Inclusão, saúde pública e teste genético: o que os candidatos à Presidência propõem para o Esporte?
Entre as propostas, o eixo mais debatido é o uso do Esporte como ferramenta educacional no âmbito escolar
Os candidatos à Presidência da República tiveram diferentes abordagens à pauta esportiva em seus respectivos planos de governo: as propostas dividiram-se entre a reestruturação e ampliação de políticas públicas voltadas ao apoio a atletas, desde as categorias de base aos níveis de alto rendimento, e ao aprimoramento da infraestrutura pública, especialmente ao atendimento às populações de periferias e de baixa renda.
Essa reportagem faz parte da série O Brasil Que Eles Querem, que vai destrinchar os planos de governo dos candidatos à Presidência sobre Tecnologia, Educação, Economia, Saúde, Cultura, Segurança, Diversidade, Relações Internacionais, Meio Ambiente e Esporte
Também apresentaram propostas que integraram o Esporte a outros eixos, como Educação e Saúde Pública, que apontaram para a necessidade de equidade entre categorias, e até mesmo com defesa à regulamentação e exigência de testes genéticos para participação no esporte feminino, além dos candidatos que apontaram para o combate à influência das apostas esportivas.
Dentre os candidatos, houve, também, quem enquadrou a pauta esportiva em outros eixos com menções minoritárias, além dos que não dedicaram espaço em seus respectivos planos de governo ao Esporte.
A seguir, veja o que diz cada candidato (em ordem alfabética pelo nome de urna) sobre suas propostas para o Esporte no Brasil:
Clariana Barão (DC)
A candidata Clariana Barão, da Democracia Cristã (DC), aborda o Esporte e a prática de atividade física como instrumentos de medicina preventiva. O projeto prevê a criação de programas comunitários de movimento, ampliação do uso de espaços escolares e públicos para a prática esportiva pela população.
O plano de governo ainda sugere a prescrição formal e encaminhamento para atividades físicas quando indicado clinicamente pela rede de saúde. Para mensurar a efetividade das ações, ela propõe indicadores como ‘nível de atividade física, participação, obesidade, sedentarismo e cobertura territorial’.
A campanha de Clariana Barão não respondeu a questionamento enviado pelo Terra.
Edmilson Costa (PCB)
O plano de governo de Edmilson Costa, do Partido Comunista Brasileiro (PCB), não apresenta propostas, diretrizes ou menções voltadas à área de esportes, desenvolvimento de atletas ou incentivo às práticas esportivas, mas o candidato apresentou as medidas sugeridas em manifestação enviada ao Terra.
Entre as propostas, Edmilson afirma que pretende desenvolver um ‘Programa Nacional de Esportes e Atividade Física’, que articularia os Ministérios do Esporte, Saúde e Educação, Estados e municípios, para a construção e recuperação de quadras, campos, piscinas e centros poliesportivos, principalmente nas ‘periferias e regiões mais carentes’.
O candidato também fala em ampliar a integração do esporte com o SUS e a atenção primária, além de construir uma política nacional de formação esportiva, por meio da ampliação de bolsas e apoio financeiro aos atletas, democratizar o acesso às modalidades olímpicas e paralímpicas, além de qualificar e profissionalizar treinadores e equipes multidisciplinares.
“Nossa proposta é transformar essas iniciativas em uma política pública integrada e permanente, ampliando a descoberta de talentos para muito além do futebol e garantindo condições para que crianças e jovens possam praticar esporte por saúde, lazer e realização pessoal ou, quando tiverem vocação e desempenho, desenvolver uma carreira esportiva com dignidade”, afirma.
Escritor Augusto Cury (Avante)
Postulante do Avante, Augusto Cury aborda a prática esportiva associada principalmente ao ambiente educacional e à promoção da saúde emocional e preventiva. No âmbito educacional, a escola passa a incorporar no currículo e nas atividades extracurriculares a prática de ‘esportes e competições saudáveis’.
