sem a necessidade de ingestão diária. "O presente estudo multimodal de neuroimagem em participantes saudáveis lança luz sobre os efeitos cerebrais do uso pela primeira vez de psilocibina em dose alta", escreveram os autores. Além da parte física, o bem-estar psicológico dos participantes subiu quase seis pontos em escalas validadas apenas duas semanas após a experiência.

Apesar do entusiasmo, especialistas como a doutora em farmacologia Elisabet Domínguez Clavé pregam cautela na interpretação dos dados. Ela ressalta que a amostra de participantes é pequena e homogênea, o que impede a generalização imediata para pacientes com patologias graves. Além disso, as medidas de bem-estar são subjetivas e o estudo foi realizado em um ambiente altamente controlado. Mesmo com essas limitações, a pesquisa é considerada um marco por reunir dados de imagem funcional e estrutural em pessoas sem exposição prévia à droga. O próximo desafio da neurociência é transformar essas evidências de neuroplasticidade em aplicações clínicas seguras e devidamente regulamentadas para a população.

Perfil Brasil
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