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Veja as questões que avaliaram a criatividade dos alunos brasileiros

Teste avalia a capacidade de gerar ideias originais e criativas; Brasil ocupa a 44ª posição no ranking mundial

19 jun 2024 - 19h03
(atualizado em 20/6/2024 às 17h21)
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Quão criativo é o estudante brasileiro? Segundo os resultados deste ranking mundial divulgado na última quarta (18), não muito... O PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) é uma avalição que, a cada três anos, mede o desempenho de estudantes de 15 anos matriculados na rede pública de ensino de 56 países. O exame, coordenado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) aborda questões de leitura, matemática e ciências. O objetivo é, além de ter uma noção de como anda a educação das juventudes ao redor do globo, apontar melhorias e deficiências no sistema educacional.

Teste de Pensamento Criativo do PISA avalia capacidade criativa de jovens de 15 anos
Teste de Pensamento Criativo do PISA avalia capacidade criativa de jovens de 15 anos
Foto: OCDE/ / Guia do Estudante

Como parte dessa avalição, há o PISA Creative Thinking Assessment, isto é, o Teste de Pensamento Criativo do PISA. Nessa etapa da prova, concentram-se perguntas que avaliam a capacidade dos jovens de gerar ideias originais e criativas para problemas de contextos diferentes. Os candidatos demonstram suas habilidades criativas por meio de tarefas que demandam seus talentos de escrita, resolução de problemas e expressão visual.

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O mais recente ranking, divulgado nesta quarta-feira (18), é referente ao exame aplicado em 2022. No Teste de Pensamento Criativo, o Brasil ocupa a 44ª posição, atrás de países como Portugal (12º), Itália (20º), Chile (23º) e México (28º). A pontuação média determinada pela OCDE é de 33, a nota brasileira é de 23 pontos.

Veja os primeiros colocados do ranking:

  1. Singapura (41 pontos)
  2. Coreia do Sul (38 pontos);
  3. Canadá (38 pontos);
  4. Austrália (37 pontos);
  5. Nova Zelândia (36 pontos);
  6. Estônia (36 pontos);
  7. Finlândia (36 pontos);
  8. Dinamarca (35 pontos);
  9. Letônia (35 pontos);
  10. Bélgica (35 pontos);

Quer saber como você se sairia nas questões? O GUIA DO ESTUDANTE trouxe uma seleção de algumas das perguntas da prova. Um documento detalhando o que a banca esperava na resposta de cada pergunta também foi divulgado. A explicação de cada exercício, assim como as possíveis respostas, foram todas tiradas de lá.

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Títulos de ilustrações

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Foto: OECD/Reprodução / Guia do Estudante

Nesse teste, os alunos precisavam criar títulos originais e diversos para uma ilustração abstrata. Foi solicitado que escrevessem três títulos diferentes para uma imagem de um livro gigante em meio a um cenário na natureza. Para receber a pontuação máxima, os títulos precisavam ser diferentes entre si e serem apropriados à imagem.

Veja abaixo como foram avaliadas as respostas dos candidatos. O documento divulgado exemplifica resoluções que seriam pontuadas com a nota máxima, parcial ou zerada.

Exemplo A de respostas: sem pontuação

  • Título 1: O livro grande
  • Título 2: O livro gigante
  • Título 3: O grande livro na floresta

Exemplo B de respostas: pontuação parcial

  • Título 1: A liberdade de uma história
  • Título 2: A vida é uma história aguardando para ser lida
  • Título 3: O poder de uma história

Exemplo C de respostas: pontuação máxima

  • Título 1: A árvore solitária
  • Título 2: A trilha escrita
  • Título 3: A história perfeita

    Segundo os dados divulgados, respostas dadas no exemplo A mostram ideias similares à descrição literal da ilustração, não mostrando nenhuma diversidade cognitiva. No exemplo B, duas ideias (1 e 3) têm estruturas idênticas e focam somente no livro, enquanto a segunda mostra um título que aborda a vida como uma história - ainda que sejam 3 títulos apropriados, não há diferença significativa entre 2 deles (1 e 3). Por fim, no exemplo C, cada título referencia um elemento diferente da ilustração, com adjetivos diferentes entre si, atingindo assim o objetivo do exercício.

