"A cola vai estar larga"
Terça-feira, 16 de abril de 2002
"A cola vai estar larga" pode ser um exemplo de coisas que eu e minhas companheiras brasileiras dizemos em nossas conversas cotidianas, dando uma "estragada" no português. A gente estava indo pro cinema no domingo, e queríamos dizer que havería muita gente na fila. Fomos ver "Hable con ella", o novo filme de Pedro Almodóvar. Chegando lá, nos encontramos com o Denis, um paulistano também perdido por essas bandas. No filme - muito bom, por sinal - Elis Regina e Caetano Veloso também nos transportaram um pouco de volta à terrinha.
Pra dizer a verdade, é muito difícil (pra nao dizer impossível) desconectar do Brasil em Barcelona. Aqui tem muito brasileiro (dentre eles, incontáveis goianos como eu), se ouve música brasileira pra todo lado e as pessoas são encantadas com o nosso país. Conheço um catalão que fala português muito bem e sabe as letras do Chico Buarque muito mais do que eu, apesar de nunca ter se aventurado por terras tupiniquins - ainda, diz ele. Na sexta-feira passada, ele promoveu uma "galinhada" e eu, que nem sei cozinhar, fui parar no fogão. Não ficou tão mau! A galera comparou o prato com a "paella" deles - arroz com frutos do mar.
Continuando o tema, também há vários bares e restaurantes brasileiros em Barcelona, e até pão de queijo (para deleite de goianos e mineiros) pode ser encontrado na cidade, numa das suas avenidas mais lindas e badaladas (Paseo de Gracia). Eu, pra falar a verdade, nao gosto muito de tudo isso. Afinal, nao saí do Brasil à toa, queria incorporar e ser incorporada pela língua e os costumes locais, mas definitivamente aqui isso não rola. Entao tento aproveitar como posso.
Além da "brasileirada", mais fácil que conhecer o pessoal catalão é se aproximar de outros forasteiros. Pessoalmente, meus maiores contatos foram com chilenos, argentinos e colombianos e realmente está sendo ótima a minha aproximação com a América Latina. Além de eles serem muito gente fina, temos (em nossa condição de latino-americanos) a mesma história, e é um absurdo que haja tão pouco intercâmbio cultural entre o Brasil e esses países. Torço para que o Mercosul consiga mesmo ir mais além dos cifrões e que a informação que nos chega de nossos vizinhos seja mais do que desastres (econômicos, políticos ou naturais).
Elisa Almeida França
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