Lula será entrevistado hoje na Globo; sabatina no 1º turno teve polêmica com Renata Vasconcellos
Petista será sabatinado por Renata Lo Prete após o Jornal Nacional; Flávio Bolsonaro será ouvido na sexta
Na reta final para o segundo turno das eleições presidenciais, a Globo promove uma nova rodada de sabatinas com Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Lula será o primeiro entrevistado, em sabatina a ser realizada na noite desta quinta-feira, 15, após o Jornal Nacional. Em últimas entrevistas à emissora, o petista falou sobre corrupção, propostas e se envolveu em polêmica com Renata Vasconcellos.
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Na entrevista, transmitida ao vivo no dia 27 de agosto e conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, Lula começou sendo questionado sobre o seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que é investigado em três inquéritos pela Polícia Federal. "Vai ter que provar a inocência", rebateu.
Polêmicas deram tom à noite, com casos do INSS, Master, dívida pública e crise em estatais sendo elencados. Ao comentar os casos, diversas vezes Lula resgatou sua história com a Lava Jato e se colocou em um lugar de vítima. Em determinado momento da entrevista ele chegou a subir o tom e dizer que a imprensa “comprou uma mentira, vendeu a mentira e nunca reconheceu”. A bancada da Globo rebateu, alegando que o jornalismo da emissora cumpriu a sua obrigação de noticiar os fatos durante a cobertura.
Além disso, Lula foi criticado pela maneira ríspida que reagiu a um dos questionamentos da âncora do Jornal Nacional sobre a dívida pública. “Renata, eu pensei que uma jornalista da tua qualidade, da tua competência, pudesse começar a sua pergunta falando diferente”, declarou o petista, que fez a pergunta como gostaria de responder e citou o superávit primário durante seus governos.
Relembre aspas de destaque de Lula na sabatina da Globo antes do 1º turno
"Não sou do Ministério Público. Não sou delegado, não sou juiz. Sou Presidente da República e pai do Fábio. Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro que cometeu ilícito".
“As pessoas são inocentes até que se prove o contrário [...] Eu não posso colocar em dúvida o comportamento e a relação do Wagner [Jaques Wagner, ex-líder do governo no Senado] comigo por conta de uma ilação, não posso. Eu tenho consciência que ele é honesto. Se cometeu um desvio, vai acontecer com ele o que vai acontecer com qualquer pessoa: vai pagar um preço pelo erro que cometeu."
"Nunca tive problema fiscal nesse país. Você acha que o Brasil está com problema de dívida pública porque chegamos a 80%. Sabe por quê? Porque estamos há mais de 10 anos sem crescer. Sabe quando o PIB voltou a crescer acima de 2%? Quando voltei à Presidência da República"
Antes de ser eleito
Há quatro anos, em 2022, antes de ser eleito para o seu terceiro mandato como presidente da República, Lula também foi sabatinado pela TV Globo. Na ocasião, havia uma expectativa de como seria a entrevista após a cobertura da Globo durante a Operação Lava a Jato, uma vez que Lula havia feito duras crítica à emissora carioca. Foi sua primeira entrevista para a emissora desde que saiu da prisão em 2018. Em clima mais amistoso e sem grandes embates, Lula falou sobre corrupção, sigilos e economia.
Na época, ele foi entrevistado pelos jornalistas William Bonner e Renata Vasconcellos. Quando questionado sobre corrupção, já mantinha o discurso atual: qualquer pessoa com a menor hipótese de cometer qualquer crime será investigada, julgada e punida ou absolvida. "Foi no meu governo que a gente criou o Portal da Transparência, colocou a CGU para fiscalizar, que a gente criou a Lei de Acesso à Informação, a Lei Anticorrupção, contra o crime organizado", argumentou.
O petista ainda admitiu corrupção na Petrobras, mas acusou o Ministério Público de "oficializar o roubo" com delações premiadas. Ao responder sobre que poderia fazer para assegurar que questões de corrupção não se repitam, Lula 'brincou' que poderia ter imposto sigilos de 100 anos.
Na época, Jair Bolsonaro era o presidente da República e impôs sigilos em cima de assuntos envolvendo a gestão federal e familiares. Eleito, Lula chegou a atuar frente a questão, tendo derrubado o primeiro sigilo ainda no primeiro ano de seu terceiro mandato, em 2023, sobre visitas recebidas pela ex-primeira dama Michelle Bolsonaro no Palácio da Alvorada.
A questão é que o governo Lula também negou informações. Como revelado pelo Estadão em 2024, foram mais de mil pedidos de informação feitos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) em 2023 negados com a justificativa de que as informações continham dados pessoais, protegidas por lei. Com essa resposta, o efeito prático é o de impor sigilo de 100 anos sobre as questões -- que, no caso, envolviam a agenda da primeira-dama, Janja da Silva, e comunicações diplomáticas sobre o ex-jogador Robinho, por exemplo.
A contradição não tem passado batido. Neste ano, durante participação no podcast Inteligência Ltda. apresentado por Rogério Vilela, Lula chegou a ser questionado sobre os sigilos e se reafirmou “radicalmente contra”. Ele explicou que essas decisões não passam diretamente pela Presidência, sendo tomadas por órgãos responsáveis dentro da estrutura do governo.
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