Haddad está fadado ao fracasso após 4ª derrota consecutiva nas urnas? Especialistas avaliam
Ex-ministro foi derrotado no 1º turno por Tarcísio de Freitas (Republicanos) na briga pelo governo de São Paulo
Fernando Haddad (PT) sofreu a sua quarta derrota consecutiva nas urnas ao ver Tarcísio de Freitas (Republicanos) ser reeleito em 1º turno para o governo de São Paulo. Em 2022, o ex-ministro da Fazenda também foi derrotado na luta para chegar ao Palácio dos Bandeirantes pelo candidato com apoio bolsonarista.
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Em 2016, o petista perdeu em sua tentativa de reeleição à Prefeitura de São Paulo, terminando em segundo lugar, com 16,70% dos votos válidos, contra 53,29% de João Doria, ainda no primeiro turno.
Dois anos depois, em 2018, o político assumiu a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à época considerado inelegível por causa de condenações no âmbito da Operação Lava Jato. Embora tenha ido para o segundo turno com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), perdeu por 55,13% a 44,87% dos votos válidos.
Na visão de Rodrigo Prando, cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Haddad se afasta das grandes massas pelo seu perfil pouco carismático, de professor, pesquisador, intelectual e escritor. “É uma característica, ele não é o cara do abraço, do aperto de mão como é o Lula, ele ocupou posições que são posições importantes como ministro, mas o ministro nunca tem a dimensão de um cargo executivo”, aponta.
No entanto, o cientista político avalia que embora ele tenha perdido as últimas quatro eleições em que se candidatou, Lula teve um histórico, de certa forma, parecido, pois perdeu o pleito à Presidência para Fernando Collor em 1989 e duas vezes para Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998. Isso não condenou o petista ao estigma de perdedor.
“O Lula ganhou duas vezes no segundo turno. A Dilma ganhou duas vezes no segundo turno. O Lula foi preso, voltou e ganhou do Bolsonaro que tinha a máquina na mão. Então, em política esses reveses não significam que a trajetória do Haddad está fadada a uma derrota constante. [Ele] é um político, um quadro importante no Partido dos Trabalhadores e que na ausência do Lula no plano nacional deve ganhar um protagonismo, uma relevância”, analisa.
Para Hannah Maruci, doutora em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), ainda é cedo para pensar no futuro do Haddad, visto o cenário político atual. “A gente está vivendo com situações em que a conjuntura muda, em que a estrutura está mudando também. Então, eu acho que o mais sensato para a gente fazer agora é olhar o que aconteceu”, pondera.
Em sua avaliação, a especialista explica que o petista entrou na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes já sabendo que não ganharia, até porque o maior colégio eleitoral do Brasil, em sua maioria, vota em Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência que apoiou a reeleição de Tarcísio de Freitas.
“Na verdade, é uma estratégia do PT ali lançar a candidatura do Haddad, mas o resultado, nesse caso, não foi uma surpresa. Não é uma perda nesse sentido, porque não se esperava uma vitória num Estado que já estava claramente bastante tendendo à reeleição do Tarcísio.”
A cientista política destaca ainda que perder ou ganhar nas urnas faz parte do jogo político, mas que estar fora das eleições não necessariamente é sempre uma derrota. “Às vezes você sai muito maior, mais conhecido, mas não ganhou ali isso. Faz parte da construção do candidato. Essa derrota do Haddad na urna foi calculada, teve um objetivo maior que foi impulsionar a candidatura do Lula, que era a prioridade ali”, avalia ao dizer que não vê esse fator prejudicar a carreira futura do Haddad.

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