Estudo da Univasf revela novos registros de ave ameaçada de extinção na Caatinga
Pesquisa reúne 13 anos de monitoramento e identifica pressões sobre os ambientes onde vive o arapaçu-do-nordeste.
Pesquisadores da Univasf registraram 17 novas ocorrências do arapaçu-do-nordeste em áreas da Caatinga em Pernambuco e no Ceará, após mais de uma década de expedições monitoradas pelo Cemafauna. A ave, típica de matas secas bem preservadas, é considerada vulnerável à extinção e sofre com desmatamento, queimadas e produção ilegal de carvão. Publicado na revista Check List, o estudo mapeia a distribuição da espécie para orientar futuras estratégias e políticas públicas de conservação ambiental.
Após 358 expedições realizadas entre 2012 e 2025, pesquisadores da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) reuniram 17 novos registros de ocorrência do arapaçu-do-nordeste, ave ameaçada associada a florestas secas bem conservadas da Caatinga. O levantamento amplia o conhecimento sobre os locais onde a espécie permanece e pode orientar ações de conservação.
O trabalho foi desenvolvido pelo Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna) e publicado na revista científica internacional Check List. A pesquisa é assinada por Paulo de Tarso Sambugaro Santos, Tarcísio Dourado Santos, Patricia Avello Nicola e Luiz Cezar Machado Pereira.
Nas 39 unidades amostrais acompanhadas, a ave foi detectada em apenas quatro. Três delas apresentaram novas ocorrências. Os 17 registros correspondem a observações em diferentes locais e momentos, e não à descoberta de 17 espécies ou de 17 novas populações.
Registros incluem áreas de Pernambuco
O artigo apresenta registros fotográficos em Custódia, no Sertão pernambucano, nas localidades de Malhadinhas e Samambaia, esta última no distrito de Maravilha. Também há documentação da espécie em Mauriti, no Ceará.
Para acompanhar a avifauna, os pesquisadores combinaram diferentes métodos, como contagens em pontos determinados, percursos de observação e redes de neblina. O monitoramento prolongado permitiu reunir informações sobre a presença da ave e as condições dos ambientes utilizados por ela.
Segundo Paulo de Tarso Sambugaro Santos, identificar novas ocorrências ajuda a compreender quais áreas são importantes para a permanência da espécie e quais pressões precisam ser consideradas nas estratégias de proteção.
Desmatamento e produção de carvão ameaçam habitat
Durante o trabalho de campo, a equipe registrou retirada seletiva de madeira, produção ilegal de carvão, supressão da vegetação, uso do fogo e pecuária extensiva nos ambientes onde a ave ocorre.
O arapaçu-do-nordeste, de nome científico Xiphocolaptes falcirostris, está classificado como vulnerável na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A avaliação aponta tendência de redução populacional e relaciona o declínio à destruição de florestas secas.
Os novos registros ampliam a documentação sobre a distribuição da espécie, mas não demonstram, por si só, que sua população esteja crescendo. O resultado contribui para identificar ambientes relevantes e orientar pesquisas futuras.
Dados disponíveis para conservação
Para a coordenadora do Cemafauna, Patricia Nicola, publicar os resultados permite que anos de observações de campo sejam utilizados por outros pesquisadores e por profissionais envolvidos na conservação.
O estudo oferece informações que podem apoiar o planejamento de ações de proteção da fauna e a identificação de áreas que necessitam de acompanhamento. A pesquisa também evidencia a importância de manter levantamentos por períodos longos, especialmente para espécies registradas em poucos pontos da área investigada. O artigo completo está disponível gratuitamente na revista Check List.
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