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'Quero ter uma conversa tête-à-tête com Trump', diz Lula sobre possível interferência dos EUA nas eleições

Petista também afirmou que o País foi taxado pelos EUA com "base em mentiras" e comentou as investigações envolvendo seu filho, Lulinha

14 ago 2026 - 12h12
(atualizado às 13h08)
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Lula em entrevista às comunicadoras do Não Inviabilize, Deia Freitas, e do As Cunhãs, Inês Aparecida e Hébely Rebouças
Lula em entrevista às comunicadoras do Não Inviabilize, Deia Freitas, e do As Cunhãs, Inês Aparecida e Hébely Rebouças
Foto: Reprodução/YouTube/Não Inviabilize

O candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou nesta sexta-feira, 14, sobre a possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras e afirmou querer conversar diretamente com o presidente Donald Trump a respeito do assunto.

"Estou tentando falar com ele. Estou tentando manter um contato com ele, quero ter uma conversa tête-à-tête com ele e vou dizer: não se meta nos negócios do Brasil e sobretudo nas eleições", disse Lula em entrevista às comunicadoras do podcast Não Inviabilize, Deia Freitas, e do As Cunhãs, Inês Aparecida e Hébely Rebouças.

"Se se meter, vão perder. Quem vier dar palpite nas eleições do Brasil vai perder", acrescentou o presidente. Lula ainda declarou que não quer brigar com os EUA. "Quero discutir com seriedade", destacou.

Questionado sobre a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre uma ampla gama de produtos importados do Brasil, o petista disse que o País foi taxado com "base em mentiras": "Inventaram umas mentiras e taxaram o Brasil. Taxaram o Brasil falando que nós compramos coisas de trabalho escravo de outros países, é um ataque à China, na verdade, e que nós não cuidamos do desmatamento".

Lula ainda destacou que não tem aviões, navios de guerra e bomba atômica para brigar e que vai "vencer os EUA pela narrativa". "O que eu tenho? A verdade. A minha consciência e a verdade do meu povo. Eu já disse: com mentiras ninguém ganha do Brasil", afirmou.

O presidente também citou acreditar que não é Trump quem está à frente das taxações e possíveis interferências contra o Brasil. "Eu acho que não é ele, ele sabe que eu não gosto das pessoas que estão fazendo isso. Eu já falei pra ele que o Secretário de Estado [Marco Rubio] dele não gosta do Brasil e não gosta da América Latina. Já falei pra ele", comentou Lula. "O Trump é o melhor de todos eles, é o que conversa com mais seriedade comigo", completou.

O Não Inviabilize é o podcast brasileiro mais ouvido no Spotify e referência no segmento. O produto não é jornalístico. Os temas são relatos cotidianos, conflitos de relacionamentos, situações familiares incomuns, entre outros temas.

Investigações contra Lulinha

Durante a entrevista, o presidente afirmou que seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, será responsabilizado se tiver culpa nas investigações a que responde. "Se meu filho tiver culpa, ele pagará."

"Meu filho sabe que não pode fazer nada errado, ele jura por tudo que é mais sagrado que não tem nada, e eu acredito nele. Mas eu já disse aos advogados: ninguém vai pedir fechamento de processo", disse.

"Quero que ele seja investigado, mas faça como eu fiz, fiquei 580 dias na cadeia, e sai com a cabeça mais erguida quando entrei. Só ele sabe a verdade. Eu não sei a verdade, ele sabe se fez ou não fez. Se não fez, então brigue. Não se acovarde."

Lula evita debates e mídia tradicional

Lula tem evitado entrevistas à mídia tradicional e sinalizou que não participará dos debates presidenciais no primeiro turno. Ao mesmo tempo, tem dado entrevistas a comunicadores digitais, que oferecem um ambiente mais informal e com menos perguntas sobre temas desconfortáveis para o petista.

Antes da pré-campanha, a estratégia de comunicação do presidente nos últimos meses vinha sendo conciliar as viagens de Lula aos Estados com entrevistas exclusivas a canais de TV e rádios locais. Entrevistas a veículos de mídia tradicional que estão diariamente na cobertura nacional do Palácio do Planalto rarearam nos últimos tempos. A última entrevista de Lula foi à TV Record, em julho de 2025, logo após o anúncio do tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos.

Com a proximidade da campanha eleitoral, o presidente também deixou de falar com os veículos regionais e passou a apostar em entrevistas informais para a mídia digital - podcasts, videocasts etc. Esse tipo de ambiente permite uma conversa mais descontraída e menos focada nos temas mais tensos. Em geral, o ambiente é menos hostil.

Nas últimas semanas, Lula concedeu entrevistas ao podcast Inteligência Ltda. e aos canais Meteoro Brasil e Os Três Elementos. Nos dois casos, pouco (ou nada) se falou sobre temas incômodos ao petista: a ligação de aliados seus, como o senador Jaques Wagner (PT-BA), com o escândalo do Banco Master; as investigações contra seu filho Fábio Luís, o Lulinha; e os pagamentos feitos pela empresária Roberta Luchsinger a seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. *(Com informações do Estadão Conteúdo).

Fonte: Portal Terra
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