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Bolsonaristas usam enquetes como pesquisa eleitoral

Perguntas feitas nas redes sociais não têm metodologia científica usada por institutos para garantir rigor aos dados apurados

27 dez 2021 05h11
| atualizado às 07h48
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Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto
24/11/2021 REUTERS/Ueslei Marcelino
Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto 24/11/2021 REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: Reuters

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro ocupa o segundo lugar nas principais pesquisas de intenção de votos sobre a corrida presidencial, seus simpatizantes espalham nas redes sociais resultados de enquetes para questionar a credibilidade de institutos como Datafolha e Ipec. Enquetes online, porém, não podem ser comparadas com pesquisas eleitorais porque seus resultados não se baseiam em um grupo representativo da população brasileira.

O deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ) divulgou, em 14 de dezembro, um vídeo no Twitter que mostra enquete feita em junho no programa Balanço Geral, da TV Sucesso - afiliada da TV Record em Goiás. O programa pediu aos telespectadores que enviassem por WhatsApp uma resposta à pergunta "se a eleição fosse hoje, você votaria em quem?". A postagem mostra um resultado parcial em que Bolsonaro aparece com mais de 87% dos votos. A enquete terminou atribuindo ao presidente uma taxa de 64,9%.

No Twitter, a enquete apresentada como pesquisa na TV goiana: 87% ‘a favor de Bolsonaro’. 
No Twitter, a enquete apresentada como pesquisa na TV goiana: 87% ‘a favor de Bolsonaro’.
Foto: Twitter/@carlosjordy/Reprodução / Estadão

Compartilhada quase 2 mil vezes no Twitter, a mensagem de Jordy diz que "a melhor pesquisa é essa, feita abertamente para o povo, e não de forma secreta, para enganar e influenciar o povo". O problema é que a enquete só revela a opinião de espectadores do programa.

Uma verificação do Projeto Comprova, publicada em julho, destacou que não havia controle sobre quem respondia à pergunta e que o alcance da votação estava restrito aos espectadores do programa regional. "Não há como saber quantas pessoas participaram do levantamento, quantas eram mulheres e quantas eram homens, quantas têm título de eleitor, nem mesmo se alguém enviou mais de uma mensagem", advertia a reportagem.

É diferente do levantamento divulgado pelo Datafolha há duas semanas, por exemplo. Empresas de pesquisas de opinião estabelecem metodologias com base em parâmetros estatísticos para garantir que o grupo entrevistado seja o mais representativo possível da população brasileira. Deve, por exemplo, contemplar pessoas com diferentes faixas de renda e escolaridade, entre outras características.

Dados

O levantamento do Datafolha, disponível no site da empresa, informa que o instituto empregou um método quantitativo de pesquisa e que as entrevistas foram presenciais, com base em relatório estruturado. O documento informa que foram entrevistadas 3.666 pessoas, de 191 cidades, e detalha características da amostra. O resultado indica que o ex-presidente Lula lidera as intenções de votos com 48%, e Bolsonaro tem 22%.

Outra enquete que viralizou entre os bolsonaristas, em agosto, foi realizada no site eleicoesaovivo.com.br. Postagens nas redes inflamavam questionamentos contra pesquisas eleitorais, mas omitiam um alerta da própria plataforma sobre a limitação do levantamento: "Enquete não é pesquisa! Enquete não possui valor científico e não pode ser confundida com pesquisa eleitoral".

Estadão
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