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Eleições na Colômbia: Cepeda e De la Espriella avançam para disputa do segundo turno; candidato pede que Exército defenda resultados

Advogado Abelardo de la Espriella surpreende e vence primeiro turno contra o senador Iván Cepeda

1 jun 2026 - 13h24
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A Colômbia vive um cenário de forte polarização política após o encerramento do primeiro turno das eleições presidenciais. O advogado de extrema direita Abelardo de la Espriella disputará o comando do Palácio de Nariño em um segundo turno contra Iván Cepeda, representante da esquerda governista. O pleito de domingo confirmou um resultado apertado e surpreendeu os analistas políticos, que apontavam um cenário invertido nas pesquisas de intenção de voto anteriores à votação oficial.

Candidato da oposição obteve uma pequena vantagem (44%) sobre o sucessor de Gustavo Petro (41%) no primeiro turno
Candidato da oposição obteve uma pequena vantagem (44%) sobre o sucessor de Gustavo Petro (41%) no primeiro turno
Foto: Getty Images / Perfil Brasil

Conforme os dados divulgados pela entidade que organiza o pleito no país, o excêntrico milionário e admirador de Donald Trump alcançou 43,7% dos votos válidos na contagem rápida. O candidato constrói seu discurso com foco em uma linha-dura contra a criminalidade, prometendo a criação de megapresídios e a autorização de bombardeios táticos. A plataforma ganha tração em meio à pior onda de violência enfrentada pela nação sul-americana ao longo da última década.

A população agora se prepara para retornar às urnas no dia 21 de junho. Diante da impossibilidade de reeleição do atual mandatário Gustavo Petro, Cepeda surge como o nome para dar continuidade ao projeto do primeiro político de esquerda a governar o território colombiano. Embora tenha liderado a corrida eleitoral durante quase toda a campanha, o senador terminou a primeira etapa na segunda colocação, registrando 40,9% do apoio popular. A reação das ruas reflete o clima de incerteza que toma conta do eleitorado diante das opções apresentadas. "Estamos nos extremos radicais. Que Deus nos proteja", disse Gloria Terranova, trabalhadora de uma fazenda de café de 59 anos.

Outsider adota tom agressivo e foca em segurança pública

O avanço de De la Espriella representa a ascensão de um outsider de 47 anos sem nenhuma experiência prévia no funcionalismo público ou em cargos eletivos. Conhecido por atuar na defesa de figuras polêmicas, como narcotraficantes e estrelas do futebol, o profissional também se aventura como cantor amador. Ele conduz sua mobilização popular sob o codinome de "El Tigre", posicionando-se estrategicamente como a única barreira capaz de evitar que as forças progressistas destruam a estrutura institucional do país. A vendedora de flores Kelly Mayorga, de 43 anos, demonstra confiança no projeto do advogado. "Vejo nele um homem decidido, de personalidade (...) A segurança é o que precisamos neste momento", disse à AFP.

Para além do discurso focado em segurança, o plano de governo da extrema direita prevê uma reforma administrativa severa, com a redução de 40% no tamanho da máquina estatal. O objetivo declarado é estancar a crise fiscal e atrair capital privado internacional. No campo jurídico, o candidato propõe extinguir os tribunais especiais criados pelo acordo de paz com as antigas guerrilhas, além de defender penas severas, como a prisão perpétua em estruturas construídas dez andares abaixo da terra para chefes do crime organizado.

O clima de tensão se estendeu para os bastidores institucionais logo após a divulgação dos boletins das urnas. Diante dos questionamentos levantados pela oposição sobre a lisura do processo, De la Espriella subiu o tom e fez um apelo público direcionado às Força Pública e ao Exército da pátria para que ativem o mecanismo constitucional caso os adversários tentem invalidar o voto popular. Ele também direcionou ameaças diretas ao bloco rival e pediu a vigilância de governos estrangeiros. "Não se atrevam em insistir em não reconhecer os resultados das eleições, porque o povo vai se levantar e vai castigá-los", disparou o líder direitista.

Esquerda questiona apuração e busca alianças para a decisão

Do outro lado do espectro político, Iván Cepeda adotou uma postura de cautela e evitou discursos de vitória ou derrota imediata. O filósofo e defensor dos direitos humanos questionou as inconsistências apontadas em mesas específicas e afirmou que só emitirá um posicionamento definitivo quando as comissões oficiais finalizarem os trabalhos de auditoria interna. O senador é filho de um antigo líder comunista assassinado por agentes estatais e prometeu empenho máximo para derrotar o que chamou de fascismo mafioso. Sua chapa conta com a líder indígena Aida Quilcué como candidata à vice-presidência.

A militância governista sentiu o impacto do resultado abaixo do esperado, especialmente na capital, Bogotá, onde Cepeda concentrou parte de sua história e de seu eleitorado histórico. "Sim, é uma frustração", disse Andrés Alba, funcionário de uma cafeteria de Bogotá, de 42 anos. O candidato foca sua mensagem na redução das desigualdades econômicas e sociais, mantendo as diretrizes protetivas do atual governo, embora enfrente forte oposição devido aos resultados limitados da política de negociação armada conhecida publicamente como Paz Total.

O cenário para as próximas semanas exige capacidade de articulação, e os movimentos de apoio já começaram a se desenhar. A candidata da direita tradicional, Paloma Valencia, que encerrou a disputa na terceira colocação com 6,9% dos votos, confirmou que caminhará ao lado de De la Espriella no segundo turno. A aliança é vista por cientistas políticos como um movimento crucial para consolidar os votos conservadores. De acordo com Felipe Botero, diretor de Ciência Política e Estudos Globais da Universidade dos Andes, o avanço da extrema direita impõe barreiras complexas para a campanha de esquerda, alterando completamente a dinâmica de favoritismo que predominava no país.

Perfil Brasil
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