Aluno de 12 anos que faz aulas de Biomedicina na faculdade quer ser neurocirurgião: 'Meu objetivo é ajudar as pessoas'
Pedro Eduardo Cuba tem altas habilidades, foi aprovado no vestibular da Uniftec e participa, como ouvinte, da aula Psicologia da Saúde
"Uma experiência muito gratificante". Foi assim que Pedro Eduardo Cuba descreveu o seu primeiro dia de aula na faculdade. Com apenas 12 anos e cursando o último ano do ensino fundamental, o adolescente foi aprovado no vestibular de Biomedicina no Centro Universitário Uniftec, em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.
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Ele conta que foi uma surpresa para os outros estudantes ver um aluno tão mais novo na turma. "Uma colega minha falou que ficou perplexa por conta da minha idade. É uma diferença grande, mas eu acredito que consegui me enturmar bem. O pessoal foi superacolhedor, bem receptivo", detalha o estudante em entrevista ao Terra. Ele iniciou as aulas na semana passada.
Pedro participa, como ouvinte, da aula da disciplina Psicologia da Saúde, que é ministrada uma vez por semana. Ele será acompanhado pelo Núcleo de Apoio Psicopedagógico e Inclusão (NAPI). Mas, ao mesmo tempo que passa a frequentar as aulas na universidade, ele segue no colégio, no ensino fundamental regular.
Descoberta da superdotação
Há quatro anos, quando Pedro tinha 8 anos, a família descobriu que ele é uma pessoa com altas habilidades. A mãe dele, a advogada Viridyana Regis Silva Cuba, de 45 anos, diz que o filho sempre teve conhecimentos mais avançados para a idade, mas que a família acreditava ser pelos estímulos de aprendizado que ele tinha em casa.
"Com 3 anos ele jogava xadrez, por exemplo. Nós compramos um tabuleiro para ele. Mas a gente achava normal, porque eu e o pai dele jogávamos xadrez", lembra. Após escutarem de professores que ele estava mais avançado, eles decidiram fazer uma avaliação. O resultado? Um Quociente de Inteligência (QI) muito alto, de 150.
Pedro tem um QI alto em várias áreas, mas, segundo ele, a que mais se destaca é a de raciocínio lógico e memorização de padrões.
Depois disso, o adolescente já avançou de série na escola duas vezes: ele foi do terceiro para o quinto ano e, mais recentemente, saiu do sétimo para o nono ano do ensino fundamental. Viridyana explica que os avanços são sempre analisados em conjunto com escola e outros profissionais, como uma neuropsicóloga.
"Da forma cognitiva, a gente poderia eliminar o colégio, mas tem essa questão de pular as fases. A ideia dele ficar no colégio e na universidade é justamente para não queimar essas fases. Para ele ter essa relação com os colegas que é tão importante no dia a dia, na construção de uma maturidade como cidadão e também para se potencializar", ressalta a mãe.
Pedro tem um histórico marcado por várias atividades acadêmicas e de muita curiosidade, principalmente pela ciência: ele já fez, por exemplo, várias olimpíadas do conhecimento, integra um clube de astronomia, participou do programa Caça Asteroides e ainda foi um dos participantes do quadro Pequenos Gênios, do Domingão com Huck, da TV Globo. Além dos estudos, ele tem os esportes, como handebol, como hobbies.
'Quero ser neurocirurgião'
A entrada de Pedro na universidade não foi via judicial. O adolescente fez o vestibular e a família começou as tratativas com a faculdade, que ofereceu a possibilidade do gaúcho participar como ouvinte. Como ele é menor de idade, um responsável também precisa acompanhá-lo, mas fica pelo campus esperando a aula terminar.
"Teve todo um preparo, que eu acho que é possível a gente replicar isso para dar essas oportunidades para vários outros jovens", diz Viridyana. "O Pedro não vai parar por aqui. A gente está sempre buscando coisas novas, novos desafios e assim vai ser. Isso deveria ser para todos. Mas, no caso dele, que é um cérebro muito potente, a gente precisa alimentar isso", analisa também a mãe.
No futuro, Pedro pode tentar validar as aulas teóricas que assistiu e eliminar essa disciplina do curso que for fazer. "Mas conhecimento nunca é demais. Só por estar lá aprendendo, tendo essa oportunidade, para mim, já é ótimo", pontua o adolescente.
Após se formar no ensino médio, Pedro pretende cursar Medicina e seguir a carreira de neurocirurgião. "É uma área que eu vou poder auxiliar um número gigante de pessoas. Eu penso que o meu objetivo de estar aqui é poder ajudar o maior número de pessoas possível. É isso que eu quero fazer", afirma o estudante.
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