"A gente não cabe nas vontades que tem"
Segunda-feira, 29 de abril de 2002
Um dos traços da minha vida que mudou quando vim para Barcelona é o meu meio de transporte. Em Goiânia, eu andava praticamente sempre de carro, para onde quer que fosse. Aqui, apesar de o transporte ser excelente, a localização da minha casa não me permite chegar a nenhum lugar em menos de 40 minutos. É bastante tempo! Ainda mais com a vontade que estou nesse momento de fazer uma "siesta". Nao dá nem para pensar em ir pra casa, pois até eu chegar lá já seria hora de sair pra aula.
Meus pais estão aqui e é chato não poder estar com eles o tempo todo. Hoje nos encontramos para almoçar, comemos numa taberna basca que tem uma ótima cozinha, e tive que sair meio rápido para fazer meus trabalhos.
Esses dias tenho feito muitas avaliações sobre a minha experiência. (Aliás, se tem algo que eu fiz foi avaliar minha vida aqui, desde que cheguei!) Não sei se estou mais estimulada pela visita dos meus velhos, ou porque estou vivendo agora com duas goianas, mas às vezes me pego já com vontade de voltar para casa.
Nada que me vá fazer morrer na praia (ou seja, não terminar meu curso), mas algo que tenho receio de que me impeça de buscar novos estímulos por aqui, estímulos que eu tinha planejado buscar e que até agora não tive oportunidade. Digo oportunidade porque ter tempo é uma questão de escolher prioridades. Decidi que minha meta número um era com meu curso de especialização, a número dois se transformou na aula diária de espanhol, e a número três, um estágio que eu faço, e que acaba com as minhas horas livres.
É tudo muito bom e interessante, mas eu também gostaria de ir às milhares de conferências que são realizadas aqui, exposições e filmes interessantes, além da prioridade "top" que tenho nos meus planos, que é de ter alguma experiência de trabalho com uma ONG. Bom, mas se eu for fazer a lista mesmo, vai ser como uma ladainha, projeto atrás de projeto... o problema de viver numa cidade tão estimulante é esse, a gente não cabe nas vontades que tem. Ou as vontades nao cabem na gente?
Elisa Almeida França
|