O que Lula e Flávio falaram sobre ilha de Richarlison em debate da Globo
Ilha em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, foi um dos destaques da noite durante o programa
A disputa pela compra de uma ilha em Angra dos Reis (RJ), que tem como personagem central o atacante Richarlison, foi um dos assuntos abordados durante o debate entre os candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No bloco de tema livre, promovido pela TV Globo, na noite desta sexta-feira, 23, o presidente questionou o oponente sobre o envolvimento dele no caso.
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“Essa semana eu vi um jogador famoso, chamado Richarlison, da Seleção Brasileira, conhecido porque comemorava os gols como se fosse um pombo, e depois ficou muito conhecido na rede digital como o pai do bebê. Esse pai do bebê faz uma denúncia de que o meu adversário e o advogado dele tomaram a ilha dele. Ele tinha pago R$ 10 milhões”, começa Lula.
O amigo ao qual o presidente se refere é Willer Tomaz, advogado e empresário amigo de Flávio, investigado por suspeita de envolvimento no esquema de fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Por sua vez, o senador Flávio Bolsonaro é investigado em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Willer Tomaz.
Lula afirma que Willer conseguiu em uma semana o título de propriedade Secretaria do Patrimônio da União (SPU), com um suposto diretor que seria amigo de Flávio. “Eu queria que me explicasse, como vocês tomaram a ilha do Richarlison?”, questiona o petista.
Em seguida, Flávio responde que a Justiça já investigação e que a ação transitou em julgado, portanto, tem decisão definitiva. “Essa ilha nunca foi do Richarlison”, diz. O senador também retruca Lula, afirmando que Willer é só seu amigo e não sócio.
O chefe de Estado, então, questiona mais uma vez: “Eu quero que você responda como é que uma pessoa consegue em uma semana [enquanto] a outra está esperando um ano, sem ser comunicado, que o outro tomou o terreno dele?”.
Nesse momento, Flávio declara que jorgador foi enganado. “Richarlison, com todo o respeito craque, você está tomando volta do seu empresário. Parece que você comprou a sua ilha de um invasor de terras, do MST. Infelizmente essa ação já transitou em julgado e você não tem direito. A Justiça decidiu e eu não tenho nada a ver com isso”.
O candidato do PL é questionado mais uma vez por Lula, e novamente responde que “não tem nada a ver com isso”.
Entenda o caso
O atacante Richarlison, do Tottenham, acusa o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz de envolvimento em uma disputa pela posse de uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). O jogador afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões no imóvel e não ter recuperado o dinheiro.
Segundo Richarlison, Flávio demonstrou interesse em comprar a propriedade, mas teve a proposta recusada. A posse do imóvel foi posteriormente transferida a uma empresa ligada a Willer Tomaz, amigo do senador, por decisão judicial.
Flávio nega envolvimento na negociação. Tomaz também contesta as acusações e afirma ter pago R$ 3,6 milhões pela propriedade, incluindo a quitação de dívidas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ter solicitado uma investigação à Polícia Federal (PF). A corporação informou que incluirá o caso em um inquérito sobre as relações entre Flávio e Tomaz.
Entenda as ligações entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL) é investigado em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado e empresário Willer Tomaz, amigo do candidato à Presidência. A investigação está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
Segundo a Polícia Federal (PF), foram identificados registros de viagens, reuniões e movimentações financeiras que ligam os dois. Flávio também aparecia como usuário com acesso privilegiado a uma conta bancária da empresa Alcazar Holding, ligada ao advogado. A PF apura ainda a suspeita de que o senador fosse sócio oculto de uma casa de apostas.
Willer também é investigado por suspeita de envolvimento no esquema de fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Flávio não é investigado nesse caso.
O senador confirma a amizade com o advogado, mas nega irregularidades. Ele afirma que não manteve conta bancária compartilhada com Tomaz e considera infundadas as suspeitas levantadas a partir da relação entre os dois.
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