Ditadura na Nicarágua cancela eleições e choca o mundo
Regime de Daniel Ortega avança na Assembleia Nacional para proibir partidos de oposição e consolidar modelo de partido único
A ditadura na Nicarágua afeta todas as regiões do país. Agora o país deu um passo definitivo para consolidar ainda mais a ditadura na região. O Congresso iniciou um plano de trabalho para extinguir o processo eleitoral do país. A movimentação legislativa cumpre a recente declaração do presidente Daniel Ortega, que afirmou taxativamente a suspensão dos pleitos.
Em seguida, o presidente da Assembleia Nacional da Nicarágua, Gustavo Porras, confirmou a votação do projeto que firma a ditadura e que banirá os partidos de oposição. A iniciativa deve virar lei nas primeiras semanas de agosto, fechando as portas para qualquer contestação política. A manobra gerou forte repercussão internacional e revolta entre exilados políticos.
A ditadura e a reação internacional
A crise política no país centro-americano arrasta-se há anos, mas ganhou força após os protestos populares de 2018. Na ocasião, as forças de segurança reprimiram com violência as manifestações, deixando mais de 325 mortos. Deixando claro uma ditadura sem precedentes. Desde então, o governo sufoca qualquer tentativa de reforma democrática.
A princípio, o calendário previa eleições presidenciais para este ano. Contudo, em 2025, o regime aprovou uma reforma constitucional que adiava o pleito para 2027 e nomeou a primeira-dama Rosario Murillo como copresidente. Agora, o novo plano extingue completamente a perspectiva de votações no país, mantendo assim a ditadura.
Em contrapartida, a comunidade internacional reagiu com firmeza às manobras de Ortega. O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, condenou a repressão e prometeu medidas severas: "O governo Trump e a comunidade internacional não ficarão de braços cruzados enquanto a ditadura de Murillo e Ortega intensifica a repressão interna e gera uma instabilidade que ameaça a segurança nacional dos Estados Unidos."
Diante desse cenário, a Organização das Nações Unidas (ONU) também exigiu o fim da ditadura e o restabelecimento das garantias democráticas na Nicarágua. O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, falou à imprensa: "Faço um apelo às autoridades para que reabram o espaço cívico e restabeleçam o Estado de Direito... pessoas de todas as posições políticas devem ter permissão para votar e concorrer a cargos públicos, em conformidade com as obrigações internacionais do Estado em matéria de direitos humanos."
Em nota, os movimentos de oposição pedem aos governos democráticos da região, a OEA, a ONU, a União Europeia e a comunidade internacional como um todo que não reconheçam ou legitimem "a abolição do direito do povo nicaraguense de escolher seus governantes", e adotem medidas jurídicas e diplomáticas.
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