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Liberal convicto, Ostermann deixou PSL por causa de Bolsonaro

Eleito deputado estadual pelo Novo no Rio Grande do Sul, Fábio Ostermann foi um dos fundadores do MBL

11 out 2018
21h05
atualizado às 22h32
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PORTO ALEGRE - De família "nada politizada", Fábio Ostermann elegeu-se deputado estadual no Rio Grande do Sul nas eleições 2018 com a maior votação do partido Novo no Parlamento gaúcho: 48.897 votos. "Minha expectativa era fazer uns 30 mil votos. Sabia das dificuldades, sofri com campanha negativa tanto da esquerda quanto da direita. Esse é um fardo que nós liberais temos que carregar", afirmou.

Liberal convicto, ele já chegou a "flertar com a esquerda" quando ainda estava na escola, em Porto Alegre. "Sempre gostei de ler, mas infelizmente a literatura que se oferecia era uma que acabou formando algumas concepções de esquerda", disse.

Hoje, com 34 anos, o agora deputado estadual é formado em direito, mas pós-graduado em ciência política e estudou na Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos. Ostermann é figura certa em movimentos liberais, como o Students for Liberty Brasil, o Instituto Liberdade e Instituto de Estudos Empresariais, ajudando até a fundar alguns, como o Movimento Brasil Livre (MBL), ainda em 2014. No ano seguinte, saiu do grupo por divergências internas.

"Eu poderia ter ficado no MBL. Eu poderia ser mais votado que o Kim (Kataguiri) e o Arthur Mamãe Falei. Mas saí porque passei a não concordar com as visões de quem co-coordenava os trabalhos", disse.

Já seu engajamento na política partidária começou ainda em 2013, ao ajudar a fundar o partido Novo no Rio Grande do Sul. Após se afastar por um período da política para estudos e trabalho, ele recebeu um convite para fazer parte de um movimento "de cunho liberal" dentro do PSL, o Livres. "Um partido fisiológico, sem identidade, mas que tinha lideranças que queriam construir um partido liberal de verdade", disse.

Pelo partido, concorreu à prefeitura de Porto Alegre em 2016, mas fez apenas 7.054 votos. E sua saída do PSL se deu justamente pela filiação do presidenciável Jair Bolsonaro, em 2018.

"Optamos por sair não só por não chancelar os preceitos ideológicos que envolve o 'Bolsonarismo', mas também as práticas que envolveram a chegada dele no partido", afirmou. Segundo Ostermann, um acordo foi quebrado dentro da sigla que garantiria o cunho "liberal" da sigla. "Não poderíamos ser complacentes com esse caciquismo da velha política".

Na Assembleia Legislativa gaúcha, Ostermann pretende trabalhar com "compromissos" ao invés de promessas. "Poderia propor a redução do ICMS pela metade, mas sei que isso não é possível. Meu compromisso é combater todo e qualquer aumento de impostos, por exemplo", disse. Entre os seus "compromissos" está o enxugamento do Estado, privatizações e transparência.

Para o governo do Estado, que está num segundo turno entre José Ivo Sartori (MDB) e Eduardo Leite (PSDB), Ostermann afirma que será "independente" no Parlamento..

3 perguntas para...

Por que entrou na política?

Eu queria entender como a sociedade se organizava. Não sou de família rica, mas nunca nos faltou nada. Sempre me angustiou o porquê que algumas pessoas não tinham o que eu tinha, porque muitas crianças não tinham teto, não tinham as oportunidades de estudo que eu tive.

Como foi a campanha?

Começamos a nos estruturar com uma galera muito jovem, pessoal essencialmente inexperiente mas com muita dedicação, capacidade de fazer acontecer. E eu estive presente em todas as rotinas, viajei muito, todos os vídeos foram roteirizados por mim, fazia postagens nas redes sociais. Quase enlouqueci minha equipe.

Bolsonaro ou Haddad?

É uma pergunta difícil. Ela carrega consigo uma escolha de Sofia. Não vou votar no PT de jeito nenhum. O PT foi uma das forças mais prejudiciais para a nossa democracia. Mas eu não deixo meu antipetistmo me cegar e me fazer endossar um projeto político que também é autoritário, que é o do Bolsonaro. Então, não vou endossar publicamente nenhuma candidatura.

Estadão

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