'Estou aqui pela minha mãe e por 700 mil pessoas que faleceram por Covid', diz apoiador em ato de Lula
Na Avenida Paulista, Flávio Almeida Versani segurava um cartaz que dizia: 'É por você, mãe'
"Eu não conseguia ouvir a voz do ex-presidente porque eu chorava". A lembrança de Flávio Almeida Versani, de 49 anos, sobre o período em que perdeu a mãe para a covid-19 ajuda a explicar por que ele foi à Avenida Paulista, em São Paulo, neste sábado, 24, para apoiar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último ato de campanha antes do segundo turno.
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Professor de inglês, Flávio perdeu Janeide Maria Almeida Versani, de 61 anos, em março de 2021, durante a segunda onda da pandemia. Mais de cinco anos depois, a dor da perda reverbera em como ele enxerga a política e segue ligada à responsabilidade que atribui ao governo de Jair Bolsonaro (PL) na condução da crise sanitária. Em entrevista ao Terra na Paulista, ele segurava um cartaz escrito: "É por você, mãe".
"'Ele tá se fazendo de vítima'. Não. Quem foi a vítima foi ela. Da negação, da ausência de cuidados, de vacinas, de políticas públicas pra combater a pandemia", disse Flávio, ao explicar o peso da eleição deste domingo, 25, para ele.
"Eu estou aqui pela minha mãe e por mais de 700.000 pessoas que faleceram por conta da covid, pela negligência do governo da época, pela negação da pandemia, o atraso das vacinas e tudo mais que a gente vê nesse país, viu nesse país", afirmou.
Em março de 2021, quando o Brasil enfrentava uma das fases mais graves da pandemia, Janeide havia conseguido tomar a primeira dose da vacina contra a covid-19. Foi Flávio quem colocou o nome da mãe em uma lista de espera em um posto de saúde para receber doses que sobravam, a chamada "xepa".
"Então, no final do dia ligaram pra ela, ela tomou a primeira dose, mas não conseguiu tomar a segunda", contou. Janeide morreu em um dia em que mais de mil pessoas também perderam a vida para a doença.
"Na sala lá da emergência do hospital, uma moça da limpeza passou e falou assim: 'Aquela senhora que tá lá dentro deitada é sua mãe?' E eu falei: 'Sim'. Ela falou: 'Eles escolheram entre ela e outra pessoa, pra quem entubar e quem não ia'", relatou.
Para Flávio, a experiência mostrou a falta de estrutura para atender os pacientes. "Eu sei que foi muito emergencial, urgente, mas muita coisa foi bloqueada, atrapalhada, para que realmente as pessoas recebessem a ajuda que mereciam naquele momento", afirmou.
A própria Janeide criticava a gestão de Jair Bolsonaro na época. "Antes dela ir embora, eu me lembro dela sentada no quarto dela e ela colocando a mão entre as pernas e tudo que estava acontecendo, as ironias, e ela falava assim: 'Olha o que esse cara tá fazendo. Olha o que que tá acontecendo, filho'", lembrou.
Flávio descreve a mãe como uma pessoa com consciência social, que costumava se colocar no lugar dos outros. É essa memória que ele leva para a hora de votar. "Eu acho que na hora de votar, a gente tem que pensar nisso. O voto não é só para gente. O voto, ele é coletivo. Ele causa um efeito na sociedade muito importante".

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