Caso Master: entenda o escândalo de R$ 12 bilhões que envolve o Banco Central e foi citado por Renan Santos em debate
Investigação da Polícia Federal apura fraudes em títulos de crédito, lavagem de dinheiro e operações no Banco Regional de Brasília
A Operação Compliance Zero da Polícia Federal apura fraudes de mais de R$ 12 bilhões no Banco Master, liquidado pelo Banco Central após emitir créditos sem lastro e inflar ativos em operações com o BRB. O esquema envolvia desvio de recursos para offshores e levou à prisão do controlador Daniel Vorcaro e do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, além de bloquear R$ 22 bilhões em bens. As investigações apuram lavagem de dinheiro e alcançam a atuação de membros do BC, STF e TCU.
O escândalo do Banco Master é uma investigação sobre fraudes financeiras bilionárias e emissão de títulos de crédito falsos. A crise provocou a liquidação extrajudicial da instituição financeira pelo Banco Central em novembro de 2025, após a descoberta de irregularidades em operações com o Banco Regional de Brasília (BRB).
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O caso foi citado por Renan Santos durante debate presidencial na Band neste domino, 23. O candidato do Missão afirmou que o escândalo surgiu no governo Lula e que é de interesse do petista e de Flávio Bolsonaro (PL) um indulto a Daniel Vorcardo, dono do Banco Master.
Como funcionava o esquema do Banco Master?
A engrenagem investigada pela Polícia Federal operava por meio da emissão de carteiras de crédito sem lastro real e pela inflação artificial de ativos em fundos de investimento. O Banco Master captava recursos prometendo rendimentos de até 140% do CDI e comercializava papéis irregulares ao Banco Regional de Brasília, enquanto enviava recursos ao exterior por meio de fundos multimercados.
Segundo relatórios da Operação Compliance Zero, ativos podiam passar por reavaliações técnicas que multiplicavam o valor contábil para simular lucros patrimoniais no balanço da instituição. O dinheiro captado de investidores e de regimes próprios de previdência social (RPPS) era alocado em fundos como Hans 95 e Brain Cash, administrados pela Reag Investimentos, e posteriormente transferido para offshores em praças como Ilhas Cayman e Delaware.
O que foi a Operação Compliance Zero?
A Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal para apurar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa no Sistema Financeiro Nacional. A ação policial resultou em seis fases ostensivas, com mandados de prisão contra o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, além de apreensões e bloqueio de bens que superam R$ 22 bilhões.
A primeira fase foi deflagrada em 18 de novembro de 2025 e prendeu Daniel Vorcaro no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Nas etapas posteriores, a Polícia Federal prendeu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, o empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel, e investigou atuações de milícias privadas voltadas a intimidar críticos do grupo financeiro.
Quem são os principais envolvidos no caso?
Os principais alvos das apurações da Polícia Federal e do Ministério Público são o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, seu pai Henrique Vorcaro, seu cunhado Fabiano Zettel e o ex-presidente do Banco Regional de Brasília, Paulo Henrique Costa. A lista de investigados inclui também o fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, e o empresário Nelson Tanure.
As investigações também envolvem a atuação de autoridades do Supremo Tribunal Federal (STF), do Banco Central e do Tribunal de Contas da União (TCU) na condução do processo. A corregedoria do Banco Central instaurou apuração interna para verificar a atuação da autoridade monetária na fiscalização e na decretação da liquidação do conglomerado.
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