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Elogio de Haddad sobre Moro teve razão 'ampla e institucional', diz Gleisi

Presidente do PT reafirmou que juiz errou ao prender Lula e, por isso, responde a uma representação no CNJ

18 out 2018
23h02
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A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, afirmou nesta quinta-feira, 18, que os elogios do candidato do partido à Presidência nas eleições 2018, Fernando Haddad, ao juiz Sérgio Moro, foram dados por razões "ampla a institucional". Na véspera, Haddad havia dito que Moro, "em geral", ajudou o Brasil, mas "errou" na sentença que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso pela Operação Lava Jato.

"Fernando Haddad pode ter se manifestado em razão ampla e institucional (sobre Moro). O que estamos dizendo sempre é que o juiz Sérgio Moro, isso nunca tiramos da narrativa, errou no processo e não apresentou até agora provas contra o presidente Lula", disse Gleisi, afirmando que não é necessário "criar discordância" entre a opinião dela e a do presidenciável.

A presidente do PT disse ainda que, justamente por ter "errado", Moro responde a uma ação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). "Ele deve explicações com quem ele anda e de como ele fez esse processo", afirmou. Tramita no Conselho uma representação do PT e de três parlamentares do partido contra o magistrado pela divulgação de um trecho da delação do ex-ministro Antônio Palocci nas vésperas do primeiro turno das eleições 2018.

Na defesa de Moro no CNJ, ele afirma que "agentes" do PT têm um "desejado controle social da Administração da Justiça". Gleisi rebateu, dizendo que "quem ofende o direito brasileiro e não respeita o devido processo legal" é o juiz. "É um processo (contra Lula) baseado em convicções e extremamente politizado. O juiz Sérgio Moro, se não quer entrar para a seara da política e receber críticas, não deveria ter politizado o processo eleitoral", disse.

Gleisi cobra providências sobre "fábrica de mentiras" de Bolsonaro

Depois de visitar Lula na carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba, Gleisi comentou a denúncia levada pelo PT ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre possível abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação na campanha de Jair Bolsonaro (PSL). A ação de investigação eleitoral tem como base a notícia de que empresas teriam comprado pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp.

"Isso mostra que a dita onda política não foi uma onda de convencimento pelas causas, propostas ou pelo projeto do candidato, mas foi construída nos subterrâneos da internet com uma fábrica de mentiras", declarou Gleisi. Segundo ela, Lula teria dito que a notícia deixou "clara a fraude de porão" que seria a campanha de Bolsonaro. "É uma oportunidade de desmascarar o que é esse projeto e essa pessoa", teria dito o ex-presidente, segundo Gleisi.

A senadora considera que houve lavagem de dinheiro e caixa dois, com a configuração de uso de recursos ilegais na campanha de Bolsonaro. Ela disse que as empresas contratadas devem ser chamadas para esclarecer o cunho das ações de disparo de mensagens e os contratantes também devam ser responsabilizados, caso comprovada a fraude eleitoral.

Sobre a defesa do presidenciável do PSL, que disse que não tem controle sobre as possíveis ações de compartilhamento pelas empresas, Gleisi afirmou que o oponente é um candidato "irresponsável e incontrolado". "Esse é um candidato que parece ausente, ele não tem controle sobre os atos de violência que ele incita seus seguidores a fazer, e não tem conhecimento de doações empresariais, sendo que ele se reúne com esses empresários", disse.

Estadão
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