Debate no Rio é marcado por trocas de farpas, menções a Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar; segurança e transporte foram focos do embate
Encontro reuniu cinco candidatos ao governo do Rio de Janeiro a poucos dias do primeiro turno das eleições
A TV Globo promoveu, nesta terça-feira, o debate entre os candidatos ao governo do Rio de Janeiro. A poucos dias do primeiro turno das eleições, o encontro reuniu cinco postulantes ao Palácio Guanabara para discutir propostas e os principais desafios do Estado. Participaram do debate Douglas Ruas (PL), Eduardo Paes (PSD), William Siri (PSOL) e André Marinho (Novo), além de Anthony Garotinho (Republicanos), que tem a candidatura indeferida pelo TRE, mas como ainda pode recorre, marcou presença no evento nesta terça-feira.
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O debate foi marcado por trocas de acusações entre os candidatos, com referências ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Cláudio Castro (PL) e ao deputado estadual Rodrigo Bacellar (União), além de discussões sobre transporte público, saneamento e segurança.
Na primeira rodada de perguntas, Douglas Ruas (PL) questionou Eduardo Paes (PSD) sobre a construção da Linha 3 do metrô, projeto que prevê a ligação da capital fluminense a Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.
O candidato do PL citou o senador Flávio Bolsonaro (PL) como uma figura importante para os estudos do projeto por meio de recursos de emenda destinados à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O candidato afirmou que Paes promete a obra, mas não teria participado de reuniões sobre a iniciativa.
Ao rebater as críticas de Ruas, Paes chamou o candidato do PL de “reserva de Rodrigo Bacellar” e associou sua atuação ao governo de Cláudio Castro. O prefeito também criticou a passagem de Ruas pela Secretaria das Cidades do Estado e afirmou que o adversário não conseguiu entregar obras relevantes de transportes.
Ruas, por sua vez, voltou a ser questionado sobre sua relação com Castro e respondeu que mantinha uma relação de trabalho com o governador. O candidato do PL afirmou que Paes tinha sido “amigo de boteco do Cláudio Castro”, em referência à episódios em que os dois aparecem lado a lado.
Em outro momento, Ruas acusou Paes de ter um “agressor de mulheres” em seu grupo, em referência a Pedro Paulo, candidato o Senado no Rio de Janeiro pelo PSD. Paes rebateu mencionando o irmão de Ruas.
Garotinho defendeu sua candidatura
Garotinho aproveitou uma resposta a Siri para falar sobre sua situação eleitoral. O candidato afirmou que continua na disputa e criticou a decisão que indeferiu seu registro de candidatura.
“Quero dizer que sou candidato a governador. Você vai poder votar 10”, disse.
Garotinho afirmou ainda que uma emissora de rádio publicou, durante a semana, que ele teria desistido da candidatura. Segundo ele, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro indeferiu seu registro, em decisão que classificou como contrária à legislação eleitoral.
Crime organizado
Na última parte do segundo bloco, os candidatos discutiram o avanço do crime organizado no Estado. O ex-governador Anthony Garotinho prometeu utilizar forças federais para retomar comunidades, enquanto William Siri defendeu a realização de concursos públicos para as polícias Civil, Militar e Penal.
André Marinho também falou sobre o combate às facções criminosas e citou nominalmente Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão e apontado como uma das lideranças do Terceiro Comando Puro (TCP). O candidato afirmou que pretende prendê-lo e disse que, em caso de reação à ordem de prisão, poderia matá-lo.
Peixão é investigado por ordenar que criminosos interceptassem dois ônibus escolares e utilizassem veículos como barricadas na Linha Vermelha, na manhã desta segunda-feira, 28.
“O vagabundo encastelado na Cidade Alta chamado ‘Peixão’ reivindicou a autoria dessa maldade. Tão importante quanto recuperar territórios é recuperar talentos. Muitas vezes o aluno faltante acaba sendo a presa perfeita para ser recrutado pelo crime organizado. Eu queria dizer para o ‘Peixão’: nós vamos procurar você”, afirmou Marinho.
RioPrevidência e Banco Master
Em outro momento do debate, Siri voltou a direcionar críticas a Ruas. O candidato do PSOL associou a gestão de Cláudio Castro a operações envolvendo o RioPrevidência e o Banco Master.
Siri afirmou que Castro teria destinado bilhões de reais do RioPrevidência ao banco. Durante a fala, citou pela primeira vez no debate o nome de Daniel Vorcaro, presidente e acionista do Banco Master, além da venda de títulos que classificou como “podres” ao fundo de previdência estadual.
Lula x Flávio
A disputa também foi nacionalizada durante uma discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1. Siri defendeu a medida e afirmou ter “orgulho” de apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ruas ironizou a declaração. “Parabéns por assumir o apoio ao Lula”, disse o candidato do PL. Na sequência, aproveitou o tema para criticar Paes, acusando o adversário de esconder sua proximidade com o presidente.
