Alemanha perde 1ª eleição para Conselho de Segurança da ONU
Contribuição financeira não foi suficiente para garantir vitória. Áustria e Portugal levaram dois assentos de membros não permanentes no órgão mais poderoso da organização.A Alemanha sofreu um revés histórico nesta quarta-feira (03/06) ao, pela primeira vez, não se eleger para o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Áustria e Portugal, por sua vez, foram escolhidos como membros não permanentes para os próximos dois anos.
O país viu suas expectativas frustradas ao ficar bem abaixo da maioria de dois terços necessária na votação secreta, segundo a presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, que é também a ex-ministra das Relações Exteriores da Alemanha.
Estavam em disputa duas vagas destinadas ao "Grupo da Europa Ocidental e Outros Estados". Portugal obteve 134 votos, enquanto a Áustria recebeu 131. Já a Alemanha ficou com 104 votos.
Um dos maiores contribuintes financeiros da ONU, o país vem, desde a reunificação, buscando regularmente uma vaga no seu órgão mais poderoso, até agora sempre com sucesso. Ao todo, já ocupou seis vezes um assento não permanente no Conselho de Segurança, mais recentemente no biênio 2019/2020.
Argumento financeiro não prevaleceu
Havia expectativa entre observadores de que o argumento financeiro prevalecesse, levando à vitória alemã. O fato de a candidatura ter sido apresentada tarde era, entretanto, apontado como vantagem para Portugal e Áustria.
No fim de abril, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, avaliou que as chances eram boas. "Mas é uma competição e é democracia. Podemos ganhar, podemos perder. Ambos são possíveis. Temos bons argumentos. Estamos engajados neste mundo. Estamos engajados no sistema da ONU", disse à DW durante uma visita à sede da ONU em Nova York.
O Conselho de Segurança é composto por cinco membros permanentes com direito de veto: os EUA, a Rússia, a China, o Reino Unido e a França - as cinco potências nucleares oficialmente reconhecidas. Há ainda dez membros não permanentes, sem direito de veto.
De acordo com a Carta das Nações Unidas, o Conselho de Segurança tem "a principal responsabilidade pela manutenção da paz mundial e da segurança internacional". As decisões do conselho são obrigatórias para todos os Estados-membros da ONU. Ele pode impor sanções, enviar missões de paz e autorizar o uso da força militar.
Xadrez geopolítico
As Nações Unidas, ao mesmo tempo, vêm sofrendo uma percebida perda de relevância na geopolítica global.
Valorizando o multilateralismo e uma ordem internacional baseada em regras, a candidatura alemã soou como um contraponto à "política do mais forte" do presidente dos EUA, Donald Trump.
Outro interesse alemão repousa numa reforma do Conselho de Segurança. O argumento é que a composição do conselho, especialmente das potências com direito de veto, reflete a situação geopolítica que existia logo após a Segunda Guerra Mundial e não a atual.
Alemanha, Japão, Brasil e Índia reivindicam há anos um assento permanente para cada um, além de dois para países africanos. Mas isso nunca se concretizou e não parece que vá acontecer no futuro, já que as cinco potências atuais com direito a veto teriam que concordar em abrir mão de seus privilégios.
ht/md (AFP, ots)
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