Escândalo do Banco Master derrete candidatura de Flávio Bolsonaro e isola Lula na liderança
As conversas vazadas com o banqueiro Daniel Vorcaro custaram caro ao "filho 01", abrindo uma avenida de nove pontos para Lula no primeiro turno e minando o empate técnico de segundo turno
A tentativa de transformar a biografia de Jair Bolsonaro em cinema acabou custando o roteiro da própria candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. A nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta sexta-feira (22), é o primeiro diagnóstico numérico do estrago provocado pelo vazamento das conversas do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O levantamento revela que a pretensão do "filho 01" de herdar o espólio político do pai sofreu um forte choque de realidade, esticando a distância entre ele e o presidente Lula no primeiro turno de modestos três para confortáveis nove pontos percentuais. No levantamento anterior, colhido quando o eleitorado ainda ignorava o enredo revelado pelo site The Intercept Brasil, o cenário desenhava uma disputa emparelhada, com Lula registrando 38% contra 35% do parlamentar. Uma semana após o escândalo vir a público, o petista subiu para 40% e Flávio recuou para 31%, evidenciando o desgaste imediato da denúncia sobre o eleitorado de centro.
O trailer do filme Dark Horse que foi apresentado hoje a parlamentares do PL 👇🏻 pic.twitter.com/CEeInHHJ3m
— Sam Pancher (@SamPancher) May 19, 2026
Candidatura de Flávio Bolsonaro desidrata após escândalo
O revés atinge também as simulações de segundo turno, destruindo o confortável empate técnico de 45% que Flávio ostentava em meados de maio. No novo panorama de confronto direto, Lula oscilou para cima e atingiu 47%, enquanto o senador desidratou para 43%, deixando a margem de erro e empurrando o Planalto para fora do alcance imediato do clã. O pano de fundo dessa derrocada, o suposto pedido de patrocínio financeiro a Vorcaro para produzir uma obra cinematográfica sobre o ex-presidente, expôs as engrenagens das relações institucionais do parlamentar no pior momento possível, justamente quando a oposição tentava consolidar uma narrativa de pureza administrativa e renovação.
Como o pragmatismo político não costuma tolerar vácuos ou candidaturas natimortas, o Datafolha tratou de medir a temperatura do plano B da direita, colocando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na mesa de testes. Em um cenário sem o enteado, Michelle estreia com 22% das intenções de voto no primeiro turno, aparecendo bem à frente de nomes da centro-direita tradicional como Romeu Zema, que registra 6%, e Ronaldo Caiado, com 5%. Embora a ex-primeira-dama apareça numericamente abaixo de Flávio na largada, a sua performance em um eventual segundo turno contra Lula acende a luz amarela nos bastidores do Partido Liberal. Ao cravar os mesmos 43% de Flávio contra 48% do atual presidente, Michelle prova que o teto do bolsonarismo de raiz permanece intacto, mas com a vantagem estratégica de não carregar, ao menos por enquanto, os estilhaços das mensagens trocadas com o comando do Banco Master.
Para além da polarização consolidada, o pelotão de figurantes da chamada terceira via segue assistindo ao embate sem ameaçar os líderes. Ronaldo Caiado e Romeu Zema oscilam na rabeira do primeiro turno com 4% e 3%, respectivamente, empatados com Renan Santos e Samara Martins. No final das contas, o amadorismo metodológico da captação de recursos para o "filme do pai" não apenas pulverizou a vantagem competitiva de Flávio Bolsonaro, como também antecipou a cobrança de fatura dentro do próprio partido, forçando o PL a recalcular a rota entre a herança consanguínea e a viabilidade eleitoral de sua sobrevivência.
O presidente Lula (PT) é visto pelo eleitor como o mais experiente dos candidatos (55%, ante 18% de seu principal rival, Flávio Bolsonaro, do PL). Por outro lado, Lula também foi apontado como o mais corrupto por 46%, ante 30% que escolheram o senador.https://t.co/QdOOEIkpNq
— Instituto Datafolha (@Datafolha) May 22, 2026
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