Flávio erra e chama mãe de menina morta a tiros pelo nome da própria filha em debate na Globo
Senador, que defendeu o PM acusado de matar criança, errou o nome de Cristiane, e a chamou pelo nome da filha, morta aos 5 anos em 2021
O candidato Flávio Bolsonaro (PL) errou o nome de Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara Gomes Machado, menina de 5 anos morta por um disparo de fuzil durante uma ação policial em Niterói (RJ), ao tentar se solidarizar com ela durante o debate presidencial da TV Globo, nesta sexta-feira, 23.
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Ao dizer que não conseguia imaginar a dor de perder uma filha tão pequena, o candidato afirmou que queria pedir desculpas a “Ana Clara”, confundindo Cristiane com a própria menina. Na sequência, defendeu o policial militar acusado pela morte da criança e afirmou acreditar na inocência do agente. A mãe da menina, que está na plateia sentada ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin, levantou-se ao ser mencionada.
"Ana Clara, eu quero falar pra senhora: está, de verdade, a minha solidariedade. Foi uma tragédia o que aconteceu. Eu não consigo imaginar o que é perder uma filhinha de 5 anos de idade. Eu tenho uma filha de 14 e uma filha de 12. Era uma troca de tiros em uma comunidade conflagrada. A senhora sabe que tem o tráfico de drogas aí. E o que eu estou fazendo, é fazendo porque eu quero ajudar a senhora, inclusive, a saber quem foi o autor desse disparo. Porque eu tenho a confiança que não foi esse policial", disse.
Flávio argumentou que houve uma troca de tiros na ocasião e que o policial teria reagido a disparos. A versão apresentada pelos agentes era a de que a equipe havia sido atacada por criminosos armados e revidado. A investigação da Polícia Civil, porém, apontou contradições entre os relatos dos policiais, os depoimentos de moradores e as evidências recolhidas no local.
Segundo reportagem publicada pelo jornal O Dia em fevereiro de 2021, o delegado Bruno Cleuder, responsável pelo caso, explicou que a posição de onde os policiais afirmavam ter disparado não correspondia à trajetória do tiro que atingiu a menina. Já o local indicado pelas testemunhas era compatível com a trajetória do projétil. A viatura também não apresentava marcas de tiros, e a perícia não encontrou estojos ou cápsulas de pistola ou de outras armas que corroborassem a versão de um confronto com criminosos.
Ana Clara morreu em 2 de fevereiro de 2021, depois de ser atingida enquanto brincava na porta de casa com o irmão, de 2 anos, na comunidade de Monan Pequeno, no bairro de Pendotiba, em Niterói. O policial militar Bruno Dias Delarolli é acusado de efetuar o disparo fatal. O Ministério Público do Rio de Janeiro sustenta que o agente assumiu o risco de matar ao atirar em uma área residencial.
Flávio integrou a equipe de defesa do policial e participou de um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2024, que buscava reverter a decisão de levar o acusado a julgamento pelo Tribunal do Júri. O pedido foi rejeitado, e o caso permaneceu sujeito ao julgamento popular.
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