Lula pede autocrítica, cita recorde de abstenção e cobra debate para 2º turno
Presidente defendeu debate com Flávio no 2º turno e afirmou que campanha precisa entender abstenção de cerca de 30 milhões de eleitores
“Agora é importante ter debate na televisão. Agora é um contra um”. A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta segunda-feira, em reunião com aliados, deu o tom da estratégia do petista para a segunda etapa da disputa. Lula também pediu autocrítica à campanha e afirmou que é preciso entender as razões que levaram cerca de 30 milhões de eleitores a não votar.
“Vocês acham que eu não fiquei decepcionado? Eu quero ganhar todas as eleições no primeiro turno”, afirmou Lula. O presidente lembrou derrotas anteriores em sua trajetória política e disse que o cenário atual exige uma mudança de estratégia para os 20 dias que antecedem o segundo turno.
“A pior eleição que eu já enfrentei foi com o Collor, em que cheguei a 17% dos votos. Depois, cheguei a 40%. Foi um caminho longo. Naquele tempo também tinha mais público para a gente disputar. Hoje o público está menor. Hoje os chamados ‘neutros’ estão menores. Mas são 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu com essas pessoas? Elas perderam o sentido de responsabilidade? Elas não foram convencidas? Porque, se fosse assim, teria surgido uma terceira via”, comentou.
Para Lula, a campanha precisa assumir a responsabilidade por parte do desinteresse dos eleitores.
“No mundo inteiro, as eleições são polarizadas. O que nós temos que fazer é tentar entender por que 30 milhões de seres humanos não foram votar. Possivelmente por uma causa: desinteresse. E a responsabilidade é nossa. É devolver o interesse de participar do processo eleitoral. Simples assim", disse o presidente.
Segurança pública
Lula também falou sobre segurança pública e defendeu a presença do Estado nas comunidades, além da atuação das forças policiais.
“Não podemos assistir o povo pagar pedágio para ter acesso a políticas públicas que o Estado tem que dar. Agora, o mais importante é ter claro que não haverá polícia capaz de resolver o problema da segurança pública se o Estado não estiver de corpo presente na comunidade, levando políticas sociais", defendeu.
Na avaliação do presidente, o avanço do crime organizado exige uma atuação mais ampla do poder público.
“A bandidagem cresceu. O crime organizado cresceu. Entraram no Poder Judiciário, entraram nos partidos políticos, entraram nos clubes de futebol, entraram em tudo quanto é lugar. O que estamos fazendo de concreto? Porque a gente não pode prometer o que não é possível fazer.”
Segundo turno
Na avaliação do petista, a disputa do segundo turno será marcada pelo contraste entre os projetos apresentados pelos candidatos.
“Eu acho que é uma eleição que a gente vai ganhar colocando, mais uma vez, o que é a verdade desse país: a teocracia de um candidato, a democracia do outro", comentou.
Lula também fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e chama a atenção para a desconfiança de boa parte dos brasileiros em relação à Corte.
“Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave: a promiscuidade que foi instalada na Suprema Corte brasileira nessas eleições. Quando você chega a uma situação em que a Suprema Corte está sob desconfiança da sociedade, é muito grave. É um tema que vamos ter que encarar nessa campanha.”
Ao projetar o segundo turno, Lula afirmou que pretende intensificar a campanha: “São 20 dias, mas é melhor. Vamos dormir menos e trabalhar mais.”
Ao final, o petista tratou o resultado do primeiro turno como um aprendizado para a campanha.
“Que essa não-eleição de vocês signifique um aprendizado para a próxima eleição. Vocês estão conversando com uma pessoa que perdeu quatro eleições. Ninguém perdeu mais do que eu, ninguém foi para o segundo turno mais do que eu e também ninguém ganhou mais eleições para Presidência do que eu", declarou.
Em tom de confiança, encerrou: “Se preparem, porque nós vamos ganhar as eleições em outubro.”
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