Segundo Ruas, Paes “recebe o Lula, faz agenda e nem posta”. O candidato do PL afirmou ainda que, diferentemente do adversário, não esconde sua aliança com Flávio Bolsonaro.
Ruas disse ser favorável a mais descanso para os trabalhadores, mas argumentou que o custo de uma eventual mudança na jornada não deve recair sobre os empresários.
Considerações finais
André Marinho
"O Rio de Janeiro chega a um momento em que precisamos, sinceramente, oferecer a todos os cidadãos deste estado, finalmente, uma mísera chance, um fiapo de esperança para virar esta página de tanta mentira, marketing e malandragem, e oferecer algo genuinamente novo.
Formei uma equipe muito empenhada, de gente de altíssimo gabarito, que [trecho pouco claro] para trazer o Rio forte de novo, mais tempo para a sua família e mais dinheiro no seu bolso. [...] O Rio de Janeiro tem opção, sim. Nesta reta final, percorreremos todos os cantos do estado para fazer vocês se sentirem orgulhosos de ser cidadãos fluminenses.
Meu nome é André Marinho. O número é 30. Faz o M de mudança, faz o M de Marinho. O Rio forte de novo".
Douglas Ruas
"Primeiramente, quero agradecer a você que nos acompanhou até aqui. A campanha está acabando, mas um Rio novo pode começar agora. No próximo dia 4, no domingo, você decide que Rio quer: o Rio dos mesmos de sempre, que tiveram 13 anos e não resolveram; o Rio do pai, do Garotinho, do Cabral; ou o Rio de uma nova geração, que cansou dos problemas e está pronta para fazer diferente.
O Rio dos mesmos de sempre, o Rio do show da Madonna, ou o Rio de quem quer um show na segurança, um show na educação? O Rio da novela, onde Eduardo Paes mora e cuida, ou o Rio real, onde a gente mora?
Nós precisamos tomar uma decisão: seguir no mesmo caminho ou mudar. Para seguir no mesmo caminho, vote no 13, no Lula e no Eduardo Paes. Se quiser mudança, vem pro Ruas: vote 22 para governador, 22 para Flávio Bolsonaro, presidente do Brasil. O Brasil e o Rio de Janeiro vão vencer".
Eduardo Paes
"Primeiro, quero agradecer imensamente a vocês que nos acompanham até agora. Depois, terei tempo de responder a essas acusações bobas aqui. Mas queria dizer o seguinte: o Rio vive talvez o estado mais crítico de sua história. Essa crise tem nome e sobrenome. Foi provocada por esse grupo político representado nesta eleição pela candidatura de Douglas Ruas, que de novo não tem nada.
A gente mostrou aqui, e vem mostrando, que enganaram a população em 2018, elegendo um 'novo', Wilson Witzel, e deu no que deu. Enganaram em 2022, elegendo o 'novo' Cláudio Castro, e deu no que deu. Agora, já que não dá o “novo” Rodrigo Bacelar, vão colocar o 'novo' Douglas Ruas. Essa gente fez muito mal ao nosso estado.
Nosso estado é viável. Precisa de gente com experiência, que você conheça. Nós vamos, com gestão, firmeza e muita coragem, junto com Benedita, senadora, e Pedro Paulo, senador, [...] o nosso estado no próximo dia 4. Um grande abraço".
William Siri
"Douglas Ruas, eu não fujo do debate sobre as drogas. Vá agora às minhas redes sociais: estou postando conteúdo sobre esse tema, porque sabia que o bolsonarismo sempre faz isso conosco. Então, já estava preparado.
Dito isso, quero agradecer muito à Rede Globo e, principalmente, à minha esposa e à minha família. Quero agradecer à Rede, ao PSOL, à nossa federação, ao PCB e a todos os movimentos sociais.
Sou um candidato que apresentou propostas para o estado do Rio de Janeiro. Quero revolucionar o estado e acabar com esse ovo da serpente que foi criado e gestado aqui: o bolsonarismo, a extrema direita. É disso que precisamos. Serei o governador com propostas de revolução para o nosso estado e de enfrentamento à extrema direita.”
Anthony Garotinho
"Quero dizer que você deve ter percebido que a maioria das coisas que eles disseram que iam fazer eu já fiz. [Despoluir?] a Lagoa de Araruama: Garotinho fez. Melhorar a segurança pública: quem criou o Bope, o Batalhão da Linha Vermelha, o Instituto de Segurança Pública e o Grupo Aeromarítimo? Comprei o primeiro caveirão. Tudo o que há na segurança hoje fui eu que fiz.
Lamento que as pessoas confundam idade com ideia. A pessoa não é velha porque tem idade; o que envelhece são suas ideias. Eu sou um jovem, sou um garotinho e sou candidato, apesar de o sistema não querer — inclusive algumas mídias fizeram campanha dizendo que eu não sou candidato.
Olha, domingo você vai lá e crava 10, se quiser acabar com a podridão que existe em setores do Ministério Público, do Judiciário, nesta Alerj podre presidida por esse presidente que está aí e neste governo podre que destruiu o estado".
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