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    História de Robô

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    Foto: OECD/Reprodução / Guia do Estudante

    Nessa outra questão, foi solicitado que os candidatos criassem ideias para o enredo de um curta-metragem protagonizado por um robô chamado Rob e o seu amigo humano Leo. A questão pedia duas ideias diferentes entre si. O estudante não precisava explicar a narrativa inteira, apenas um resumo do que o curta trataria. A recomendação era descrever a ideia em até 8 orações.

    O documento exemplifica que o candidato poderia desenvolver uma história que focasse em como o robô Rob foi criado; a maneira como a amizade entre os dois se desenvolveu; ou ainda sobre uma reviravolta em que Leo, o humano, se tornasse um robô. As duas histórias poderiam ser similares entre si, desde que alterassem o foco ou a representação de cada uma.

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    HQ espacial

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    Foto: OECD/Reprodução / Guia do Estudante

    Em outro exercício, a avaliação mergulhava no mundo das histórias em quadrinhos. A perguntava solicitava que os estudantes criassem um diálogo entre o Sol e a Terra, dentro de uma tirinha. Para isso, deveriam completar os seis balões de diálogo entre os dois astros - a ordem dos balões era fixa. Para receber a pontuação máxima, o diálogo deveria ser considerado criativo e original. Respostas envolvendo temas convencionais, pouco inovadores, ou abordagens óbvias seriam zeradas ou apenas parcialmente pontuadas.

    Foram considerados temas convencionais: diálogos focando no calor, temperatura, clima ou estações do ano (com exceção a citações a mudanças climáticas e o aquecimento global). Já temas considerados originais incluíram, mas não se limitariam: a capacidade da Terra de manter a vida, os aspectos físicos dos dois astros (cor, tamanho etc.), reflexões sobre amor e amizade; conversas sobre outros corpos celestiais.

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    Livro "2983"

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    Foto: OEDC/Reprodução / Guia do Estudante

    Neste item, os candidatos foram instruídos a criar uma ideia original para um livro intitulado "2983". Com apenas o nome e a capa (sem nenhum detalhe) da obra em mãos, precisavam associar o número 2983 a algum detalhe relevante na narrativa criada. A avaliação funcionou de maneira semelhante à questão anterior. Isto é, para receber a pontuação máxima, era necessário apresentar um tema original, não-convencional.

    Temas convencionais seriam como: histórias sobre o futuro da humanidade no ano de 2983, histórias em que o número 2983 identificassem uma pessoa, um lugar ou um objeto. Estas seriam zeradas ou apenas parcialmente pontuadas - a menos que fossem combinadas com outra abordagem inovadora. Uma resposta original, por exemplo, poderia ser o número 2983 ser o código para desbloquear um dispositivo importante para a narrativa.

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    Pôster para a Feira de Ciências

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    Foto: OECD/Reprodução / Guia do Estudante

    Explorando agora expressões visuais, uma outra questão trazia como desafio criar um pôster para a Feira de Ciências do colégio. Para tal, foram disponibilizadas a base para a arte (uma foto do espaço estrelado); a função de desenhar na tela; e alguns "carimbos" com imagens já prontas. Os estudantes poderiam arrastar para a área do pôster os carimbos (com imagens de corpos celestes, astronautas e elementos da natureza) na posição que mais achassem conveniente. A imagem deveria seguir o tema "Vida no espaço profundo".

    Veja alguns exemplos de respostas possíveis:

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    Foto: OECD/Reprodução / Guia do Estudante

    Foram consideradas respostas convencionais (e, portanto, pouco originais) criações que envolvessem puramente a Terra ou elementos relacionados à exploração humana do espaço (como astronautas, naves, satélites). Já como originais, criações envolvendo o uso de texto para comunicação do tema; figuras humanas ou alienígenas (que não fossem astronautas); modelos científicos; ou aspectos relacionadas a vida (como moléculas).

    Nos exemplos acima, o exemplo A foi parcialmente pontuado; enquanto os exemplos B e C foram avaliados com a pontuação máxima. No exemplo C, destaca-se o uso da ferramenta desenho para criar uma nave especial, ao invés de apenas arrastar o carimbo para a tela.