Já na área da saúde emocional e bem-estar, Cury integra o esporte ao projeto ‘Academia Antiestresse’, concebida como uma plataforma global de Gestão da Emoção que alia ferramentas psicológicas a atividades de relaxamento, artes e práticas esportivas para a promoção da qualidade de vida e prevenção do estresse.
A campanha de Augusto Cury não respondeu a questionamento enviado pelo Terra.
Flávio Bolsonaro (PL)
Candidato do Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro trata a prática esportiva como instrumento de disciplina, resiliência e combate à evasão escolar e à repetência. Entre as medidas, destaca a criação do programa ‘Escola de Campeões’, com o qual pretende viabilizar, via parcerias público-privadas, a introdução do esporte competitivo no âmbito escolar por meio de times escolares, treinos no contraturno e campeonatos municipais e estaduais.
Já para o esporte de alto rendimento e o paradesporto, o plano propõe aperfeiçoar bolsas esportivas, trazer patrocínios do setor privado em parceria com clubes e universidades, incentivar o uso de tecnologia e ciência de dados, e fomentar a detecção de talentos paralímpicos desde a base.
Além disso, estabelece uma diretriz de proteção à categoria esportiva feminina, assegurando que as disputas da base ao alto rendimento sejam restritas a atletas do sexo biológico feminino.
A campanha de Flávio Bolsonaro não respondeu a questionamento enviado pelo Terra.
Hertz Dias (PSTU)
O plano de governo de Hertz Dias, do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), não apresenta propostas, diretrizes ou menções voltadas à área de esportes, desenvolvimento de atletas ou incentivo às práticas esportivas.
A única menção ao tema no plano de governo do candidato está em uma citação referente às mobilizações sociais de julho de 2013, sobre as quais diz que “milhões foram às ruas contra a precarização da vida, os serviços públicos degradados, os gastos bilionários com a Copa (do Mundo de 2014), a violência policial e a crise de representação política”.
A campanha de Hertz Dias não respondeu a questionamento enviado pelo Terra.
Leonardo Avalanche (PRTB)
O plano de governo de Leonardo Avalanche, do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), apresenta uma proposta esportiva direcionada à regulamentação de atletas na categoria feminina.
A medida prevê adiantar para o Brasil, a partir de 2027, a aplicação de testes genéticos e critérios biológicos de sexo para competições esportivas femininas.
O argumento apresentado para a medida apoia-se na prevenção de lesões físicas e preservação da equidade competitiva entre atletas de mesma condição biológica em esportes de contato e alto rendimento.
A reportagem não localizou nenhum porta-voz da campanha para conversar sobre o assunto.
Lula (PT)
Candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Luiz Inácio Lula da Silva propõe, em seu plano de governo, o fortalecimento do papel do Estado e das políticas públicas no setor esportivo.
Entre os destaques, estão o aprimoramento do Bolsa Atleta, a manutenção de patrocínios estatais para os ciclos olímpico e paralímpico, além de suporte contínuo ao alto rendimento.
O programa também abrange a realização da Copa do Mundo Feminino de 2027 no Brasil em 8 capitais, a implementação da Universidade do Esporte para a formação técnica e pesquisa, e a expansão do programa Arenas Brasil pelo Novo PAC, com a construção de 500 unidades e a conclusão de quadras esportivas escolares paralisadas.
A campanha de Lula não respondeu a questionamento enviado pelo Terra.
Renan Santos (Missão)
O plano do candidato à Presidência pelo Missão faz uma única menção à pauta esportiva no capítulo de Saúde: a proposta consiste na criação de um plano de isenções e compensações fiscais atrelado à prática de atividades esportivas, sem dar mais detalhes sobre a medida.
A campanha de Renan Santos não respondeu a questionamento enviado pelo Terra.
