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Moro busca se consolidar como opção da elite econômica

Moro admite pré-candidatura à Presidência e indica diretriz para a economia ao citar o ex-presidente do BC Affonso Pastore como conselheiro

18 nov 2021 17h01
| atualizado às 17h20
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Sergio Moro acena durante evento da sua filiação ao Podemos
Sergio Moro acena durante evento da sua filiação ao Podemos
Foto: Dida Sampaio / Estadão

Na busca por se consolidar como uma opção da elite econômica no cenário da disputa presidencial do ano que vem, o ex-juiz e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, apresentou uma credencial importante. Moro anunciou na madrugada de ontem que a discussão sobre os rumos da economia baliza suas conversas e que tem o ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore como um de seus conselheiros.

Ao citar publicamente o nome do economista, um dos mais respeitados do País, em entrevista na madrugada de ontem ao programa 'Conversa com Bial' - quando admitiu pela primeira vez que pretende mesmo disputar a Presidência da República em 2022 -, Moro indicou a diretriz econômica que quer adotar em sua candidatura como parte do esforço para atrair outras forças do centro político.

Nas conversas que manteve nos últimos meses com líderes políticos, economistas e empresários, o ex-juiz símbolo da Operação Lava Jato foi questionado sobre temas além da agenda anticorrupção. Desde então, para ancorar sua candidatura como uma alternativa concreta ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao presidente Jair Bolsonaro, ele tenta arregimentar para seu projeto outros nomes como o do ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung e o também ex-presidente do BC Arminio Fraga.

Os dois economistas lideravam um movimento para fazer do apresentador Luciano Huck candidato ao Planalto no ano que vem. Com Huck fora do páreo, seriam atores de um programa econômico focado na responsabilidade fiscal e combate à pobreza. Apesar da interlocução, eles não deram sinais de associação ao projeto do ex-juiz.

Para quem acompanha de perto essas articulações, Moro marcou "um gol de placa" ao citar Pastore. "É um dos melhores nomes do País", disse o ex-juiz. Colunista do Estadão, o economista é hoje um dos líderes do Centro de Debate de Política Públicas (CDPP), grupo de estudos formado por alguns dos nomes mais importantes de áreas como economia e direito que se dedica a discutir e elaborar pesquisas sobre os principais desafios do País. Entre seus integrantes estão referências como os economistas Ilan Goldfajn, Edmar Bacha, Eduardo Giannetti, Luiz Stuhlberger, Pedro Malan, Persio Arida, o próprio Arminio, entre outros.

O CDPP esteve no centro de críticas profundas ao governo Bolsonaro neste ano, ao capitanear dois manifestos - um cobrando providências contra a crise sanitária imposta pela pandemia do coronavírus e outro em defesa da democracia e das eleições livres.

"É uma sinalização ao mercado e outras alas sobre como será o posicionamento econômico dele", avaliou Graziella Testa, professora da Escola de Políticas Públicas e Gestão Governamental da Fundação Getulio Vargas. "Moro tem uma projeção muito importante na agenda anticorrupção. É o terceiro candidato com mais força hoje, talvez. Quando ele passa a ser candidato, efetivamente, ele precisa de uma pauta positiva. Não só pautas negativas sustentam uma campanha política."

Durante a entrevista na TV, Moro foi enfático ao dizer que se sente preparado para disputar a Presidência da República em 2022. "Estou pronto para liderar esse projeto consistente com o povo brasileiro. Se o povo brasileiro tiver essa confiança, o projeto segue adiante", declarou.

"Se havia uma dúvida se ele disputaria o Senado ou a Presidência da República, com a construção de uma equipe de governo, é uma sinalização bastante forte que o projeto presidencial vem de maneira muito clara e evidente", afirmou Rodrigo Prando, cientista político da Universidade Presbiteriana Mackenzie. "Ele (Pastore) é um intelectual, aquele que parte para um debate público. Nessa condição, ele se defronta com os problemas do País e se posiciona a favor da democracia. Na sinalização que Moro faz, Pastore aparece como um contraponto a Paulo Guedes."

No campo partidário, o ex-juiz aguarda a definição das prévias do PSDB. Uma vitória do governador gaúcho Eduardo Leite é considerada uma porta aberta para uma composição, vista como improvável se o governador de São Paulo, João Doria, confirmar seu favoritismo na disputa interna dos tucanos.

Doria, Moro e o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM) - que também pleiteia uma candidatura - mantêm um canal aberto de diálogo. Em setembro, o trio tratou do tema terceira via em um almoço em São Paulo na casa de um empresário da comunicação.

Mas a disposição do ex-juiz da Lava Jato de investir mesmo numa candidatura ao Palácio do Planalto indica que ele poderá concorrer na mesma faixa de Doria, caso o paulista vença as prévias. Nesse caso, o acerto seria em um eventual segundo turno.

Os passos do ex-juiz

Contrato encerrado

O contrato entre Moro e a consultoria Alvarez & Marsal foi encerrado em 30 de outubro; filiação do ex-ministro ao Podemos já estava marcada para 11 dias depois.

Fala de candidato

A dois dias de assinar sua ficha de filiação no Podemos, criticou o fim da prisão após condenação em segunda instância em suas redes sociais: "libertou corruptos".

Filiação

Moro assina filiação ao Podemos com discurso de candidato ao Palácio do Planalto, ampliando seu discurso de combate à corrupção e com fala que parecia descrever um plano de governo, ao prometer criar uma nova "força-tarefa", dessa vez para o combate à pobreza.

Entrevista

Ao programa 'Conversa com Bial', da TV Globo, Moro disse estar preparado para disputar a Presidência da República em 2022 e anunciou o economista Affonso Celso Pastore como seu conselheiro.

Livro

Ex-ministro lança, na primeira semana de dezembro, em quatro capitais brasileiras, o livro 'Contra o sistema da corrupção', que revela bastidores inéditos da Lava Jato, narra sua passagem pelo governo Jair Bolsonaro e se posiciona a respeito de temas como democracia, estado de direito e corrupção.

Estadão
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