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    Acessibilidade na biblioteca

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    Foto: OECD/Reprodução / Guia do Estudante

    Nessa questão envolvendo a acessibilidade de uma biblioteca, os estudantes precisavam pensar em três ideias diferentes para melhorar o acesso de uma cadeira de rodas ao local. Para receber a pontuação máxima, era necessário apresentar três ideias lógicas e diferentes entre si. Caso apenas duas atendessem ao critério, o estudante seria parcialmente pontuado.

    A banca do exame esperava respostas de três tipos: modificações físicas na biblioteca (rampas, elevadores, etc.); fornecimento de assistência humana (para entregar os livros aos clientes, por exemplo); e mecanismos tecnológicos de assistência (como um sistema de delivery dos livros).

    Na segunda parte da questão, os estudantes deveriam considerar rampas já existentes na biblioteca. A pergunta pedia sugestões de modificações que melhorassem ainda mais a acessibilidade dos usuários de cadeiras de rodas aos livros. Algumas respostas originais poderiam ser: alterar o ângulo da rampa; adicionar um sistema de freios ou superfície antiderrapante; adicionar rampas extras; considerar aumentar o tamanho da rampa para que livros pudessem ser colocado embaixo dela.

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    Salve as abelhas

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    Foto: OECD/Reprodução / Guia do Estudante

    Em outra questão, os estudantes eram requisitados a ajudar o clube "Salve as Abelhas" da escola. Foi pedido para desenvolverem uma campanha de conscientização acerca da importância ecológica das abelhas. O desafio era criar 3 ideias diferentes para isso. Como todas as questões no estilo "gere uma resposta criativa", a banca avaliaria com a pontuação máxima o estudante que conseguisse criar três itens que fugissem do convencional.

    Já na segunda parte da questão, lhe era pedido para escrever uma maneira de atingir o objetivo. O estudante poderia escolher entre explicar um dos três itens que respondeu anteriormente, ou criar uma nova meta.

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    Carona solidária

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    Foto: OECD/Reprodução / Guia do Estudante

    Nessa pergunta, os estudantes precisavam criar uma ideia original para incentivar o compartilhamento de caronas. Descontos em combustíveis ou pedágios não seriam consideradas respostas inovadoras, visto que esses incentivos já existem em algumas regiões do mundo. Recebia a pontuação máxima os estudantes que criassem sugestões criativas. Descrever ideias convencionais ou já existentes recebia a pontuação parcial, a menos que incluíssem uma abordagem inovadora.

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    Salve o rio

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    Foto: OECD/Reprodução / Guia do Estudante

    Já nesta outra etapa, os estudantes eram investigados em suas capacidades de resolver problemas científicos ou de engenharia. Na questão "Salve o rio", os estudantes foram solicitadas a pensar criativamente na solução de determinada problemática: a diminuição da população de sapos em uma parte de um rio que cerca uma cidade. Foi explicitamente dito que os estudantes deveriam pensar em outras causas para o problema além da poluição ambiental. Nesta questão, só havia pontuações máximas ou zeradas.

    Alguns exemplos de respostas seriam mudanças no habitat aquático (alterações de temperatura, oxigênio, níveis minerais); na fauna local (novo predador, falta de comida); na flora local (uma nova planta invasiva, ou a ausência de uma vegetação relevante); nos próprios sapos (doenças, infecções, mutações); no comportamento humano ao redor do rio (barulhos, vibrações, ou até mesmo caças de sapos).

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    Já na segunda parte da questão, aí sim, os estudantes deveriam considerar a poluição ambiental como a causa do declínio de sapos. Na questão, os cientistas representantes das fábricas haviam começado um estudo para investigar o processo. Foi pedido que os estudantes imaginassem formas de melhorar essa investigação. A ideia sugerida deveria ajudar a equipe a chegar em conclusões ou evidências que provassem se a poluição química tinha a ver com a diminuição da população de sapos.

    Neste caso, as respostas poderiam envolver: informações específicas sobre como testar a poluição na água; a adição de testes que verificassem a presença de químicos nos organismos dos sapos; a inclusão de pontos de comparação com sapos das outras regiões do rio.

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