Ronaldo Caiado (PSD)
O candidato do Partido Social Democrático (PSD) articula 15 propostas para o setor do Esporte. Entre as medidas estruturantes, propõe a aprovação do Plano Nacional do Esporte 2035, com cofinanciamento pactuado entre União, Estados e municípios, implementação do Sistema Nacional do Esporte (Sinesp) e do Sistema Nacional de Informações e Indicadores Esportivos (SNIIE), além da recuperação de equipamentos comunitários.
Caiado também estabelece o programa ‘Brasil Ativo’, visando integrar o Esporte ao SUS com foco na saúde preventiva, propõe o aperfeiçoamento do Bolsa Atleta, permitindo repasse a projetos individuais e à ‘carreira dupla’.
Além disso, expande o paradesporto e fomenta o futebol feminino. Caiado ainda prevê regras de integridade e combate à manipulação por apostas e à violência no futebol.
A campanha de Ronaldo Caiado não respondeu a questionamento do Terra.
Rui Costa Pimenta (PCO)
Postulante do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta defende a alocação de recursos públicos para assegurar o acesso da população ao esporte e à cultura popular, combatendo monopólios privados do setor.
O programa de Pimenta também posiciona-se contra a ‘perseguição às torcidas organizadas’, defende a transferência do controle dos clubes de futebol para os próprios torcedores e trabalhadores do setor esportivo.
A campanha de Rui Costa Pimenta não respondeu a questionamento enviado pelo Terra.
Samara (UP)
A candidata Samara, do Unidade Popular (UP), propõe, especialmente, a criação de um Sistema Nacional Público de Esporte e Lazer. Em seu plano, ela visa o combate ao impacto das casas de apostas e à apropriação de clubes por fundos especulativos.
Entre as ações concretas, defende a construção e reforma pública de quadras, ginásios e campos, o fortalecimento da educação física escolar com professores contratados no contraturno, a democratização e transparência nas entidades esportivas, a garantia de direitos trabalhistas para atletas e treinadores, e a igualdade estrutural para o esporte feminino.
A campanha de Samara não respondeu a questionamento enviado pelo Terra.
Veterinário Wilson Grassi (Democrata)
Wilson Grassi, candidato do Democrata, propõe uma reformulação na política esportiva do Brasil. No âmbito escolar, Grassi estabelece padrões mínimos de carga horária e materiais para a educação física, contratação de professores formados desde os anos iniciais e a realização obrigatória de jogos escolares municipais.
No âmbito da formação de atletas, o presidenciável defende a desburocratização do Bolsa Atleta, permitindo a inscrição individual e direta do atleta ou paratleta em uma plataforma federal sem intermediação de federações ou confederações.
Grassi ainda propõe a adequação das bolsas ao custo real de treinamento, a inclusão de direitos previdenciários e seguros contra acidentes, a criação de centros regionais de treinamentos compartilhados e o apoio à transição de carreira para ex-atletas como treinadores escolares.
"O atleta será ranqueado pelas competições, não existe exclusão mas sim cooperação, sem a necessidade de somente algumas pessoas selecionadas poderem atuar, temos de investir já na formação e não somente quando o atleta está medalhando", afirmou o candidato ao Terra.
Zema (Novo)
Postulante do Partido Novo, Romeu Zema aborda o Esporte em um capítulo exclusivo em seu plano de governo, no qual traz um diagnóstico sobre a dependência de emendas parlamentares no orçamento do setor e a falta de quadras em 66% das escolas públicas.
Zema estrutura as propostas em dois eixos principais: ‘Usar o Esporte como Motor de Desenvolvimento’ e ‘Cuidar do Brasileiro por meio do Esporte’. No primeiro, defende a atração de investimentos privados, condicionamento de repasses públicos à governança profissional de confederações e parcerias com clubes e universidades.
No segundo, propõe conectar o Esporte às políticas de saúde preventiva do SUS e integrá-lo à educação básica para combater a evasão escolar e a violência juvenil.
A campanha de Romeu Zema não respondeu a questionamento enviado pelo Terra.
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