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Em meio a tensão com EUA, Pix ganha apoio da Colômbia

Enquanto os Estados Unidos criticam o sistema brasileiro, o recurso ganha respaldo fora do país e entra no centro de um debate global sobre poder financeiro

6 abr 2026 - 19h33
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O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro voltou ao centro de uma disputa internacional — mas, desta vez, com apoio inesperado. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, saiu em defesa do Pix e pediu publicamente que a ferramenta seja levada ao seu país.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com o Presidente da República da Colômbia, Gustavo Petro
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com o Presidente da República da Colômbia, Gustavo Petro
Foto: Ricardo Stuckert/PR / Perfil Brasil

Apoio direto ao modelo brasileiro

A manifestação foi feita nas redes sociais, em resposta às críticas vindas dos Estados Unidos. Ao comentar o tema, Petro foi direto: "Le pido a Brasil extender el sistema PIX a Colombia". O posicionamento reforça a percepção de que o sistema criado pelo Banco Central do Brasil já ultrapassou as fronteiras nacionais e passou a ser visto como referência internacional em pagamentos digitais.

Além do elogio, o presidente colombiano também aproveitou para criticar instrumentos tradicionais do sistema financeiro global. Ele afirmou que a lista de sanções do OFAC, órgão ligado ao Tesouro americano, "já não é uma arma contra o narcotráfico" e estaria sendo usada com fins políticos.

Críticas dos EUA elevam tensão

O apoio de Petro surge em meio a um momento de pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil. Um relatório da Casa Branca levantou preocupações sobre o Pix, apontando que o modelo poderia prejudicar empresas americanas de pagamento, como Visa e Mastercard. O documento menciona que o sistema brasileiro, por ser desenvolvido e regulado pelo Estado, poderia criar um ambiente de concorrência desigual no mercado global de pagamentos digitais.

Embora o Pix não tenha sido citado diretamente em alguns trechos, as referências a serviços de pagamento eletrônico administrados pelo governo brasileiro deixaram clara a preocupação americana com o avanço da ferramenta.

Resposta firme do Brasil

Diante das críticas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu de forma contundente e descartou qualquer mudança no sistema. Em declaração recente, ele afirmou: "O Pix é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira". O presidente também indicou que o caminho não será de recuo, mas de evolução. "O que nós podemos fazer é aprimorar o Pix para que, cada vez mais, ele possa atender às necessidades de mulheres e homens deste país", completou.

Criado em 2020, o Pix se consolidou rapidamente como o principal meio de pagamento no Brasil, sendo utilizado por cerca de 170 milhões de pessoas e movimentando trilhões de reais anualmente.

Debate global sobre pagamentos digitais

O embate evidencia uma disputa maior: o controle e a influência sobre sistemas financeiros digitais. Enquanto empresas privadas dominam boa parte do mercado internacional, o modelo brasileiro — público, gratuito e instantâneo — surge como alternativa competitiva.

A defesa feita por Gustavo Petro indica que outros países podem seguir esse caminho, especialmente na América Latina, onde há interesse crescente por soluções mais acessíveis e independentes de grandes operadoras globais. Ao mesmo tempo, as críticas dos Estados Unidos mostram que o avanço do Pix não é visto apenas como inovação tecnológica, mas também como um fator com potencial impacto geopolítico.

Entre expansão e resistência

Com apoio externo e resistência interna às pressões, o Pix entra em uma nova fase. A possibilidade de integração internacional já é estudada pelo Banco Central, o que poderia permitir transferências diretas entre países no futuro.

Se isso acontecer, o sistema brasileiro pode deixar de ser apenas um sucesso doméstico para se tornar um novo padrão global. E, pelo que indicam as recentes declarações, essa transformação já começou a despertar tanto aliados quanto opositores.

Perfil Brasil
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